Uma empresa de transporte marítimo que precisava atravessar o Canal do Panamá ofereceu um recorde de US$ 5,3 milhões para garantir sua passagem, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A sul-coreana SK Gas concordou em pagar esse valor para atravessar o canal em 1º de setembro, disseram as pessoas, que não puderam ser identificadas porque as informações são confidenciais.
A taxa, determinada por meio de um leilão realizado pela autoridade do canal nesta semana, supera o recorde anterior de US$ 4,6 milhões, estabelecido no início deste mês, também pago por uma empresa responsável por uma embarcação sul-coreana.
A demanda por uma passagem urgente pela hidrovia disparou depois que a guerra entre Irã e Israel alterou as rotas comerciais globais, especialmente para a Ásia. O tempo de espera no canal chegou a 11 dias para embarcações que chegam à hidrovia sem reserva, segundo a Argus Media.
A Autoridade do Canal do Panamá também reforçou as restrições ao número de vagas a partir de setembro, assim como à quantidade de carga que os navios podem transportar, devido às prováveis condições de seca na região.
A oferta vencedora no leilão permite que o G. Spirit, um navio-tanque de gás liquefeito de petróleo (GLP), atravesse o canal no sentido norte. Até terça-feira, a embarcação aparecia posicionada no lado do Pacífico da hidrovia, segundo dados compilados pela Bloomberg.
A SK Gas não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Bloomberg.
A Autoridade do Canal do Panamá, por meio de uma porta-voz, recusou-se a comentar oficialmente o recorde no preço do leilão. O canal informou em comunicado que a maioria das embarcações utiliza um sistema de reserva.
Os resultados recentes dos leilões refletiram uma “demanda significativamente mais forte”, com preços superiores ao valor mediano de cerca de US$ 55 mil pago nos leilões antes de fevereiro.
O fenômeno climático El Niño, que está se formando no Pacífico, é outro fator que explica a maior disposição das empresas de transporte marítimo a pagar pelas reservas. O fenômeno provavelmente provocará uma forte seca no Panamá, o que ameaçaria os níveis de água doce do canal e a disponibilidade para navegação.
