As negociações sobre detalhes operacionais, como as taxas a serem cobradas das embarcações, devem continuar entre as duas nações nos próximos dias.
As conversas entre Teerã e Mascate para reabrir o ponto mais estratégico para o escoamento global de energia avançaram nas últimas semanas.
A intenção de Omã era reunir os ministros das Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo nesta segunda-feira em Salalah, no sul do país. No entanto, ainda não há confirmação sobre quais nações comparecerão.
O Bahrein já descartou participação, citando ataques recentes apoiados pelo Irã, enquanto a escalada nos confrontos entre forças apoiadas pela Arábia Saudita e os rebeldes Houti, no Iêmen, adiciona complexidade ao cenário.
Em meio ao impasse, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed Al Nahyan, encontrou-se com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, durante a cúpula do BRICS na Índia — um diálogo público raro entre as duas potências regionais.
Teerã já sinalizou que a medida não representa uma reabertura total da via e que continuará determinando quais navios têm autorização para cruzar o estreito.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, classificou o encontro proposto como um “evento importante” para a construção de confiança na região.
Contexto de guerra e impactos no mercado
O conflito, iniciado no fim de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, desestabilizou as economias da região e levou Teerã a fechar o Estreito de Ormuz. Recentemente, a tensão se intensificou com trocas de disparos entre EUA e Irã contra petroleiros no Golfo Pérsico.
No fim de semana, a agência britânica UK Maritime Trade Operations relatou um incêndio em um navio atingido por projétil, enquanto a estatal iraniana IRIB confirmou a morte de uma pessoa em um ataque a uma embarcação comercial perto das ilhas de Qeshm e Hengam.
Refletindo o impacto econômico, as ações da Saudi Aramco caíram quase 1,1% no domingo, atingindo o menor patamar desde março, após a Arábia Saudita fechar seu oleoduto leste-oeste devido a ataques de drones operados por militantes no Iraque.
Apesar de ter sido alvo de milhares de projéteis e de ter cortado laços econômicos com Teerã em agosto, os Emirados Árabes Unidos mantêm a defesa por uma saída política.
Anwar Gargash, assessor da presidência dos Emirados, destacou que o estado de “nem guerra, nem paz” é insustentável e defendeu o retorno da navegação normal, pontuando no X (antigo Twitter) que o encontro na Índia reflete a estratégia do país de combinar dissuasão e diplomacia.
