A diferença entre os cargos que têm segundo turno e os que não têm vem do sistema eleitoral usado para eleger cada um. Presidente, governador e prefeito de cidade grande seguem o sistema majoritário de dois turnos, que exige maioria absoluta dos votos válidos.
Senadores e prefeitos de municípios menores também são eleitos por sistema majoritário, mas de turno único, bastando a maioria relativa. Já deputados e vereadores são eleitos pelo sistema proporcional, no qual as vagas são distribuídas entre partidos e coligações conforme o total de votos recebidos, e não há segundo turno nesse caso.
Como funciona a maioria absoluta
Para ser eleito já no primeiro turno, o candidato ao Executivo precisa obter mais de 50% dos votos válidos, descontados os votos brancos e nulos. Se nenhum nome atinge essa marca, os dois candidatos mais votados avançam para o segundo turno. Vence, então, quem obtiver a maioria dos votos válidos nessa segunda rodada, ainda que o percentual fique abaixo dos 50%.
Com o grande número de candidatos que costuma disputar o Planalto, dificilmente um nome sozinho ultrapassa a marca dos 50% logo no primeiro turno. Não à toa, desde a redemocratização, sete das nove eleições presidenciais foram decididas apenas no segundo turno, ficando de fora só 1994 e 1998, quando Fernando Henrique Cardoso venceu de cara.
Nas eleições municipais o padrão é o oposto. Como o segundo turno só se aplica a cidades com mais de 200 mil eleitores, a maioria dos municípios brasileiros decide a prefeitura em turno único. Na última eleição municipal, em 2024, só 51 das 5.569 cidades que foram às urnas precisaram de uma segunda votação, entre elas 15 capitais, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
E se um candidato desistir ou morrer antes do segundo turno
A Constituição também prevê o que acontece nesses casos. Quem assume a vaga é o candidato remanescente mais votado no primeiro turno, ou seja, o terceiro colocado. A regra garante que a disputa final continue obedecendo ao critério de maioria absoluta, mesmo com a mudança nos nomes em disputa.
Por dentro das datas das eleições 2026
O primeiro turno das eleições gerais deste ano está marcado para 4 de outubro, quando o eleitor escolhe presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais ou distritais.
Se houver segundo turno nas disputas pelo Executivo, a votação ocorre em 25 de outubro, três semanas depois, também um domingo. Quem não votou no primeiro turno pode e deve comparecer ao segundo, já que a Justiça Eleitoral trata cada etapa como um pleito independente para fins de comparecimento às urnas.
Depois da eleição, o calendário segue com a diplomação dos eleitos e a posse. Em razão da Emenda Constitucional 111/2021, a partir de 2027, o presidente eleito toma posse em 5 de janeiro, e os governadores, no dia seguinte.
Resumo rápido
- Segundo turno só existe para presidente, governador e prefeito de cidade com mais de 200 mil eleitores
- É necessário quando nenhum candidato atinge mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno
- Disputam a segunda etapa apenas os dois mais votados na primeira
- Se um dos dois finalistas sair da disputa, assume o terceiro colocado
- Desde a redemocratização, sete das nove eleições presidenciais foram para segundo turno
- Em 2026, o primeiro turno é em 4 de outubro e o eventual segundo turno, em 25 de outubro
