Segundo a Magnum, em um dos episódios, Mittal disse que não precisava de “vadias brancas no conselho” e usou o mesmo termo pejorativo para se referir a uma ex-diretora.
As alegações fazem parte da defesa da Magnum contra acusações de que a empresa retirou indevidamente diretores independentes do conselho da Ben & Jerry’s e não cumpriu um acordo que solucionava a disputa sobre a venda dos direitos de propriedade intelectual da marca em Israel.
Como começou a disputa entre Magnum e Ben & Jerry’s
Quando a Unilever comprou a Ben & Jerry’s, em 2000, a marca manteve um conselho independente responsável por preservar sua chamada missão social, que era o compromisso de se posicionar sobre temas como direitos humanos, mudanças climáticas e desigualdade, além de suas atividades comerciais.
A relação entre a empresa e o conselho se deteriorou a partir de 2021, após uma decisão da Ben & Jerry’s relacionada às vendas de sorvetes em áreas da Cisjordânia. O episódio desencadeou um conflito mais amplo sobre os limites da autonomia da marca para se posicionar sobre questões sociais e políticas.
A tensão continuou depois que a Unilever separou a Ben & Jerry’s e criou a Magnum Ice Cream Company, que passou a controlar a marca. O conselho independente acusou a Magnum de interferir em sua autonomia, enquanto a empresa questionou a atuação dos conselheiros.
Mittal, que presidia o conselho independente, estava entre os principais nomes envolvidos na disputa. No início deste ano, seis dos oito integrantes do conselho, incluindo ela, deixaram os cargos depois que a Magnum introduziu limites retroativos para os mandatos e um novo código de conduta.
Os cofundadores da Ben & Jerry’s, Jerry Greenfield e Ben Cohen, apoiaram os integrantes independentes e também criticaram a Magnum, que foi separada da Unilever no ano passado e passou a ser listada em Amsterdã. Greenfield deixou a empresa em protesto em setembro do ano passado, após 47 anos, e Cohen acusou a Magnum de destruir a marca.
A disputa também incomodou alguns investidores americanos, entre eles Nelson Peltz, cujo fundo Trian Fund Management detém uma participação de cerca de 3,7% na Magnum.
Em agosto, um juiz federal rejeitou grande parte da ação apresentada pelos integrantes independentes do conselho, incluindo as acusações de que a Magnum tentou censurar as posições da Ben & Jerry’s sobre questões progressistas e silenciar Mittal. Agora, em uma ação judicial, a Magnum busca demonstrar que Mittal violou seus deveres fiduciários perante a Ben & Jerry’s e a própria Magnum.
Magnum acusa Mittal de criar divisão no conselho
A Magnum afirma que Mittal criou na Ben & Jerry’s uma divisão tóxica entre “nós e eles” e também a acusa de ter se beneficiado indevidamente de seu cargo.
Segundo a empresa, Mittal nomeou amigos para o conselho em vez de candidatos independentes e direcionou cerca de US$ 350 mil da fundação da Ben & Jerry’s — financiada pela Unilever e, posteriormente, pela Magnum — para o Oakland Institute, organização sem fins lucrativos que ela fundou.
Em resposta, um representante jurídico de Mittal acusou a Magnum de recorrer a táticas de pressão.
“Depois de afastar o CEO da Ben & Jerry’s, um funcionário que estava havia mais de 30 anos na empresa, a Magnum agora intensificou a pressão contra a presidente do conselho, Mittal. A empresa também provocou a saída do cofundador Jerry Greenfield, levou o outro cofundador, Ben Cohen, a iniciar uma campanha para ‘libertar’ a companhia e tentou remover os diretores independentes do conselho. Agora, repete contra Mittal alegações que executivos da Unilever já haviam classificado como mera difamação pessoal”, afirmou o advogado dela em comunicado.
“A campanha da Magnum para intimidar, ameaçar e destruir a reputação da presidente Mittal por causa de sua defesa dos direitos humanos dos palestinos — para grande desagrado de Nelson Peltz — está descrita em sua ação por difamação em andamento”, acrescentou o comunicado.
A Trian, de Peltz, recusou-se a comentar.
