Economia

Tragédia com avião da Amazon recoloca segurança da aviação de carga em debate

Um avião cargueiro da Amazon ultrapassou uma pista do Aeroporto Internacional de Miami no domingo (6), pegou fogo e deixou pelo menos cinco mortos. O acidente provocou o fechamento temporário das pistas durante o movimentado fim de semana do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos. O Boeing 767-300, operado pela 21 Air como...

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Um avião cargueiro da Amazon ultrapassou uma pista do Aeroporto Internacional de Miami no domingo (6), pegou fogo e deixou pelo menos cinco mortos. O acidente provocou o fechamento temporário das pistas durante o movimentado fim de semana do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.

O Boeing 767-300, operado pela 21 Air como voo Prime Air 7598, saiu da pista por volta das 14h, no horário local, após chegar do Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín, em San Juan, Porto Rico, segundo a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA).

A aeronave atingiu vários veículos nas proximidades do aeroporto, deixando algumas pessoas presas, de acordo com o Corpo de Bombeiros e Resgate de Miami-Dade, que relatou chamas e fumaça intensas ao chegar ao local.

Além dos cinco mortos, outras cinco pessoas ficaram feridas — três delas em estado crítico —, afirmou a prefeita de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, em entrevista coletiva.

“O voo Prime Air 7598 ultrapassou a pista diagonal do Aeroporto Internacional de Miami e ficou imobilizado na extremidade noroeste do aeroporto”, disse Indira Almeida-Pardillo, porta-voz do aeroporto, em comunicado. Segundo ela, todas as pistas e taxiways foram fechadas às 15h, e as operações de pousos e decolagens foram suspensas.

Algumas horas depois, ao menos duas pistas haviam sido reabertas, segundo Greg Chin, outro porta-voz do aeroporto.

Miami é o aeroporto mais movimentado dos Estados Unidos em volume total de carga e uma importante porta de entrada internacional para mercadorias, especialmente da América Latina e do Caribe. O terminal movimentou quase 3,5 milhões de toneladas de carga em 2025, segundo dados do aeroporto. Louisville, no Kentucky, e Memphis também são grandes centros de carga no país, por abrigarem os hubs globais da UPS e da FedEx.

O chefe do Corpo de Bombeiros e Resgate de Miami-Dade, Ray Jadallah, afirmou que o incêndio foi “muito complexo”. Segundo ele, os compartimentos dos motores estavam em chamas durante a operação de busca e resgate do piloto e do copiloto, que ficaram presos na aeronave.

Ao todo, 60 unidades de combate a incêndio foram enviadas ao local. “Elas chegaram em até 30 segundos após receberem a chamada”, afirmou Jadallah.

O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, alertou para atrasos significativos e possíveis cancelamentos em uma publicação no X.

A 21 Air, companhia aérea de carga sediada em Miami, passou a operar cargueiros Boeing 767-300 em nome da Amazon em 2024. Em comunicado publicado em seu site, a empresa disse que coopera com a FAA, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) e as autoridades locais.

“Nossas mais profundas condolências estão com as famílias e os entes queridos daqueles que perderam suas vidas”, afirmou a companhia.

A Amazon confirmou que uma de suas aeronaves, operada pela 21 Air, sofreu um incidente durante a tentativa de pouso em Miami.

“Estamos trabalhando em estreita colaboração com autoridades e representantes locais para entender exatamente o que aconteceu”, disse Kelly Nantel, porta-voz da Amazon, em publicação no X. “Neste momento, nossa prioridade absoluta é a segurança, o bem-estar e o cuidado de todos os envolvidos.”

A FAA informou que vai investigar o caso. O NTSB também abriu uma apuração e realizará uma entrevista coletiva nesta segunda-feira.

A frota de carga da Amazon

A companhia aérea de carga da Amazon vem priorizando aeronaves maiores, capazes de percorrer distâncias mais longas e transportar volumes maiores. O modelo 767, envolvido no acidente em Miami, representa hoje a maior parte de sua frota. A Amazon Prime também opera 10 cargueiros Airbus A330-300 e aviões Boeing 737 menores, destinados a rotas regionais.

A 21 Air também presta serviços de transporte dedicados à DHL Express e pertence a Jim Crane, presidente do time de beisebol Houston Astros, segundo carta enviada ao Departamento de Transportes dos Estados Unidos em 2021.

Embora as circunstâncias do acidente ainda sejam desconhecidas, a queda pode se tornar o pior incidente envolvendo transporte de carga desde que um cargueiro da UPS foi destruído após atingir o solo pouco depois da decolagem em Louisville, em 4 de novembro de 2025. O acidente matou os três tripulantes da aeronave e 11 pessoas em solo.

Aviões cargueiros representam apenas uma pequena parcela do tráfego aéreo comercial, mas as operações de carga registram proporcionalmente mais acidentes ao longo dos anos. Parte da explicação é que os voos podem ser mais longos e as aeronaves, mais antigas. Muitos cargueiros são conversões de modelos que antes transportavam passageiros.

Em fevereiro de 2019, um Boeing 767-300 operado pela Atlas Air, que havia partido de Miami transportando encomendas da Amazon, mergulhou abruptamente e atingiu uma baía em alta velocidade enquanto se preparava para pousar em Houston. As três pessoas a bordo morreram.

Os acidentes mais comuns na aviação em 2025 foram choques de cauda contra a pista, falhas no trem de pouso, saídas de pista e danos em solo, segundo o relatório anual de segurança de 2025 da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

De acordo com a Airbus, as saídas de pista durante a aterrissagem estão entre as maiores categorias de acidentes no transporte aéreo, respondendo por cerca de 20% de todas as ocorrências registradas. Entre as causas estão aproximações instáveis, pistas contaminadas ou escorregadias e erro de pilotagem.

Alguns aeroportos contam com os chamados Sistemas de Contenção com Materiais de Engenharia (EMAS, na sigla em inglês), que utilizam material deformável no fim da pista para ajudar a parar aeronaves que a ultrapassam. O sistema é capaz de deter a maioria dos aviões que saem da pista a 70 nós — cerca de 130 km/h — e, segundo a FAA, já conteve com segurança 26 aeronaves.

Outros aeroportos têm barreiras no final das pistas para conter aviões desgovernados, embora essas estruturas também possam representar riscos. Em dezembro de 2024, um Boeing 737-800 operado pela Jeju Air caiu após deslizar em alta velocidade por uma pista na Coreia do Sul e atingir um muro de concreto no fim do trajeto. O acidente, no Aeroporto Internacional de Muan, matou 179 das 181 pessoas a bordo.

A aeronave envolvida no acidente em Miami tinha mais de 32 anos e realizou seu primeiro voo em junho de 1994. Ao longo das décadas, operou para Air Europa, Kenya Airways e Atlas Air, especializada em carga, depois de ser convertida em cargueiro em 2016, segundo dados compilados pelo site Planespotters.

O Boeing 767, do qual foram produzidas mais de 1.300 unidades, deixou de ser fabricado como avião comercial, mas ainda é amplamente utilizado, sobretudo em operações de carga. A Boeing continua produzindo um pequeno número de unidades para reabastecimento militar.



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