Economia

Quem quer ser presidente dos EUA em 2028? Movimentos antes das eleições de meio de mandato dão pistas

A disputa pela Presidência dos Estados Unidos em 2028 já começa a movimentar políticos dos partidos Democrata e Republicano. Embora ninguém tenha anunciado oficialmente uma candidatura, nomes conhecidos da política americana intensificaram viagens, participações em eventos partidários, arrecadação de recursos e articulações que podem indicar uma preparação para a corrida pela Casa Branca. As eleições...

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A disputa pela Presidência dos Estados Unidos em 2028 já começa a movimentar políticos dos partidos Democrata e Republicano. Embora ninguém tenha anunciado oficialmente uma candidatura, nomes conhecidos da política americana intensificaram viagens, participações em eventos partidários, arrecadação de recursos e articulações que podem indicar uma preparação para a corrida pela Casa Branca.

As eleições legislativas de meio de mandato (as chamadas midterms), marcadas para 2026, funcionam como uma espécie de campo de testes para esses possíveis candidatos. A campanha em apoio a outros políticos permite ampliar a exposição nacional, construir alianças e avaliar a receptividade do eleitorado a diferentes discursos.

Sem Trump

A eleição presidencial de 2028 terá uma particularidade: pela primeira vez desde 2016, não haverá um presidente em exercício concorrendo à reeleição. Donald Trump, que voltou ao poder em 2025, não poderá disputar um terceiro mandato.

Entre os democratas, há nomes de diferentes correntes do partido, desde representantes da ala progressista até governadores com perfil mais moderado. No campo republicano, o vice-presidente JD Vance aparece entre os principais nomes, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio e outros políticos também são mencionados nas especulações sobre a sucessão.

Os resultados das eleições de meio de mandato podem ajudar os partidos a identificar quais discursos têm maior receptividade entre os eleitores. Para os democratas, uma das questões é saber se haverá espaço para um candidato mais progressista ou se o eleitorado preferirá um nome de centro. Entre os republicanos, a dúvida é se o partido manterá a orientação política de Trump ou buscará uma mudança.

Quem são os possíveis candidatos democratas em 2028?

Kamala Harris, 61 anos — ex-vice-presidente

Kamala Harris continua entre os nomes mais conhecidos do Partido Democrata. Depois de perder a eleição presidencial de 2024 para Donald Trump, ela manteve um perfil mais discreto, mas preservou parte de sua equipe política e publicou um livro sobre os bastidores da campanha.

WASHINGTON, DC - 22 DE JULHO: A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, comparece à celebração do campeonato de equipes da NCAA no gramado sul da Casa Branca em 22 de julho de 2024 em Washington, DC. (Foto de Andrew Harnik/Getty Images)

A ex-vice-presidente decidiu não disputar o governo da Califórnia, apesar da pressão de aliados. Sua condição de antiga candidata presidencial e o reconhecimento nacional são fatores que a mantêm no radar para 2028. Harris também tem apoio expressivo entre eleitores negros e mulheres, grupos importantes para a base democrata.

Nos últimos meses, voltou a participar de eventos em apoio a candidatos do partido em estados como Michigan e Nevada, além de ter compromissos previstos na Geórgia, em Wisconsin e em New Hampshire.

Em participação no podcast de Keke Palmer, afirmou que ainda não decidiu se disputará novamente a Presidência. “Ainda não decidi. Vou decidir, prometo”, disse.

Gavin Newsom, 59 anos — governador da Califórnia

O governador da Califórnia se consolidou como um dos principais críticos de Trump. Em seu segundo mandato à frente do estado mais populoso dos Estados Unidos, Newsom ganhou projeção nacional ao liderar uma iniciativa para redesenhar os distritos eleitorais californianos em resposta a mudanças promovidas pelos republicanos no Texas.

Também ampliou sua presença nas redes sociais e lançou um podcast no qual conversa com figuras ligadas ao movimento MAGA, base política de Trump.

Na Califórnia, defendeu políticas de acesso ao aborto, controle de armas e combate às mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, enfrentou desafios relacionados a incêndios florestais, habitação e população em situação de rua.

Newsom participou de eventos de campanha em estados importantes, incluindo New Hampshire. Sobre uma eventual candidatura presidencial, afirmou que seus filhos terão influência na decisão. Também declarou que não entraria na disputa caso Kamala Harris concorra.

Alexandria Ocasio-Cortez, 37 anos — deputada por Nova York

Uma das principais representantes da ala progressista democrata, Alexandria Ocasio-Cortez ganhou projeção nacional desde que chegou ao Congresso, em 2019. É considerada uma importante arrecadadora de recursos e uma das parlamentares mais atuantes do partido.

Seu nome aparece nas especulações tanto para uma candidatura presidencial quanto para uma eventual disputa pelo Senado por Nova York.

Durante as eleições de meio de mandato, intensificou a campanha em apoio a Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan. A disputa é acompanhada por integrantes da ala progressista como um teste para avaliar a capacidade de candidatos de esquerda de vencer fora de distritos tradicionalmente liberais.

