Economia

Estatal árabe vira sócia do Exército brasileiro em centro de defesa cibernética

O EDGE Group, conglomerado de defesa controlado pelo governo de Abu Dhabi, e o Exército brasileiro anunciaram nesta quarta-feira (26) que vão criar um Centro de Excelência em Defesa Cibernética (COE). Segundo o comunicado das partes, será a primeira instituição do gênero na América Latina a operar sob modelo tripartite, reunindo governo, indústria e academia,...

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O EDGE Group, conglomerado de defesa controlado pelo governo de Abu Dhabi, e o Exército brasileiro anunciaram nesta quarta-feira (26) que vão criar um Centro de Excelência em Defesa Cibernética (COE).

Segundo o comunicado das partes, será a primeira instituição do gênero na América Latina a operar sob modelo tripartite, reunindo governo, indústria e academia, com aportes diretos dos dois fundadores. O local onde funcionará o centro ainda não foi definido.

Do lado brasileiro, o acordo passa pelo Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber). O centro deve prestar serviços a todas as Forças Armadas e a instituições federais — de capacitação e certificação a resposta a incidentes, perícia digital, consultoria e desenvolvimento de doutrina.

O EDGE cita como referência o centro de defesa cibernética da Otan e afirma que a meta é posicionar o Brasil como polo regional em cibersegurança soberana.

Como o InvestNews mostrou, o EDGE fez do Brasil uma base de expansão e, em três anos, comprou participação em três empresas de defesa: 50% da SIATT, de mísseis; 51% da Condor, de tecnologias não letais; e 100% da Akaer, de São José dos Campos, ainda dependente de aprovação regulatória. Desta vez não há aquisição: o grupo entra como sócio de uma instituição criada com o próprio Exército.

Com um Orçamento da Defesa de R$ 142,9 bilhões em 2026, dos quais 75,5% vão para pessoal, sobra pouco para tecnologia, e as empresas do setor dependem de intervalos longos entre encomendas.

Foi essa lacuna de financiamento que abriu espaço para o capital de Abu Dhabi, num momento de rearmamento global: em 2025, o gasto militar mundial bateu recorde, US$ 2,887 trilhões, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri).

A reportagem também registrou que, quando o comprador é uma companhia controlada por outro Estado, a operação vira discussão sobre soberania.

No caso do COE, o objeto não é uma fábrica de mísseis, e sim uma estrutura ligada à proteção de redes e dados das Forças Armadas — o que torna a questão mais delicada, ainda que aqui o Exército figure como fundador, e não como alvo de compra.

O anúncio contrasta com o caminho oposto tomado dias antes por outra empresa estratégica. Dias atrás, os irmãos Joesley e Wesley Batista, por meio da Globe Investimentos, fecharam a compra de 100% da Avibras — fabricante dos foguetes Astros e do míssil MTC-300 —, em negócio que a Globe diz preservar o controle nacional de uma companhia estratégica. São dois modelos de sustentar a mesma indústria: dinheiro nacional em um caso, capital estrangeiro no outro.

Restam definir estrutura, governança e o tamanho dos aportes do novo centro, que o comunicado não detalhou.



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Redação A Notícia 24H.