Sob pressão financeira, Dolce & Gabbana negocia dívida e busca levantar caixa
A Dolce & Gabbana está buscando levantar dinheiro com operações fora de seu negócio principal, enquanto negocia com os bancos as condições de sua dívida em meio à fraqueza da demanda por produtos de luxo. A Dolce & Gabbana Holding, empresa que controla a grife de moda e a divisão de beleza, conseguiu com os...
A Dolce & Gabbana está buscando levantar dinheiro com operações fora de seu negócio principal, enquanto negocia com os bancos as condições de sua dívida em meio à fraqueza da demanda por produtos de luxo.
A Dolce & Gabbana Holding, empresa que controla a grife de moda e a divisão de beleza, conseguiu com os bancos uma dispensa temporária de algumas exigências previstas nos contratos de dívida. O acordo é válido até 31 de março de 2028.
Em troca, a empresa terá de concluir, até o fim de junho de 2027, uma série de operações para reforçar o caixa. Entre as alternativas está a venda de imóveis, incluindo propriedades no centro de Milão, seguida pelo aluguel dos mesmos imóveis. A operação permitiria à empresa transformar os imóveis em dinheiro sem deixar de utilizá-los.
Segundo um documento divulgado pela companhia, essas operações estão “em estágio avançado de negociação”.
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A empresa também terá de manter sua dívida abaixo de um limite equivalente a três vezes seu lucro, a partir de março de 2028. Essa é uma das condições acordadas com os bancos.
Dívida aumenta e lucro cai
A situação financeira da Dolce & Gabbana piorou no último ano fiscal, encerrado em 31 de março. A dívida da holding subiu para cerca de € 465 milhões (US$ 542 milhões), ante aproximadamente € 380 milhões no ano anterior.
A dívida da Dolce & Gabbana Holding subiu para cerca de US$ 542 milhões, ante aproximadamente US$ 443 milhões no ano anterior. Ao mesmo tempo, a receita caiu de US$ 2,22 bilhões para US$ 2,18 bilhões. O Ebitda (indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou de cerca de US$ 35 milhões para US$ 11,7 milhões.
Em abril, a Dolce & Gabbana recebeu US$ 175,5 milhões da EssilorLuxottica SA após estender até 2050 um contrato de licenciamento já existente. Um representante da Dolce & Gabbana não quis comentar.
Mudanças na administração
A grife também passou por mudanças na administração enquanto negocia com os credores.
O cofundador Stefano Gabbana deixou o cargo de presidente neste ano e avalia o que fazer com sua participação de aproximadamente 40% na empresa, segundo a Bloomberg. A companhia afirmou em abril que a saída não afeta sua atuação na área criativa.
A Dolce & Gabbana também nomeou Stefano Cantino, ex-chefe da Gucci, como co-CEO ao lado de Alfonso Dolce, irmão do cofundador Domenico.
Gabbana e Domenico Dolce fundaram a empresa em 1985 e transformaram a grife em uma das marcas de moda mais conhecidas do mundo. Os dois encerraram o relacionamento há mais de 20 anos, mas continuam sócios.
Eles são coproprietários de uma holding que controla 80% da Dolce & Gabbana. Os outros 20% pertencem separadamente a Domenico, Alfonso e à irmã Dorotea.