Sem a primeira alternativa, as aquisições ganham peso. É nesse contexto que a Yduqs aparece como um alvo capaz não apenas de acrescentar escala em medicina mas também de diversificar as fontes de receita da Afya.
Nesta segunda-feira (24), Yduqs e Afya confirmaram as conversas, mas afirmaram que elas ainda estão em estágio inicial. Não há acordo, contrato ou compromisso vinculante – nem garantia de que as negociações resultarão em uma transação.
R$ 10 bilhões em receita
A Afya construiu sua estratégia em torno da jornada do médico. O negócio começa na graduação, um curso de alto tíquete, baixa evasão e seis anos de duração, e continua com preparação para residência, especializações, atualização profissional e ferramentas usadas na prática médica.
No primeiro semestre deste ano, 85% da receita de graduação da Afya veio dos cursos de medicina. As escolas médicas geraram R$ 1,5 bilhão, pouco mais de três quartos dos R$ 1,98 bilhão faturados pelo grupo no período.
A Yduqs ofereceria uma combinação diferente. Dona da Estácio, da Wyden e do Ibmec, a companhia tem uma operação muito maior no ensino superior de massa, presencial e digital. Ao mesmo tempo, já possui um braço médico relevante, o IDOMED.
O IDOMED reúne 18 escolas, cerca de 2.120 vagas anuais autorizadas e 13 mil estudantes de Medicina. No primeiro semestre, gerou R$ 694 milhões em receita e R$ 343 milhões em resultado operacional (Ebitda), com margem de 49%. A vertical respondeu por 23% da receita da Yduqs e por 35% do Ebitda ajustado.
Somadas, Afya e Yduqs tiveram receita de R$ 4,97 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 1,89 bilhão neste primeiro semestre. Em uma anualização simples, a empresa resultante se aproximaria de R$ 10 bilhões em faturamento e R$ 3,8 bilhões em Ebitda, antes de eventuais sinergias e dos custos de integração.
Na medicina, a combinação reuniria aproximadamente 50 escolas, 5.888 vagas anuais e 39,4 mil alunos. O tamanho também tornaria a análise do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) uma das etapas centrais da operação, especialmente nos municípios em que as duas redes já concorrem.
Solução para Yduqs
Para a Yduqs, a aproximação com a Afya é mais um capítulo de uma história de negociações que nunca chegaram ao fim.
Em 2017, a Kroton – atual Cogna – tentou comprar a Estácio, antigo nome da Yduqs. A operação reuniria as duas maiores instituições privadas de ensino superior do país, mas foi vetada pelo Cade por riscos à concorrência nos cursos presenciais e a distância.
As conversas entre Cogna e Yduqs voltaram a aparecer no mercado em 2024. No ano seguinte, os presidentes dos conselhos das duas companhias chegaram a se reunir, segundo informações publicadas pela imprensa, mas novamente não houve acordo.
A Yduqs não tem acionista controlador definido e possui 90,43% das ações em circulação. Seu maior acionista é o Rose FIP, veículo de investimento ligado à gestora americana Advent International, com 15,83% do capital. Constituído em 2017, o fundo já carrega o investimento há nove anos, um prazo longo para os padrões do private equity.
A família Zaher aparece em seguida, com 14,35%, e a gestora Amundi possui outros 5,06%. Para parte dessa base acionária, uma combinação poderia destravar valor e criar uma oportunidade de liquidez em condições melhores do que a venda de grandes blocos de ações no mercado.
