O período de reservas termina em 13 de outubro, e a negociação na bolsa da Nigéria está prevista para começar em meados de novembro.
A empresa pretende usar os recursos para ajudar a financiar uma expansão que, segundo o FT, busca dobrar sua capacidade de processamento para 1,4 milhão de barris por dia até 2028.
A refinaria
Em operação desde 2024, o complexo ajudou a transformar o papel da Nigéria no comércio de combustíveis. Apesar de ser grande produtor de petróleo, o país historicamente dependeu da importação de derivados. A refinaria abriu espaço para ampliar as exportações de diesel e combustível de aviação.
Agora, o projeto também pode mudar a relação de parte da população com o mercado financeiro. Segundo o FT, novas corretoras digitais foram autorizadas a intermediar ofertas, facilitando a participação de quem antes precisaria recorrer a uma instituição financeira tradicional.

Um dos exemplos citados pelo jornal é Muzakallah Muzammil, professor particular de matemática que vive na região central do país. Ele contou ter baixado o aplicativo da corretora Bamboo para comprar cerca de 100 ações. O interesse pela refinaria motivou o primeiro passo, mas outras empresas nas quais confia poderiam estimulá-lo a montar uma carteira.
A Bamboo disse ao FT esperar pelo menos 1 milhão de novos cadastros de interessados na oferta. A projeção da corretora, porém, não equivale a compras efetivas de ações.
‘IPO do povo’
Batizada por Dangote de “IPO do povo”, a operação também alimenta o otimismo das instituições que trabalham na distribuição. O FT ressalta, porém, que muitos dos profissionais entusiasmados com a oferta têm envolvimento comercial com ela.
Fora desse circuito, o cenário é menos uniforme. Em entrevistas com cerca de duas dezenas de nigerianos em bairros pobres de Lagos e nas proximidades da refinaria, o jornal encontrou poucos que sabiam da venda de ações. Entre os caminhoneiros ouvidos enquanto aguardavam para retirar diesel no complexo, nenhum conhecia a oferta.
Para outros, a barreira é a renda. O soldador Alimi Oluwafemi disse ao FT que compraria ações para mantê-las se tivesse dinheiro. Naquele momento, porém, faltavam recursos até para comer.
O desafio da Dangote será converter o interesse por uma empresa conhecida em participação efetiva no mercado de capitais, algo ainda inédito (e pouco acessível) para milhões de nigerianos.
