A divisão, no entanto, não precisa ser sempre igual. A Fundação Nobel permite que o prêmio seja repartido em proporções diferentes, conforme o reconhecimento atribuído às contribuições contempladas.
Como o valor do Nobel mudou?
O primeiro Prêmio Nobel, em 1901, tinha valor de 150.782 coroas suecas por categoria. A recompensa chegou a 6 milhões de coroas em 1991 e subiu para 10 milhões em 2001.
Essa trajetória não foi linear. Em 2012, a Fundação responsável pelo prêmio reduziu o prêmio de 10 milhões para 8 milhões de coroas, corte de 20%. A medida fez parte de uma estratégia para fortalecer as finanças da instituição e preservar o patrimônio necessário à manutenção da premiação ao longo do tempo.
Depois disso, o valor voltou a subir gradualmente: 9 milhões de coroas em 2017, 10 milhões em 2020, 11 milhões em 2023 e, agora, 12 milhões em 2026.
O histórico mostra que a recompensa do Nobel não é reajustada automaticamente todos os anos. Ela depende das condições financeiras e das decisões de gestão da Fundação responsável pelo prêmio.
De onde vem o dinheiro do Nobel?
A origem financeira do valor está no testamento de Alfred Nobel, inventor, engenheiro, químico e empresário sueco conhecido pela invenção da dinamite. Ele nasceu em 1833, morreu em 1896 e assinou seu último testamento em Paris, em 27 de novembro de 1895.
No documento, Nobel determinou que a maior parte de sua fortuna fosse destinada à criação de um fundo permanente para financiar premiações anuais a pessoas que tivessem contribuído de maneira relevante para a humanidade. As cinco áreas originais eram Física, Química, Fisiologia ou Medicina, Literatura e Paz.
A fortuna deixada era de mais de 31 milhões de coroas suecas. Segundo a Fundação responsável pelo prêmio, esse valor equivale hoje a aproximadamente 2,2 bilhões de coroas suecas.
O dinheiro usado nas cinco categorias originais vem do patrimônio administrado pela Fundação Nobel. Os recursos herdados foram investidos, e a Fundação foi criada em 1900 para administrar esse patrimônio e garantir a continuidade do projeto.
Hoje, os investimentos vão além dos títulos conservadores originalmente imaginados por Nobel. A Fundação mantém uma carteira diversificada, com ações, renda fixa, imóveis, infraestrutura e investimentos alternativos.
O objetivo é equilibrar o pagamento dos prêmios e das despesas da instituição com a preservação do patrimônio no longo prazo. No fim de 2025, o capital total investido da Fundação responsável pelo prêmio somava 6,744 bilhões de coroas suecas, aproximadamente R$ 3,38 bilhões pela cotação recente.
O que acontece se alguém recusar o Nobel?
Os estatutos da Fundação Nobel também definem o destino do dinheiro quando um laureado não aceita a premiação. Se o vencedor recusar o prêmio, o valor correspondente é incorporado aos fundos patrimoniais restritos da Fundação.
A mesma regra vale quando o laureado não resgata o pagamento até 1º de outubro do ano seguinte. Com isso, o dinheiro não é redistribuído automaticamente entre os demais vencedores nem vira uma premiação extra.
A recusa também não apaga o nome da pessoa dos registros históricos como laureada. Dois casos voluntários são os mais conhecidos. O filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre recusou o Nobel de Literatura de 1964, seguindo sua posição contrária à aceitação de honrarias oficiais.
Em 1973, o político e diplomata vietnamita Lê Đức Thọ recusou o Nobel da Paz, que dividiria com Henry Kissinger, alegando que a situação no Vietnã não permitia aceitar a premiação.
