Economia

Escalada de juros nos EUA eleva taxas do Tesouro IPCA+ no Brasil

Os juros dos títulos públicos dos EUA continuam nesta quinta-feira (10) a escalada rumo aos maiores níveis em 19 anos. O retorno da Treasury de 30 anos, que alcançou 5,33% ao ano nesta quinta-feira já chegou lá. Está no maior patamar desde abril de 2007. O título de 10 anos está quase. O rendimento subiu...

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Os juros dos títulos públicos dos EUA continuam nesta quinta-feira (10) a escalada rumo aos maiores níveis em 19 anos.

O retorno da Treasury de 30 anos, que alcançou 5,33% ao ano nesta quinta-feira já chegou lá. Está no maior patamar desde abril de 2007.

O título de 10 anos está quase.

O rendimento subiu para 4,91% hoje, na máxima desde novembro de 2023. Mais um pouco (5,02%) e será o maior maior nível desde julho de 2007.

Nesta quinta, o mercado reage, primariamente, à nova subida do petróleo que avança para US$ 105 o barril na sessão atual.

As taxas de papéis como o Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado vivem um momento de alta nesta quinta-feira.

O retorno do Tesouro IPCA+ 2040, por exemplo, avança de inflação mais 7,30% visto na quarta-feira para IPCA mais 7,37% na sessão atual. A oscilação traz um recuo de quase 0,90% no saldo em reais de quem tem esse papel na carteira.

E no Brasil o Tesouro Direto registrou o golpe.

Já o Tesouro Prefixado 2032 sobe para 14,29% ao ano comparado a 14,21% um dia atrás. A subida representa uma queda de 0,40% no saldo em reais do investidor do título.

Já o dólar chegou a avançar 0,7% hoje. Mas virou para uma leve queda de 0,16, a R$ 5,09, no final da manhã.

Juros globais em alta

A quinta-feira marcou ainda a segunda alta de juros do Banco Central Europeu (BCE) em 2026. O BC europeu elevou a taxa de política monetária em 0,25 ponto para 2,50% ao ano.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, citou um cenário de incertezas elevadas com riscos de maior pressão inflacionária combinada com uma desaceleração do crescimento econômico.

As preocupações do BCE ecoam as sinalzadas pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano) e outros bancos centrais ao redor do globo.

Os juros de mercado, basicamente, sobem em todo o mundo “desenvolvido”.

Do outro lado do Atlântico, a maré é a mesma. Na França, os juros de 30 anos estão em 5%, patamar mais alto desde 2008.

Se atravessarmos o Canal da Mancha, vamos encontrar os títulos de 30 anos do Reino Unido pagando 5,9% ao ano. É o maior retorno desde 1998.

O juro americano (e em boa parte do mundo desenvolvido) sobe por causa de uma combinação: crescimento acelerado tanto da dívida pública como da dívida privada.

A mecânica é simples: quanto maior a necessidade de financiar gastos, mais emissões de títulos. E, com uma oferta cada vez mais elevada de papéis, os preços caem. Por consequência, as taxas sobem.

Lá fora a dinâmica fiscal piorou com o conflito no Irã e a guerra tarifária. A dívida pública dos EUA superou US$ 40 trilhões. E segue crescendo.

A concorrência pelos recursos globais se acentuou também diante da necessidade de as big techs financiarem suas infraestruturas de inteligência artificial, que pode alcançar US$ 1,7 trilhão entre 2026 e 2027.

Conseequências para o Brasil

No curto prazo, a nova realidade dos juros globais vai significar duas coisas para os mercados locais: taxas mais elevadas por mais tempo e muita volatilidade.

Para quem já tem títulos atrelados à inflação ou prefixados na carteira, o melhor é segurar a ansiedade e aguardar até, pelo menos, o próximo ano, quando as eleições já vão ter passado e as políticas do novo governo ficarão mais claras.

Um estudo do BTG Pactual mostra que o cenário externo pode contribuir com até 40% de peso no comportamento dos juros brasileiros de longo prazo.

Essa pressão acomtece, sobretudo, pelo fortalecimento do dólar, o que torna as importações mais caras e puxa a inflação para cima, e pelo aumento dos custos de financiamentos para o governo e as empresas.

Isso porque juros mais altos lá fora significam uma concorrência maior com os retornos daqui.

O dinheiro global vai atrás de mercados onde os retornos são mais atraente e as moedas, mais seguras. Isso obriga o Brasil a pagar mais juros para continuar competitivo – juros que já estão num patamar que não era visto desde 2016.

Os olhares dos investidores agora se voltam agora para a divulgação dos dados do índice de preços ao consumidor (CPI) nos EUA na setxa-feira (11).

A fotografia da inflação americana de agosto tende a influenciar a decisão de juros do Fed programada para a próxima quarta-feira (16).



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