Ocasio-Cortez também tem utilizado as redes sociais para compartilhar aspectos de sua vida pessoal. Em entrevista ao New York Times, comentou sobre suas perspectivas políticas e afirmou que algumas oportunidades podem surgir apenas uma vez na carreira de um político.

Andy Beshear, 48 anos — governador de Kentucky

Governador democrata de um estado predominantemente republicano, Andy Beshear construiu uma imagem de político capaz de atrair eleitores de diferentes correntes partidárias.

Em 2026, percorreu estados como Nevada, Iowa, Kansas e Oklahoma para apoiar candidatos democratas, especialmente aqueles que disputam governos estaduais. Também trabalha para ampliar sua rede nacional de arrecadação de recursos e articulação política, construída durante sua passagem pela Associação dos Governadores Democratas.

Beshear lançou o livro Go and Do Likewise, sobre sua fé, e aproveitou a divulgação da obra para participar de eventos, programas de televisão e podcasts.

Em uma apresentação em Washington, admitiu que voltou a considerar uma candidatura. Depois de vencer a eleição para governador em 2023, acreditava que não disputaria mais cargos públicos. “Estando aqui hoje, já não tenho tanta certeza disso”, afirmou.

Ele disse que pretende tomar uma decisão definitiva depois de encerrar seu mandato à frente da associação, em dezembro.

Pete Buttigieg, 44 anos — ex-secretário de Transportes

Ex-secretário de Transportes e ex-prefeito de South Bend, em Indiana, Pete Buttigieg avalia uma segunda candidatura à indicação presidencial democrata.

Neste ciclo eleitoral, decidiu não disputar o Senado nem o governo de Michigan, estado onde passou a morar, e afirmou que gostaria de dedicar mais tempo ao marido e aos dois filhos.

Apesar disso, percorreu mais de 35 estados e participou pessoalmente de eventos em apoio a mais de 60 candidatos democratas. Entre os destinos de sua agenda estavam Virginia, Nova Jersey, Michigan e Geórgia.

Em entrevista à NBC, disse que ainda não era o momento de discutir uma candidatura presidencial. Também afirmou acreditar que os Estados Unidos estão preparados para eleger um presidente gay.

Rahm Emanuel, 66 anos — ex-embaixador dos EUA no Japão

Rahm Emanuel já ocupou diferentes posições na política americana: foi deputado, prefeito de Chicago, embaixador no Japão e chefe de gabinete da Casa Branca.

Nos últimos meses, voltou a ganhar espaço no debate político. Fez críticas ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e defendeu o fim do apoio incondicional dos Estados Unidos ao país. Também publicou um artigo no Wall Street Journal em defesa de uma reforma tributária para fechar brechas no sistema.

Desde 2025, tem participado de campanhas e eventos de arrecadação de recursos para democratas que disputam vagas na Câmara dos Representantes. Entre os estados visitados estão Michigan, Nevada, Iowa, Nebraska, Nova Jersey e New Hampshire.

Emanuel admitiu que considera disputar a Presidência e afirmou à Bloomberg que pretende tomar uma decisão até o fim de 2026.

Wes Moore, 48 anos — governador de Maryland

Wes Moore está em campanha pela reeleição em Maryland e tem se posicionado como crítico de Trump. Os dois trocaram acusações recentemente depois que o governador afirmou ter sido impedido pelo presidente de discursar em um evento sobre investimentos na indústria naval em Baltimore.

À frente da Associação Nacional de Governadores, Moore defende a diversificação da economia de Maryland para reduzir a dependência do governo federal. Também tem participado de campanhas democratas em estados como Michigan, Nevada e Carolina do Sul e destinado recursos a disputas estaduais e federais.

Questionado sobre 2028, afirmou estar concentrado na eleição atual, mas não descartou a possibilidade de disputar um cargo nacional.

Jon Ossoff, 39 anos — senador pela Geórgia

Jon Ossoff está no radar de observadores políticos por sua campanha à reeleição em um estado tradicionalmente conservador. Suas críticas a Trump e seus discursos contra a corrupção na política também ampliaram sua exposição nacional.

O senador, porém, tem negado que pretenda disputar a Presidência. Durante um debate recente, declarou ter “zero interesse” em concorrer e prometeu cumprir integralmente seu mandato de seis anos.

No Congresso, Ossoff tem defendido medidas relacionadas à ética pública. Entre elas, apresentou um projeto para proibir parlamentares e seus cônjuges de negociar ações na bolsa.

JB Pritzker, 61 anos — governador de Illinois

Bilionário e governador de Illinois, JB Pritzker se tornou um dos críticos mais conhecidos de Trump. Nos últimos dois anos, questionou as políticas de imigração e de relações exteriores do presidente e o classificou como autoritário.

Em campanha para conquistar um terceiro mandato, tem destacado medidas relacionadas ao custo de vida, como o aumento do salário mínimo.

Pritzker também destinou recursos a um comitê de ação política para apoiar candidatos democratas nas eleições de meio de mandato e participou de eventos pelo país.

