Paramount vende salas de cinema UCI no Brasil para Cine Araújo e Cineart
A Paramount está vendendo as salas de cinema UCI no Brasil. O negócio está sendo comprado pelas exibidoras Cine Araújo e a Cineart, em meio a um mercado mais complexo para as salas de exibição. O Brasil terminou 2025 com o maior número de salas de cinema de sua história, mas com um público ainda...
A Paramount está vendendo as salas de cinema UCI no Brasil. O negócio está sendo comprado pelas exibidoras Cine Araújo e a Cineart, em meio a um mercado mais complexo para as salas de exibição.
As duas redes criaram uma joint venture, a Cia Brasileira de Cinemas, para adquirir 100% da UCI Brasil e da UCI Ribeiro, segundo documento entregue ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O valor da operação não foi divulgado na versão pública do processo.
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A transação tira a operação brasileira da estrutura ligada à Paramount Skydance. A vendedora formal é a HLE Entertainment, anteriormente denominada NAI Entertainment Holdings — companhia que fazia parte do grupo da família Redstone, antiga controladora da Paramount.
A nova empresa será controlada em partes iguais pela Cine Araújo, rede sediada em Botucatu (SP), e pela Cineart, de Belo Horizonte. A UCI possui 25 unidades em 11 estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco, Ceará, Amazonas e Minas Gerais.
A Cine Araújo opera 29 complexos em dez estados, enquanto a Cineart tem 12 unidades, todas em Minas Gerais. Somadas, as três operações reúnem 66 complexos.
As compradoras afirmam, contudo, que continuarão a administrar de forma independente os cinemas que já mantêm sob suas próprias marcas.
Público em queda
O negócio ocorre em uma fase ambígua para o setor. O parque exibidor brasileiro fechou 2025 com 3.544 salas, acima das 3.510 do ano anterior e do recorde pré-pandemia. Mas a expansão física ainda não se traduziu em uma recuperação semelhante do público.
Foram vendidos 112,8 milhões de ingressos no ano passado, queda de 10% em relação a 2024. Em 2019, antes da pandemia, o público havia chegado a 177,7 milhões. A renda de bilheteria em 2025 somou R$ 2,3 bilhões, também abaixo dos R$ 2,49 bilhões registrados no ano anterior.
A própria Ancine avalia que o setor pode estar se estabilizando em um novo patamar de frequência, afetado pela mudança de hábitos do consumidor, pelo streaming e pela redução da janela entre a estreia nos cinemas e a chegada dos filmes às plataformas.
É nesse ambiente que a compra da UCI representa uma aposta das redes brasileiras em escala e presença geográfica. Para a Cine Araújo e a Cineart, o negócio amplia o alcance nacional e acrescenta praças nas quais hoje não atuam, como Recife, Fortaleza, Belém e Juiz de Fora.
A operação, no entanto, exigirá uma análise mais detalhada do Cade em Manaus. A UCI tem dois cinemas na cidade — nos shoppings Manauara e Sumaúma Park —, enquanto a Cine Araújo opera uma unidade no Manaus ViaNorte.
Pelos dados de 2025 apresentados ao órgão, a participação conjunta das empresas ficaria entre 50% e 60% da receita de bilheteria no município. Pelo critério de número de salas, a fatia combinada seria de 30% a 40%.
As companhias sustentam que a concorrência seguirá preservada, com a presença de Cinépolis, Kinoplex, Centerplex e do Cine Casarão. Também argumentam que os cinemas operam com capacidade ociosa elevada e enfrentam a concorrência de outras formas de entretenimento, incluindo plataformas de streaming.
Em São Paulo, onde a Cine Araújo possui uma unidade e a UCI, quatro, a participação combinada ficaria abaixo de 20%, nível que as empresas consideram insuficiente para gerar preocupação concorrencial.
O pedido é de aprovação sem restrições. Para o Cade, a questão será medir se a consolidação fortalece redes nacionais em um setor ainda pressionado pela mudança no hábito do público — ou se reduz demais as opções para o espectador em Manaus.