Pelo novo arranjo, Paulo Moll, filho de Jorge e atual CEO da companhia, terá poderes especiais de aprovação nas decisões do bloco controlador caso o pai morra ou fique permanentemente incapacitado e deixe de poder exercer seus direitos de voto.
Analistas do JPMorgan avaliaram o anúncio como ligeiramente positivo. Para o banco, a extensão do prazo do acordo e a definição das regras de sucessão reforçam o compromisso de longo prazo da família com a companhia e dão maior clareza sobre a continuidade do controle.
O anúncio ocorre após movimentos recentes de redução de participações por investidores institucionais, como a venda de 62 milhões de ações da Rede D’Or (uma fatia de 2,8%) pela gestora soberana de Singapura GIC, em abril de 2026.
Quem são Jorge Moll e Paulo Moll
Jorge Moll, de 80 anos, é médico cardiologista e fundador da Rede D’Or. Em 1977, após trabalhar em centros de terapia intensiva de hospitais do Rio de Janeiro, criou um negócio de medicina diagnóstica que deu origem à companhia.
A empresa começou com exames de diagnóstico por imagem e se expandiu ao longo das décadas seguintes, primeiro com unidades de medicina diagnóstica e depois com a entrada no mercado hospitalar.
O primeiro hospital da rede, o Barra D’Or, foi inaugurado em 1998. A partir daí, a companhia ampliou sua presença por meio da abertura de unidades e, principalmente, da aquisição de hospitais em operação.
A compra do grupo São Luiz, em 2010, fortaleceu a presença em São Paulo. Em 2020, a Rede D’Or abriu capital na B3. Jorge Moll deixou o cargo de CEO em 2014 e passou a presidir o conselho de administração.
Paulo Moll, filho do fundador, é formado em economia pelo Ibmec e ingressou na companhia em 2001. Ao longo da carreira, assumiu responsabilidades na operação até chegar ao cargo de CEO, posição em que conduz a gestão dos negócios.
A presença da família na companhia vai além de Jorge e Paulo Moll. Pedro Junqueira Moll, formado em administração de empresas e com MBA em gestão de saúde, integra o conselho de administração da Rede D’Or desde 2010.
André Francisco Junqueira Moll, médico com especialização em radiologia, também faz parte do conselho e atua como diretor da Oncologia D’Or, braço do grupo dedicado ao diagnóstico e tratamento do câncer.
Já Fernanda Freire Tovar Moll, médica com mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, integra o conselho e preside o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), instituição voltada à pesquisa científica e à formação de profissionais da área da saúde.
A presença de outros integrantes da família na estrutura de governança ajuda a contextualizar o acordo que estabelece regras para a sucessão e para as decisões do grupo controlador.
A Rede D’Or reúne hospitais conhecidos, como Copa D’Or e Quinta D’Or, no Rio de Janeiro, e unidades da marca São Luiz, em São Paulo. O grupo também atua em oncologia e saúde suplementar, por meio da SulAmérica, adquirida em 2022.
No primeiro semestre de 2026, a Rede D’Or registrou receita líquida de R$ 57,1 bilhões, ante R$ 54,2 bilhões no mesmo período de 2025. O lucro acumulado até junho foi de R$ 4,79 bilhões.
A rede operava 76 hospitais, sendo 73 próprios e três administrados, mais 65 clínicas oncológicas.
A expansão da Rede D’Or ocorreu principalmente por meio da aquisição de hospitais em funcionamento. Entre as principais operações estão a compra do grupo São Luiz, em 2010; do Hospital São Rafael, na Bahia, e do Hospital UDI, no Maranhão, em 2018; e dos hospitais Aliança, em Salvador, e São Carlos, em Fortaleza, em 2020. Em 2021, a rede também adquiriu unidades como o Biocor, em Minas Gerais, e o Proncor, em Mato Grosso do Sul.
Sucessão na Rede D’Or
Pelos acordos, as decisões do bloco controlador seguirão, em geral, o critério de maioria simples dos votos nas reuniões pertinentes. Jorge Moll mantém poderes especiais de decisão enquanto puder exercer seus direitos de voto.
Caso Jorge deixe de exercer seus direitos de voto, Paulo terá poderes especiais para aprovar decisões do bloco controlador. Isso significa que, além de continuar na liderança executiva da Rede D’Or como CEO ou assumir a presidência do conselho de administração, Paulo terá um papel específico nas decisões tomadas pela família na condição de acionista controladora.
As regras dão a Paulo uma posição diferenciada na governança familiar, mas não significam que ele passará a decidir sozinho sobre todos os assuntos da companhia. As demais decisões continuarão sujeitas às regras previstas nos acordos de acionistas.
Se Paulo também morrer ou ficar permanentemente incapacitado, as decisões voltarão a seguir o mecanismo de maioria simples, sem que os mesmos poderes especiais sejam concedidos a outro integrante da família.
O BTG Pactual também avaliou positivamente a atualização dos acordos. Para o banco, as regras ajudam a reduzir incertezas relacionadas à sucessão, preservam a coesão do grupo controlador e favorecem a continuidade das decisões estratégicas no longo prazo.
Além das disposições sobre sucessão, os documentos estabelecem restrições à transferência de ações, direitos de preferência na aquisição de papéis e mecanismos que permitem a outros integrantes do bloco controlador participar de determinadas operações de venda.
Os acordos também exigem que os acionistas da família exerçam seus direitos de voto de forma coordenada e contemplam herdeiros e sucessores dos atuais acionistas, com o objetivo de preservar a unidade do grupo controlador entre gerações.
