Economia

Tesouro Prefixado: entenda como funciona

Entre os títulos do Tesouro Direto, o Tesouro Prefixado é único em que o investidor sabe, no momento da compra, exatamente quanto vai receber no vencimento. A taxa de juros é travada ali, sem depender da Selic ou da inflação daí para frente. Essa previsibilidade é o que atrai boa parte de quem procura o...

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Entre os títulos do Tesouro Direto, o Tesouro Prefixado é único em que o investidor sabe, no momento da compra, exatamente quanto vai receber no vencimento. A taxa de juros é travada ali, sem depender da Selic ou da inflação daí para frente.

Essa previsibilidade é o que atrai boa parte de quem procura o título, mas ela vem com uma condição que costuma passar despercebida: só vale para quem segura o papel até o fim do prazo.

O que trava a taxa e o que não trava

No Tesouro Prefixado, também chamado de LTN (Letra do Tesouro Nacional), o investidor empresta dinheiro ao governo e recebe de volta um valor fixo no vencimento, com a rentabilidade já definida na compra. 

Existe uma variação desse título, o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais, conhecido como NTN-F, que paga parte do rendimento a cada seis meses em vez de concentrar tudo no vencimento. A taxa contratada é a mesma lógica nos dois casos, o que muda é o formato do pagamento.

O que a taxa fixa não protege é o valor do papel se vendido antes do vencimento. O preço de um título do Tesouro Prefixado é recalculado todos os dias com base na expectativa de juros do mercado, não pela taxa que o investidor contratou. Se essa expectativa sobe depois da compra, o preço do título cai. Se desce, o preço sobe. Esse mecanismo é a chamada marcação a mercado.

Quanto rende e o que pode dar errado

A taxa do Tesouro Prefixado costuma acompanhar o patamar da Selic no momento da emissão, mas com um prêmio adicional por travar o dinheiro por mais tempo. Em setembro de 2026, com a Selic em 13,75% ao ano, títulos do Tesouro Prefixadox de vencimento mais longo negociavam com taxas próximas de 14% ao ano, valores que mudam diariamente e devem ser conferidos no Portal do Investidor antes de qualquer aplicação.

O risco central é comprar um título com taxa baixa e ver os juros subirem depois. Nesse cenário, o investidor segue recebendo a taxa combinada se mantiver o papel até o fim, mas perde a comparação com os títulos novos, que passam a pagar mais. Se precisar vender antes, o prejuízo pode ser real, porque o preço de mercado do título já caiu para refletir a alta dos juros.

Cenário Efeito no Tesouro Prefixado
Juros sobem depois da compra Título perde valor de mercado até o vencimento
Juros caem depois da compra Título ganha valor de mercado, bom para quem quer vender antes
Investidor mantém até o vencimento Recebe exatamente a taxa contratada, independentemente da variação

Custos e impostos

Como qualquer título do Tesouro Nacional, o Tesouro Prefixado tem custos que reduzem o rendimento líquido:

  • taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano sobre o valor investido, calculada diariamente de forma proporcional e cobrada apenas no vencimento, na venda antecipada ou no pagamento de juros semestrais da NTN-F, o que ocorrer primeiro;
  • taxa de administração, cobrada por algumas instituições financeiras e isenta em outras;
  • Imposto de Renda regressivo sobre o rendimento, de 22,5% para resgates em até 180 dias até 15% para prazos acima de 720 dias;
  • IOF sobre o rendimento, cobrado apenas em resgates feitos nos primeiros 30 dias, com alíquota decrescente até zerar.

Quando o Tesouro Prefixado costuma fazer sentido

Ele tende a ser mais interessante para quem tem um objetivo com data definida e pode deixar o dinheiro parado até lá, como uma reserva para um projeto específico daqui a alguns anos. Também costuma atrair quem acredita que os juros vão cair no período, porque travar uma taxa alta hoje garante esse retorno mesmo que a Selic recue depois.

Já para quem pode precisar do dinheiro antes do prazo, ou não tem certeza da data de resgate, o Tesouro Prefixado expõe o investidor à marcação a mercado numa hora ruim, exatamente quando os juros costumam estar mais altos por causa de alguma instabilidade. Nesses casos, títulos pós-fixados como o Tesouro Selic tendem a ser mais adequados, porque sofrem menos com essa oscilação.



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Redação A Notícia 24H.