A estratégia de maior exclusividade vem após erros caros na eletrificação e uma forte queda nas vendas na China, que no mês passado contribuiu para a Volkswagen reduzir sua projeção de resultados.
O CEO Michael Leiters alertou que a recuperação levará tempo e afirmou que, neste momento, a empresa está concentrada na redução de custos. No médio prazo, a Porsche prevê aumentar os preços de seus modelos mais exclusivos, oferecendo aos clientes materiais personalizados e recursos de alto desempenho.
O preço médio dos modelos mais sofisticados da Porsche deve superar € 330 mil (US$ 370.134) até o fim da década, ante cerca de € 270 mil neste ano, segundo a apresentação da empresa.
“A prioridade é fortalecer ainda mais nossa marca única de carros esportivos em toda a linha, com modelos novos e desejáveis em segmentos especialmente rentáveis”, disse Leiters durante uma coletiva de imprensa em Stuttgart.
As ações da Porsche operavam praticamente estáveis às 13h49 em Frankfurt, depois de terem chegado a subir 5,1%. Os papéis acumulam queda de 6,7% desde o início do ano.
Supercarros
A empresa também detalhou planos para criar uma linha de veículos acima do 911, o que levaria a Porsche de volta ao segmento de supercarros pela primeira vez desde o lançamento do 918 Spyder, de produção limitada, em 2013. O novo modelo terá motor central, configuração que pode melhorar a distribuição de peso e a dirigibilidade. A expansão aproximaria a Porsche da Ferrari, que também oferece carros esportivos e modelos de gran turismo.
A Porsche também pretende aumentar a receita da Manthey, especialista em automobilismo com sede no circuito de Nürburgring, na Alemanha, elevando sua participação na empresa de 51% para 67%. A Manthey desenvolve melhorias para carros de rua voltadas ao uso em pistas, incluindo suspensão, freios, rodas leves e componentes aerodinâmicos.
Uma oferta maior de produtos desenvolvidos em conjunto permitirá à Porsche aumentar as vendas com itens especiais, em vez de depender de um aumento no volume de veículos vendidos.
A reformulação tem como objetivo preparar a Porsche para a manutenção das tarifas dos Estados Unidos e para um mercado chinês que dificilmente voltará ao tamanho que tinha no passado. As mudanças na linha de modelos virão depois de cortes profundos de custos, incluindo planos já aprovados para reduzir a força de trabalho em mais de um quinto e o número de cargos de gestão em 40%.
“No momento, o principal foco é reduzir custos e tornar a empresa financeiramente mais sólida”, disse Leiters. A Porsche precisa primeiro “colocar a casa em ordem” antes de avançar para modelos mais sofisticados, afirmou.
A Porsche busca recuperar a capacidade de gerar lucro que no passado a tornou uma das montadoras mais rentáveis da Europa. A empresa tem como meta uma margem operacional de 10% a 15% no médio prazo, com objetivo de longo prazo de 15%, depois que custos de reestruturação, tarifas e demanda mais fraca reduziram essa margem para apenas 1,1% no ano passado.
A deterioração dos negócios provocou baixas contábeis de bilhões de euros na Volkswagen e reduziu os dividendos pagos à Porsche SE, holding de investimentos controlada pela bilionária família Porsche-Piëch. A recuperação da rentabilidade da Audi e da Porsche é fundamental para a maior montadora da Europa financiar investimentos futuros e acompanhar a concorrência crescente e o avanço de novas tecnologias.
A geração de caixa também deve se recuperar de forma significativa, com a Porsche mirando uma margem de fluxo de caixa líquido automotivo de até 12%. A empresa já apresentou alguma recuperação, com margem operacional de 7,8% no primeiro semestre deste ano.
A Porsche, que entregou pouco menos de 280 mil veículos no ano passado, também está encerrando e vendendo negócios considerados não essenciais, como sua participação em um grupo que controla a fabricante de supercarros Bugatti. Acordos firmados com representantes dos funcionários no início deste ano devem reduzir a força de trabalho em 9 mil postos.
A empresa também pretende reduzir para cerca de 200 mil veículos o volume anual necessário para atingir o ponto de equilíbrio, por meio de cortes de custos, incluindo uma redução de aproximadamente 20% nos gastos com desenvolvimento, segundo apresentações divulgadas antes do dia do mercado de capitais.
Leiters não revelou o atual ponto de equilíbrio, mas afirmou que a empresa está preparada para uma produção maior, tendo atingido um pico de aproximadamente 330 mil veículos em 2023.
A Volkswagen também está reduzindo sua estrutura de produção, com um plano para cortar 100 mil postos de trabalho, principalmente na Alemanha. Mercedes-Benz e BMW também estão revendo suas metas de rentabilidade.
