Em fato relevante, a petroleira informou que avaliará os recursos prospectivos das áreas, localizadas no norte da Bacia de Campos. Eventuais descobertas poderão ser conectadas ao FPSO Valente, navio-plataforma instalado no campo de Frade.
A ligação, conhecida no setor como tieback, permite que poços de diferentes áreas utilizem uma mesma unidade de produção. A Prio já adotou essa solução no desenvolvimento de Wahoo, conectado à estrutura de Frade. A possibilidade de compartilhar instalações é um dos elementos da estratégia da companhia para viabilizar projetos e reduzir custos.
Nos novos blocos, porém, esse desenvolvimento depende dos resultados da exploração. O comunicado não apresenta estimativas de volumes recuperáveis nem um orçamento total para o investimento.
O programa exploratório mínimo prevê a aquisição de sísmica 3D, usada para estudar as estruturas do subsolo, e a posterior perfuração de poço exploratório. O prazo de execução é de até sete anos.
Valores
Do valor previsto em bônus de assinatura, R$ 93 milhões correspondem a Magnetita e R$ 1,6 milhão a Hematita. Esses pagamentos se somam aos gastos que a empresa terá com a exploração das áreas e, se houver descobertas comercialmente viáveis, com seu desenvolvimento.
No regime de partilha, os bônus são fixados no edital. A escolha dos vencedores depende do percentual de excedente em óleo oferecido à União. A Prio apresentou propostas de 32,80% para Magnetita e 7,18% para Hematita.
Esse excedente corresponde à parcela da produção que será repartida entre a União e a empresa depois de descontadas as parcelas relativas à recuperação de custos e aos royalties, conforme as regras contratuais.
A Prio já havia disputado uma área sob esse modelo em outubro de 2025. Na ocasião, ofereceu 22,42% de excedente em óleo pelo bloco Citrino, também na Bacia de Campos, mas perdeu para a Petrobras, que apresentou uma proposta de 31,19%, segundo registros da ANP.
A aquisição acontece em um momento de discussão sobre os caminhos de expansão das petroleiras independentes, conhecidas como junior oils.
Como mostrou o InvestNews, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia recolocar no radar a venda de campos maduros da Petrobras, na avaliação de Décio Oddone, ex-diretor-geral da ANP e ex-CEO da Brava Energia.
A compra de operações já produtoras ajudou empresas como a Prio a crescer no país. O negócio anunciado agora acrescenta áreas exploratórias ao portfólio, cujo potencial ainda precisará ser avaliado.
Pelo cronograma da ANP, a homologação do resultado do leilão está prevista até 18 de novembro. O prazo para pagamento dos bônus termina em 30 de dezembro, e a assinatura dos contratos de partilha deverá ocorrer até 26 de fevereiro de 2027.
Leilão
Ao todo, o leilão terminou com sete dos 13 blocos ofertados arrematados, somando R$ 530,5 milhões em bônus de assinatura e R$ 778,4 milhões em investimentos mínimos previstos na fase de exploração, segundo a ANP.
As outras seis áreas não receberam propostas, e nenhum dos blocos arrematados teve disputa entre ofertas concorrentes.
Além das duas áreas adquiridas pela Prio, a Petrobras arrematou Azurita, na Bacia de Campos, e Cruzeiro do Sul, na Bacia de Santos.
Também em Santos, o consórcio formado pelas chinesas CNOOC e Sinopec ficou com Jade. A norueguesa Equinor levou Rubi sozinha e, em parceria com a portuguesa Galp, arrematou Rodocrosita.
