Outros setores, por outro lado, tiveram uma desaceleração significativa. A indústria, por exemplo, que havia contribuído com um avanço de 1% no primeiro trimestre, dessa vez registrou uma alta de apenas 0,1%.
Já os serviços saíram de um crescimento de 0,5% no início do ano para um avanço de 0,2%.
O consumo das famílias apresentou variação negativa: -0,4% em relação ao primeiro trimestre.
A queda no ritmo de crescimento da atividade vem em grande parte na esteira do alto patamar de endividamento tanto por parte das pessoas físicas quanto das empresas, somado ao custo elevado do crédito.
Com inadimplência crescente e juros básicos em dois dígitos há mais de quatro anos, o orçamento das famílias e as receitas dos negócios passam por um momento de aperto.
Esse cenário tem levado várias instituições financeiras a rever para baixo as expectativas de avanço do PIB. No boletim Focus, do Banco Central, que reúne projeções do mercado para juros, PIB, inflação e câmbio, a mediana das expectativas aponta para uma expansão de 1,92% neste ano.
“A composição [do PIB] foi qualitativamente mais fraca”, afirmou o economista do ASA, Leonardo Costa, sobre o PIB trimestral.
Na avaliação do especialista, os segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico doméstico, especialmente consumo das famílias, indústria de transformação e construção, continuam perdendo dinamismo.
O crescimento da atividade segue apoiada em setores menos afetados pelo ciclo doméstico e pelos juros, como agropecuária e indústria extrativa, que inclui os setores de óleo e gás e o de mineração.
Para os próximos trimestres essa composição significa uma perda ainda maior de tração da economia.
O agro tende a perder força no terceiro e quarto trimestres, que são períodos de entressafra e plantio.
Tamanho do PIB
O PIB totalizou R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre de 2026. No mesmo período, a taxa de investimento alcançou 16,1% do PIB, abaixo dos 16,6% do segundo trimestre de 2025.
Já a taxa de poupança foi de 16,6%, superando os 16,5% do mesmo trimestre de 2025.
PIB na leitura anual
Frente a igual período do ano anterior, o PIB cresceu 2% no segundo trimestre de 2026.
A agropecuária cresceu 6,8% em relação a igual período de 2025. Além de um bom desempenho da pecuária, esse resultado se deveu, principalmente, a alguns produtos da lavoura que têm safras significativas no segundo trimestre.
Houve crescimento na estimativa de produção anual e ganho de produtividade em culturas como soja (5,3%) e café (15,1%), que suplantaram o fraco desempenho do arroz (-11,3%), algodão (-6,7%) e milho (0,0%).
A indústria cresceu 1,5%, tendo destaque as indústrias extrativas, que avançaram 12% devido ao aumento na extração de petróleo e gás. A Construção também registrou crescimento (1,0%).
Por outro lado, as atividades de indústrias de transformação (-0,9%) e eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,5%) apresentaram queda.
O valor adicionado dos serviços avançou 1,5%, ante o mesmo período do ano anterior.
Os resultados foram positivos em todos os segmentos: informação e comunicação (8,4%), atividades imobiliárias (2,2%), transporte, armazenagem e correio (1,2%), uutras atividades (1,1%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,0%), comércio (0,9%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,9%).
PIB em quatro trimestres
O PIB acumulado nos quatro trimestres até junho de 2026 cresceu 1,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.
O resultado decorreu dos desempenhos positivos da agropecuária (6,2%), da indústria (1,4%) e de serviços (1,7%).
Na indústria, a expansão veio do setor de óleo e gás, com 12,2% de crescimento. A construção trouxe uma contribuição mais modesta, de 0,3% em quatro trimestres.
As demais atividades industriais reportaram resultados negativos, com maior queda para a indústria de transformação, com recuo de -1,1% em 12 meses.
Por sua vez, os serviços apresentaram resultados positivos na leitura de quatro trimestres, como desempenhos distintos em suas subdivisões: as atividades de informação e comunicação subiram 7,1%; atividades imobiliárias tiveram crescimento de 2,3%; atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, de 2,2%; transporte, armazenagem e correio, de 2,0%; comércio, de 0,8%; e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social, de 0,8%.
