A perspectiva de uma redução das tensões entre Washington e Teerã diminui o chamado prêmio de risco do petróleo — valor adicional embutido nos preços diante do temor de que um conflito possa comprometer a produção ou o transporte da commodity.
A queda ocorre também em meio a sinais de avanço nas negociações envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo e gás.
Irã e Omã negociam reabertura de Ormuz
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e seu homólogo de Omã, Badr Albusaidi, discutiram um “marco provisório” para retomar o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, segundo uma declaração conjunta divulgada pela Agência de Notícias de Omã.
A iniciativa prevê a criação de um “corredor marítimo conjunto temporário”, além de um projeto de remoção de minas para restabelecer a navegação segura na região.
As negociações técnicas entre os dois países continuarão com o objetivo de estabelecer um corredor marítimo permanente, definir a futura administração do estreito e criar mecanismos para troca de informações, gerenciamento do tráfego e prestação de serviços marítimos e de segurança.
Por Ormuz passava anteriormente cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. A via marítima permanece em grande parte fechada desde março, quando o Irã bloqueou o estreito após ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro.
Mais cedo nesta terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Marinha americana havia removido as minas do estreito, em uma medida destinada a permitir a retomada do fluxo de navios pela importante rota.
Trump também afirmou que o Irã foi informado de que qualquer embarcação que instalasse novas minas seria “imediatamente e sistematicamente destruída”.
O presidente americano, porém, não apresentou evidências para sustentar a afirmação de que o estreito havia sido completamente desminado. Autoridades europeias já haviam demonstrado ceticismo sobre declarações anteriores, devido à natureza complexa e demorada da remoção de minas.
Negociações podem envolver outros países
Teerã havia afirmado anteriormente que estava concentrado nas negociações com Omã, outro país banhado pelo Estreito de Ormuz, e que essas conversas eram independentes das negociações paralisadas com Washington.
Nesta terça-feira, porém, houve sinais de que outros países da região podem participar das discussões.
O comunicado conjunto de Irã e Omã afirmou que os dois lados “enfatizaram a importância de realizar negociações conjuntas com os países regionais que fazem fronteira com as águas do Golfo Pérsico”.
Albusaidi afirmou, em uma publicação nas redes sociais, que as conversas com parceiros regionais serão realizadas em apoio à paz e à cooperação, à estabilidade e à liberdade de navegação.
Um acordo para facilitar o tráfego pelo estreito poderia ajudar a criar condições para a retomada das negociações entre Irã e EUA.
“Definitivamente é um pequeno passo na direção certa, mas a reação e a coordenação dos EUA serão importantes para entender o quanto isso é sério”, disse Anna Jacobs, pesquisadora não residente do Arab Gulf States Institute.
Embora Omã continue trabalhando para encontrar compromissos aceitáveis tanto para Washington quanto para Teerã, “a variável imprevisível é Trump e se seu governo apoiaria esse marco”, afirmou Jacobs.
Petróleo reage a menor risco de interrupção
Para o mercado de petróleo, uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz é relevante porque reduz o risco de interrupções no transporte de petróleo e gás pela região.
Com a possibilidade de uma redução das tensões entre Irã e Estados Unidos e de uma retomada da navegação pelo estreito, os investidores passam a considerar menos provável um choque prolongado de oferta.
Esse movimento ajuda a explicar a forte queda dos contratos nesta terça-feira. O Brent recua 5,03%, para US$ 85,99, enquanto o WTI cai 4,69%, para US$ 81,02.
A viagem de Albusaidi ocorre um dia depois de uma visita do chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir. Tanto Omã quanto Paquistão têm desempenhado papéis de mediadores nas negociações entre Washington e Teerã.
Um porta-voz do gabinete do presidente iraniano afirmou que a visita de Munir foi “altamente produtiva e gerou resultados diplomáticos muito valiosos”. Já a agência de notícias semioficial Tasnim informou que Munir buscou “criar espaço para negociações e transmitir as condições e posições do Irã ao lado americano”.
