Nos próximos dois anos, o Google construirá três novos data centers e ampliará uma instalação já existente na cidade de Hamina, no sudeste do país, informou a empresa em comunicado nesta quarta-feira. O anúncio fez as ações de empresas locais beneficiadas, como Fortum Oyj e Nokia Oyj, subirem e impulsionou uma alta no mercado acionário finlandês.
A iniciativa do Google faz parte de uma expansão em larga escala da capacidade de computação no país nórdico, somando-se a cerca de € 43 bilhões (US$ 50 bilhões) em projetos que estão sendo planejados ou executados.
A empresa tem 15 anos de experiência operando centros de servidores no país nórdico, onde os data centers geralmente funcionam de forma mais sustentável do que na maioria dos outros lugares do planeta.
Menos água e mais energia
Os data centers na Finlândia utilizam menos água e mais energia renovável do que em qualquer outro país da União Europeia e ficam em segundo lugar em eficiência no uso de energia e capacidade de reutilizá-la, segundo um relatório de 2025 encomendado pelo braço executivo do bloco que, pela primeira vez, mapeou a sustentabilidade do setor de data centers.
O investimento na Finlândia faz parte dos esforços da Alphabet para ampliar sua capacidade de computação voltada à IA. A gigante do Vale do Silício elevou em julho sua previsão de investimentos para até US$ 205 bilhões neste ano, em uma corrida com concorrentes pelo domínio do mercado de inteligência artificial.
Os projetos na Finlândia não provocaram uma reação pública tão intensa quanto alguns dos locais propostos nos Estados Unidos ou em outras partes da Europa, onde preocupações com o uso de terras e recursos naturais e com os custos de energia atrasaram ou levaram ao cancelamento de projetos. Nos EUA, a contribuição dos data centers para o aumento das contas de eletricidade está se tornando uma questão importante nas próximas eleições de meio de mandato.
Cerca de 96% da eletricidade gerada na Finlândia vem de fontes livres de carbono, principalmente uma combinação de energia nuclear e renovável. O clima do país também reduz a necessidade de refrigeração, e muitas vezes o próprio ar é suficiente para realizar o trabalho.
Muitos data centers são construídos com sistemas de circuito fechado, que reduzem o desperdício de água, enquanto a unidade do Google em Hamina utiliza água do mar para resfriamento.
Além disso, o calor gerado pelos servidores pode ser capturado para aquecer residências em áreas atendidas por sistemas de aquecimento urbano.
A Microsoft está construindo um projeto desse tipo na região metropolitana de Helsinque que, quando estiver concluído, deverá fornecer aquecimento para cerca de 40% das residências de Espoo, a segunda maior cidade da Finlândia. Isso equivale a aproximadamente 100 mil casas.
Para a Finlândia, o investimento do Google representa um importante impulso enquanto o país tenta recuperar o crescimento econômico. O membro mais setentrional da zona do euro enfrenta uma demanda fraca, o colapso do comércio com a vizinha Rússia e os efeitos do aperto fiscal destinado a colocar as contas públicas sob controle. A taxa de desemprego ultrapassou 10%, a maior da União Europeia.
O Google planeja ampliar seu data center existente em Hamina e construir novas instalações em Kajaani, Muhos e Vaala.
Outras empresas que estão construindo, operando ou planejando data centers na Finlândia incluem Nscale, AtNorth Holding AB, Pure Data Centres Group, Nebius Group, DayOne Data Centers e Polarnode. Há tantos projetos que o governo está planejando uma lei que exigiria que os operadores registrassem seus data centers, para que as autoridades consigam acompanhar todos eles.
O anúncio de quarta-feira impulsionou as empresas locais que serão beneficiadas pelo projeto. O índice OMX Helsinki chegou a subir 1,6%, enquanto o índice europeu Stoxx 600 recuava 1,5%.
O Google estima que os projetos vão empregar 16 mil trabalhadores da construção civil, impulsionando as ações de empresas de infraestrutura listadas na Nasdaq Helsinki.
As ações da Fortum, que venderá ao Google metade da produção de sua usina nuclear de Loviisa, subiram mais de 14%, maior alta em quase quatro anos. A Nokia, fornecedora de infraestrutura de redes, avançou até 6%, enquanto a operadora de telecomunicações Elisa Oyj subiu até 2,7%. As empresas serão responsáveis por fornecer conectividade para os novos data centers.
Investimentos em energia
Os novos data centers serão construídos em Kajaani, Muhos e Vaala, na região norte do país, onde o Google já havia adquirido terrenos. Segundo a empresa, os locais foram escolhidos para aproveitar a infraestrutura existente da rede elétrica.
“Esses locais, em pontos de conexão fortes da rede, ajudam todo o sistema elétrico e garantem um desenvolvimento mais econômico da rede”, disse Asta Sihvonen-Punkka, presidente-executiva da operadora do sistema de transmissão Fingrid Oyj, no comunicado.
O Google informou que está ampliando a infraestrutura de energia que dará suporte aos projetos, com novos contratos de energia eólica e um sistema de baterias de 94 megawatts na unidade de Kajaani para ajudar a equilibrar a rede elétrica. Os data centers contarão com estrutura preparada para recuperação de calor.
A Fortum também anunciou um contrato de compra de energia de 22 anos com o Google, cobrindo o período de extensão da operação da usina de Loviisa. Entre 2030 e 2049, o acordo abrangerá 50% da capacidade da usina, que possui dois reatores, informou a Fortum.
