Pânico VII: Nostalgia ou Conveniência?

O filme teve sua estreia em fevereiro de 2026 e, desde então, tem dado muito o que falar por aí.

Após tantos anos carregando o prestígio de ser uma das franquias mais emblemáticas dos terror e da cultura geek, Pânico VII chegou as telonas prometendo marcar o cinema mais uma vez.

Aqui, o protagonismo volta pra Sidney Prescott, que vive em uma cidade pacata com a família que construiu tentando superar os traumas do terror vivido na adolescência. O filme mostra que a nossa protagonista tentou construir uma bolha de segurança, mas seu passado volta a assombra-la quando um novo Ghostface começa a vigiar sua rotina. Desta vez, o assassino não quer apenas Sidney, ele demonstra mais interesse em seu ponto fraco, a filha adolescente Tatum. O nome é uma homenagem óbvia à melhor amiga de Sidney que morreu no primeiro filme, o que já trás um tom de nostalgia à trama.

O enredo se propõe a explorar como o trauma da mãe afetou a criação de Tatum. A jovem demonstra se sentir sufocada pela superproteção, enquanto Sidney vive em pânico constante de que sua história se repita e é aí que entra o grande pecado deste sétimo capítulo. Desde os primeiros minutos, o filme tenta vender um enredo focado no desenvolver dessa relação de mãe e filha enquanto tentam sobreviver ao Ghostface, porém, essa profundidade nunca chega. O que vemos são diálogos que beiram a superficialidade, muita das vezes servindo apenas como pontes para a próxima cena de morte, desperdiçando um potencial dramático que daria grande peso à história.

Um dos pilares do slasher (subgênero do terror) é a luta pela sobrevivência, mas em Pânico VII, o esforço parece ter sido substituído pela negligência em grande parte das cenas. É difícil torcer por personagens que morrem por erros primários ou decisões “bobas” que desafiam a inteligência de quem assiste. No lugar daquela sensação estranhamente agradável de “quase escapou”, o que sobra para o telespectador é um sentimento de “morreu porque o roteiro precisava”, o que esvazia cada vez mais a motivação das perseguições e, consequentemente, o enredo. A franquia parece ter caído na armadilha que costumava ironizar: a conveniência do roteiro e a falta de instinto de sobrevivência dos personagens. Embora o novo filme consiga manter o espectador na poltrona por puro entretenimento, o filme entrega uma experiência que oscila entre o suspense genuíno e a bobeira já muito usada em tantos filmes de terror.

Por outro lado, neste capítulo da saga, nem tudo está perdido. Onde o desenvolvimento falha, a estrutura do mistério cumpre seu papel e acerta. O desfecho de Pânico VII consegue fugir do óbvio e evita o caminho previsível que muitos esperavam. O “quem matou” ainda tem força e consegue surpreender, mesmo que o caminho percorrido até lá seja, por vezes, cansativo.

Por fim, o sétimo filme de Pânico diverte como um passatempo de fim de semana, mas falha em se consolidar como uma história essencial da saga. Entre mortes evitáveis e relações mal resolvidas, o Ghostface continua assustando, mas a narrativa já começa a mostrar seus sinais da idade.

Nota: 3,5/5 Estrelas.

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