“Qualquer potencial captação está sujeita às condições de mercado vigentes”, afirmou um porta-voz da MBRF em resposta por e-mail a perguntas da Bloomberg News. “A companhia continuará avaliando o momento mais adequado para um eventual acesso aos mercados internacionais.”
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano chegaram nesta quinta-feira (1º) aos níveis mais altos desde 2002, ampliando uma alta que tem encarecido o crédito para empresas que buscam financiar investimentos ou refinanciar dívidas.
Os títulos corporativos americanos com grau especulativo registraram, no período encerrado em 30 de setembro, as maiores perdas mensais e trimestrais desde 2022. Para a MBRF, o adiamento é um revés num momento em que a piora da operação de carne bovina nos Estados Unidos e os juros altos dificultam os esforços para reduzir a alavancagem.
Dívida de R$ 45 bilhões pressiona a MBRF
Antes chamada Marfrig Global Foods, a empresa fundada por seu presidente do conselho, Marcos Molina, tornou-se uma gigante de alimentos, com operações que vão de frango e suínos a pizzas e lasanhas congeladas, depois da aquisição da BRF, concluída no ano passado.
Ainda assim, os lucros têm sido limitados por uma forte escassez de gado, que prejudica o negócio de carne bovina nos Estados Unidos, o maior da MBRF, e pelo custo crescente do serviço de sua dívida, de cerca de R$ 45 bilhões (US$ 8,6 bilhões). No segundo trimestre, as despesas com juros subiram cerca de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior e consumiram aproximadamente três quartos do fluxo de caixa operacional da empresa, segundo demonstração financeira.
A dívida líquida da companhia aumentou levemente nos últimos trimestres e chegou a cerca de 3,4 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no trimestre encerrado em junho. O ambiente de mercado adverso, que inclui também restrições às exportações para a China, torna improvável que a empresa comece a reduzir a alavancagem antes de 2027, afirmou a Fitch Ratings em relatório a clientes na segunda-feira (28).
No início da semana, a empresa anunciou uma oferta para recomprar US$ 467,5 milhões em títulos com vencimento em 2029, emitidos por uma de suas unidades. A proposta expira em 2 de outubro.
O jornal Valor Econômico noticiou antes o adiamento dos planos de emissão.
