A Shein levantou HK$ 13,6 bilhões (US$ 1,7 bilhão) após definir o preço de sua oferta pública inicial de ações em Hong Kong, segundo pessoas a par do assunto, aproximando a varejista de fast fashion do fim de sua longa jornada para abrir o capital.
A empresa vendeu cerca de 280 milhões de ações a HK$ 48,56 cada, pouco acima do ponto médio da faixa indicativa, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas porque o assunto é privado. O preço avalia a Shein em pouco mais de US$ 26 bilhões, ante cerca de US$ 100 bilhões quatro anos atrás.
A Shein havia estabelecido uma faixa de HK$ 47,60 a HK$ 49,50 por ação para o IPO. Os papéis devem começar a ser negociados em 1º de setembro.
Um representante da Shein não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
Fundada na China continental e atualmente sediada em Singapura, a Shein abandonou tentativas anteriores de abrir o capital nos EUA e no Reino Unido devido ao escrutínio regulatório. O crescimento da empresa desacelerou acentuadamente por causa das tarifas, enquanto a intensificação da concorrência com a Temu, da PDD Holdings, em mercados importantes, entre eles EUA e Europa, também afetou os negócios.
O prospecto da varejista mostra que a empresa registrou prejuízo de US$ 99 milhões no primeiro trimestre de 2026, ante lucro de US$ 395 milhões no mesmo período do ano anterior, enquanto o crescimento da receita também vem desacelerando.
A Shein recorreu fortemente aos investidores que já detinham participação na empresa para viabilizar o IPO. Eles representam cinco dos sete investidores-âncora da oferta e também deveriam ficar com até metade das ações destinadas a gestores de fundos, segundo noticiou a Bloomberg News.
A Shein construiu seu império da moda oferecendo roupas extremamente baratas e ditadas por tendências, modelo que incentivou consumidores a fazer compras frequentes em grandes quantidades, conhecidas como “hauls”, e publicá-las nas redes sociais. A fórmula passou a enfrentar pressão porque as tarifas dos EUA e a guerra no Oriente Médio elevaram os custos de materiais e os preços para os consumidores.
Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan são coordenadores conjuntos do IPO da Shein.
