“Estamos vendo uma explosão desses adversários que usam agentes de IA”, disse Adam Meyers, vice-presidente sênior da empresa de cibersegurança CrowdStrike. “Identificamos tanto agentes sofisticados usando essas ferramentas quanto agentes sem nenhuma sofisticação.”
O forte aumento dos ataques faz parte de uma aceleração vertiginosa das ameaças à cibersegurança impulsionada pela inteligência artificial, que se espalha pelo mundo.
Ao mesmo tempo que novas ferramentas tornam os hackers mais rápidos, os profissionais de defesa cibernética correm para corrigir o volume crescente de falhas de segurança identificadas pela IA antes que os criminosos possam explorá-las.
Na quarta-feira, organizações correram para corrigir falhas recém-descobertas que poderiam permitir a invasão de até 70% dos sites do mundo. Segundo a Amazon, hackers já estão tentando ativamente invadir páginas da internet por meio dessas vulnerabilidades.
A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) e o FBI orientaram empresas que não conseguissem corrigir imediatamente as falhas a simplesmente tirar seus sites do ar. Sites governamentais de países como Canadá, Bélgica, França e Holanda fizeram exatamente isso. O fórum de publicação de imagens 4chan suspendeu os comentários em seu site antes da aplicação das correções.
O ritmo e o volume dos ataques com inteligência artificial começam a sobrecarregar as empresas especializadas em responder a incidentes cibernéticos. Especialistas estão chamando o mês de “Outubro Negro”, e muitos profissionais do setor preveem que novos ataques virão.
“Esperamos um número enorme de divulgações de invasões e comprometimentos de sistemas nas próximas semanas e meses”, disse Steven Adair, presidente da empresa de cibersegurança Volexity.
Profissionais que respondem a incidentes, como Adair, afirmam que ferramentas de IA já estão sendo usadas tanto por hackers ligados a governos, da China e da Rússia, quanto por criminosos interessados em roubar dados e instalar programas de resgate, conhecidos como ransomware.
Uma das ferramentas utilizadas é o Artex, um programa chinês de código aberto para invasões que usa inteligência artificial para automatizar o processo de entrada em redes de computadores.
Nesta semana, a Microsoft afirmou que “agentes de ameaças em diversas regiões geográficas” estavam usando o Artex para acelerar ataques contra centenas de empresas. No início deste mês, um ataque cibernético utilizou a ferramenta para roubar dados de cerca de 68 mil pessoas de bancos sul-coreanos.
Os hackers estão usando inteligência artificial para fazer reconhecimento de alvos, analisar grandes volumes de dados roubados e até desenvolver rapidamente códigos que exploram vulnerabilidades e permitem invadir redes, disse Sherri Davidoff, fundadora da consultoria de segurança LMG Security.
A cada três meses, Davidoff trabalha com a NetDiligence, empresa especializada em serviços relacionados a vazamentos de dados, para consultar um grupo de colegas sobre as técnicas que estão observando em ataques cibernéticos reais. Um ano atrás, praticamente nenhum deles identificava sinais de uso de inteligência artificial. No último trimestre, a prática se tornou rotineira, afirmou.
No início deste ano, pesquisadores da empresa de cibersegurança Sophos conseguiram acessar sistemas utilizados por um grupo de criminosos especializado em ataques com ransomware, de língua russa, que se identifica como Aurora. Com isso, puderam observar a evolução do grupo e sua crescente dependência da inteligência artificial.
No começo, os hackers usavam IA para desenvolver ferramentas e infraestrutura destinadas a hospedar seus ataques de ransomware. Até o fim do ano, passaram a utilizar a tecnologia para vasculhar redes corporativas que haviam invadido, procurando maneiras de acessar outras contas.
O grupo russo também migrou, ao longo do ano, de modelos proprietários, como os da Anthropic, para novos modelos de código aberto, como os da linha Kimi, desenvolvidos pela Moonshot AI, disse Colin Cowie, gerente de inteligência de ameaças da Sophos.
“O ritmo em que eles operam é mais rápido do que o de uma pessoa comum”, acrescentou Cowie.
Segundo ele, os hackers acessaram os modelos de inteligência artificial por meio de uma assinatura de US$ 200 por mês do Cursor, serviço de programação com IA.
Não está claro quais ferramentas específicas foram usadas pelos hackers que atacaram Colin Parsons, mas eles procuravam credenciais de acesso disponíveis na internet que pudessem ser utilizadas para contratar serviços de inteligência artificial.
As compras não autorizadas feitas em nome de Parsons utilizaram credenciais que ele havia armazenado em um site de programação com IA chamado OpenCode.
A partir de 16 de outubro, a empresa enfrentou um ataque cibernético ininterrupto, alimentado por inteligência artificial, segundo Dax Raas, cofundador da companhia, em uma publicação no X.
Mais tarde, ele acrescentou: “Droga, basicamente precisamos de agentes funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana, porque é isso que eles têm”.
Representantes da OpenCode não responderam aos pedidos de comentários.
Quando Parsons abriu o aplicativo de mensagens Discord e acessou o canal de suporte ao cliente da OpenCode, encontrou uma enxurrada de mensagens sem sentido, em vez de dúvidas de usuários. Algumas diziam coisas como “E aí” ou “Apague o Telegram”.
Uma nova mensagem aparecia a cada dois segundos. Quando Parsons publicou uma mensagem sobre as cobranças fraudulentas, ela rapidamente ficou soterrada em meio ao conteúdo sem sentido.
Ele marcou a OpenCode em uma publicação no X e perguntou: “Vocês foram hackeados?”.
Logo, outros usuários da OpenCode disseram que também haviam sido atingidos.
“Sim — a mesma coisa — US$ 1.700”, escreveu um deles.
“Aconteceu comigo também”, escreveu outro.
“Estou muito puto, minhas chaves vazaram”, afirmou um terceiro, acrescentando que sua conta na OpenAI havia sido suspensa.
Entre em contato com Robert McMillan pelo e-mail robert.mcmillan@wsj.com.
Traduzido do inglês por InvestNews