O governador revelou ainda que utiliza um medicamento da classe GLP-1 para perder peso, informação que alimentou especulações sobre seus planos políticos. Sobre uma eventual candidatura presidencial, afirmou que qualquer decisão depois das eleições de 2026 levará em conta os interesses da população de Illinois.

Josh Shapiro, 53 anos — governador da Pensilvânia

Josh Shapiro é governador de um dos estados mais importantes para as eleições presidenciais americanas e busca a reeleição em 2026.

Ele tem destacado iniciativas nas áreas de educação e geração de empregos, além de anunciar investimentos no porto da Filadélfia.

Sua fé judaica também ocupa lugar importante em sua trajetória política. No ano passado, sua residência foi alvo de um ataque incendiário durante a celebração do Pessach, a Páscoa judaica.

O apoio de Shapiro a Israel, mesmo diante de críticas ao governo de Benjamin Netanyahu, provocou divergências com integrantes da ala mais à esquerda do Partido Democrata.

O governador também trabalha para conquistar quatro cadeiras republicanas na Câmara dos Representantes pela Pensilvânia e ampliar o controle democrata no governo estadual.

Quem são os possíveis candidatos republicanos em 2028?

JD Vance, 42 anos — vice-presidente dos Estados Unidos

JD Vance é apontado por integrantes do Partido Republicano como um dos principais nomes para suceder Trump. Natural de Ohio, passou apenas dois anos no Senado antes de assumir a vice-presidência em 2025.

Desde então, tornou-se um dos principais defensores do presidente e tem participado de viagens e eventos para apoiar candidatos republicanos. Antes das eleições de meio de mandato, esteve em estados como Michigan, Iowa, Flórida e Ohio.

Vance também tem promovido iniciativas de combate a fraudes e participado de ações para fortalecer candidatos do partido em disputas acirradas.

JD Vance foi ao Paquistão para negociações com representantes do Irã (Foto: Bloomberg por Pool/Getty Images AsiaPac)

Trump ainda não declarou apoio formal a uma eventual candidatura do vice. Em entrevista recente, Vance afirmou que existe a possibilidade de não concorrer à Presidência e disse que só tomará uma decisão depois das eleições de meio de mandato.

Marco Rubio, 55 anos — secretário de Estado

Marco Rubio já disputou a indicação republicana à Presidência em 2016, quando foi derrotado por Trump. Desde então, tornou-se um aliado próximo do presidente.

Além de comandar o Departamento de Estado, Rubio ocupa o cargo de conselheiro de Segurança Nacional. É a primeira pessoa desde Henry Kissinger a acumular as duas funções.

Embora alguns republicanos mais moderados vejam nele uma alternativa ao estilo político de Vance, Rubio ainda não demonstrou movimentos públicos em direção a uma candidatura.

Em entrevista à Bloomberg, afirmou que a Presidência não está em seus planos no momento. “Tenho dois cargos importantes. Eles ocupam todo o meu tempo, sete dias por semana”, disse.

Ted Cruz, 55 anos — senador pelo Texas

Ted Cruz disputou a indicação republicana em 2016 e venceu as primárias de Iowa, mas acabou derrotado por Trump. Na época, era um crítico do atual presidente, mas posteriormente se tornou um de seus aliados.

Durante as eleições de meio de mandato, tem participado de eventos para apoiar candidatos republicanos no Texas e em Iowa, em um momento em que o partido tenta manter a maioria no Senado.

Cruz também divulga o livro Going Further, sobre a trajetória do ministro da Suprema Corte Clarence Thomas.

Em entrevista recente ao canal MS NOW, afirmou que os republicanos ainda precisam decidir se apoiarão Vance em 2028 e que pretende participar dessa discussão.

Ron DeSantis, 48 anos — governador da Flórida

Ron DeSantis disputou a indicação republicana em 2024, depois de conquistar uma ampla vitória na eleição para governador da Flórida. Sua campanha presidencial, porém, não conseguiu se consolidar como alternativa a Trump, e ele deixou a disputa ainda no início do processo.

Desde então, concentrou sua atuação em pautas conservadoras no estado, como educação, imigração e aborto.

No segundo mandato como governador, DeSantis não poderá disputar a reeleição e deixará o cargo em janeiro. Até agora, não detalhou seus planos para depois de deixar o governo.

Tim Scott, 61 anos — senador pela Carolina do Sul

Tim Scott está no Senado desde 2013 e é o senador negro com mais tempo de serviço na história dos Estados Unidos. Antes, também foi deputado federal.

Ele disputou a indicação republicana para a Presidência em 2024, mas abandonou a campanha ainda no início, ao concluir que aquele não era o momento adequado para sua candidatura.

Atualmente, afirma que pretende buscar um terceiro mandato no Senado, mas continua participando de eventos de campanha e esteve ao lado de Trump nos últimos dias antes das eleições de meio de mandato.

Até agora, Scott não anunciou planos para disputar a Presidência em 2028.



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