Na primeira onda de valorização, o gatilho veio da visão de juros mais baixos em meio à perspectiva de troca de governo. Isso porque no entendimento do mercado uma nova administração teria mais chances de implementar um ajuste fiscal que afeta positivamente a trajetória da dívida.
“Cada corte de 1 ponto percentual na curva de juros aumenta em 11% o lucro por ação estimado da Magalu”, avaliam analistas do Itaú BBA.
O time de analistas do banco de investimento acrescentou ainda outras variáveis com potencial de trazer ganhos a companhia.
“Em paralelo, as dificuldades de um dos principais concorrentes, a Casas Bahia, e a entrada do Magalu em marketplaces devem beneficiar diretamente receitas e lucros, no qual estimamos impacto positivo de R$ 7,5 bilhões nas vendas em 2027 e de R$ 300 milhões no lucro.”
A própria rede vê espaço para capturar fatias de mercado abertas pelo fechamento contínuo de lojas da Casas Bahia no varejo físico.
O Itaú BBA também subiu a recomendação para “compra” e elevou o preço-alvo no fim de 2027 de R$ 10 para R$ 16.
Mais canais de distribuição
Em meio à reprecificação das ações, ocorreu um segundo fator favorável: o acordo fechado pela rede varejista com a Shopee, anunciado em 15 de outubro.
Após o acerto, o BTG Pactual subiu a recomendação de Magalu para “compra” e elevou o preço-alvo em 12 meses para R$ 12.
Analistas do BTG Pactual enxergam ganhos com a estratégia do Magalu de transformar concorrentes em canais de distribuições para seu estoque.
“Depois de selar acordos com o AliExpress em 2024, a Amazon em junho e o Mercado Livre em setembro, a varejista brasileira agora passa a oferecer o sortimento do Magalu e do KaBuM! dentro da seção de lojas oficiais da Shoppe, que reúne cerca de 90 milhões de visitantes mensais no Brasil.”
A expectativa da rede brasileira é de atrair mais de 75% de consumidores novos pelo canal da plataforma asiática. Conforme o Itaú BBA, essa expectativa repetiria o padrão já observado nos acordos com a Amazon e o Mercado Livre.
Ecossistema também ajuda
Os investidores passaram ainda a considerar o peso do próprio ecossistema da rede de varejo como um ponto de diferenciação. O aplicativo, por exemplo, soma mais de 50 milhões de usuários ativos mensais.
Para os analistas do BTG, um virada estratégica importante vem da perspectiva de a companhia “deixar de lado a ambição de ser um marketplace generalista para se reposicionar como um polo focado em casa e tecnologia”.
O grupo ainda combina marcas de nicho, como o KaBuM! no segmento gamer e a Netshoes em artigos esportivos.
Logística ganha espaço
Um dos principais beneficiários dessa engrenagem tende a ser a divisão de logística, a Magalog. Sob as regras do acordo, o Magalu preserva a responsabilidade por toda a logística por meio de sua plataforma própria, o que permite capturar volume adicional de entregas, organizar as rotas e o custo por envio.
O ganho de escala é especialmente crítico nas categorias pesadas, como refrigeradores e móveis, em que a infraestrutura logística funciona como barreira competitiva e os fretes afetam diretamente a margem de contribuição.
Os clientes que compram nos parceiros já respondem por mais de 30% da receita da Magalog.
O momento Magalu se ancora ainda na proximidade das principais datas de compras no ano. As vendas digitais no quarto trimestre vão surfar o calendário aquecido com o 11.11, a Black Friday e o Natal.
