É justamente nessa etapa que a Panco aparece agora. O documento apresentado ao Cade informa que a companhia será representada no acompanhamento da análise de sua proposta de compra da Nutrella e também nas tratativas com o mandatário responsável pelo desinvestimento.
Isso torna provável que a Panco tenha sido a responsável pelo lance de R$ 3 milhões. Os documentos, porém, não associam nominalmente a empresa ao valor oferecido no leilão.
A segunda etapa do certame foi destinada a fabricantes de outros segmentos de alimentos com distribuição nacional. Nela, apareceram propostas maiores: R$ 4,7 milhões e R$ 4,6 milhões. Esses participantes, no entanto, só entram na fila caso o Cade não aprove os interessados classificados na primeira fase.
Nutrella em busca de um comprador
A estrutura incomum do leilão é consequência das condições impostas pelo Cade para aprovar a compra da Wickbold pela Bimbo.
Ao autorizar a operação, em setembro de 2025, o órgão antitruste determinou que a companhia mexicana se desfizesse da Nutrella para evitar uma concentração excessiva no mercado de pães. Outra marca incluída no pacote de desinvestimentos, a Tá Pronto!, de tortilhas, foi vendida para a dona da Pita Bread.
A venda da Nutrella, por sua vez, se mostrou mais difícil. Antes do leilão, a Bimbo chegou a apresentar quatro potenciais compradores ao Cade, mas nenhum deles foi considerado adequado pelo órgão.
Sem conseguir concluir a venda diretamente, a companhia teve de colocar a marca em um leilão aberto e sem preço mínimo.
Agora, a definição de quem ficará com a Nutrella volta às mãos do Cade. Se a proposta da Panco for aprovada, a fabricante brasileira poderá assumir a marca.
Se o órgão entender que a operação não atende às condições estabelecidas para o desinvestimento, a fila do leilão anda — e outro interessado poderá ficar com o ativo.
Procurada, a Bimbo ainda não respondeu. O InvestNews tenta contato com a Panco.
