Economia

R$ 600 milhões em jogo: por que o mercado reagiu mal ao acordo da Ânima com o Einstein

O mercado reagiu mal ao anúncio de que a Ânima fechou um acordo para usar a marca do Hospital Albert Einstein, um dos mais prestigiados do país, e receber consultoria acadêmica em seus 15 cursos de medicina ao longo dos próximos 20 anos. Nesta terça-feira (20), as ações da Ânima fecharam em queda de 9%....

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O mercado reagiu mal ao anúncio de que a Ânima fechou um acordo para usar a marca do Hospital Albert Einstein, um dos mais prestigiados do país, e receber consultoria acadêmica em seus 15 cursos de medicina ao longo dos próximos 20 anos.

Nesta terça-feira (20), as ações da Ânima fecharam em queda de 9%.

A principal preocupação dos analistas é o custo da parceria e a incerteza sobre quanto ela poderá acrescentar à receita e ao lucro da empresa.

Na segunda (19), a Ânima anunciou que pagará inicialmente R$ 150 milhões ao Einstein. Mas esse valor não inclui as comissões e outros pagamentos previstos no contrato. Considerando essas despesas, o BTG Pactual estima que o acordo pode custar mais de R$ 600 milhões em valores de hoje.

Isso porque, além dos R$ 150 milhões, o Einstein terá direito a 6% da receita dos alunos que ingressarem nos cursos de medicina da Ânima a partir da assinatura do acordo.

Esse pagamento vai crescer conforme novas turmas entrarem nas faculdades. A Inspirali, braço de medicina da Ânima, faturou R$ 1,5 bilhão em 2025. Com base nesse valor, o BTG calcula que a comissão poderá superar R$ 90 milhões por ano quando todos os estudantes estiverem sujeitos às novas condições.

O contrato também prevê pagamentos adicionais entre 2027 e 2036, caso as comissões não atinjam determinados valores.

A preocupação com os gastos ocorre em um momento em que a Ânima ainda tenta reduzir suas dívidas. O BTG estima que a dívida líquida da companhia chegará a R$ 4,1 bilhões neste ano.

Em julho, o banco já havia questionado a compra da FMU pela Ânima, por considerar que a aquisição poderia prejudicar a geração de caixa e o pagamento de dividendos. Agora, vê a parceria com o Einstein como mais um investimento elevado cujo retorno ainda é incerto.

A XP também questiona se essa conta vai fechar. Segundo o banco, a Ânima precisaria aumentar suas mensalidades médias em cerca de 10% acima do que já estava previsto para 2027 para compensar os custos da parceria.



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Redação A Notícia 24H.