Economia

Enquanto negocia fatia da Odebrecht, Mota-Engil chega a R$ 14 bilhões em obras no Brasil

A estratégia da Mota-Engil para transformar o Brasil em um de seus principais mercados começa a aparecer nos números. A empreiteira portuguesa, que negocia comprar uma fatia da Odebrecht Engenharia e Construção (OEC), mais do que dobrou a contribuição da operação brasileira em um ano. O país já responde por 14% da carteira global de...

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A estratégia da Mota-Engil para transformar o Brasil em um de seus principais mercados começa a aparecer nos números. A empreiteira portuguesa, que negocia comprar uma fatia da Odebrecht Engenharia e Construção (OEC), mais do que dobrou a contribuição da operação brasileira em um ano.

O país já responde por 14% da carteira global de engenharia e construção da companhia, de € 17,4 bilhões (R$ 104,3 bilhões). Essa fatia equivale a aproximadamente € 2,43 bilhões, ou R$ 14,6 bilhões, em contratos a executar no Brasil.

O percentual coloca o país atrás apenas de México, com 21%, e Angola, com 16% – e à frente até de Portugal, mercado de origem da Mota-Engil, que representa 12% da carteira de projetos.

Segundo o balanço do primeiro semestre, divulgado na quarta-feira (26), a contribuição brasileira cresceu 104% em relação ao mesmo período de 2025. No documento, a Mota-Engil, uma empreiteira nascida em portugal e que conta com investimento da estatal chinesa CCCC, classifica o Brasil como um “novo motor de criação de valor” na América Latina.

O México, porém, continua sendo a maior operação da Mota-Engil na região, mas sua participação na receita latino-americana caiu de 86% para 76% em um ano. A fatia conjunta dos demais países, principalmente Brasil, Peru e Colômbia, avançou de 14% para 24%.

No total, a receita latino-americana aumentou 7%, para € 1,17 bilhão. O resultado operacional (Ebitda) avançou 14%, para € 120 milhões, com margem estável em 10%.

A receita global da Mota-Engil aumentou 6% na comparação com o primeiro semestre de 2025, para € 2,9 bilhões, impulsionada principalmente pelos negócios na África e na América Latina. O lucro líquido chegou a € 135 milhões, alta de 12%.

Estratégia brasileira

O forte crescimento da Mota-Engil no Brasil reflete uma estratégia que ganhou força ainda no ano passado.

Em maio de 2025, a empreiteira portuguesa comprou os 50% que ainda não possuía da Empresa Construtora Brasil (ECB), companhia mineira pela qual havia desembarcado no país em 2012. O negócio tornou o grupo dono integral da operação brasileira.

Naquele mesmo período, a construtora fechou dois contratos com a Petrobras que somavam € 490 milhões (R$ 2,95 bilhões). Um deles envolve serviços de manutenção em plataformas marítimas; o outro, o descomissionamento de dutos submarinos.

Poucos meses depois, em setembro, a Mota-Engil venceu o leilão da PPP do túnel Santos–Guarujá, em São Paulo, superando a espanhola Acciona.

A concessão do primeiro túnel submerso marítimo do país terá duração de 30 anos, e o contrato é avaliado pela companhia em aproximadamente € 1,3 bilhão (R$ 7,8 bilhões). A conclusão da obra está prevista para 2031.

A expansão continuou neste ano. Em abril, a Mota-Engil conquistou mais um contrato de € 113 milhões (R$ 679 milhões) com a Petrobras para preparar, retirar e dar destinação final a sistemas submarinos de produção de petróleo na Bacia de Campos.

Em maio, a companhia liderou o consórcio vencedor da Rota dos Sertões, concessão de 502 quilômetros das rodovias BR-116 e BR-324 entre Bahia e Pernambuco. O grupo português participa do projeto ao lado da Nova Infra Invest, ligada à Novonor (a antiga Odebrecht), e da gestora Galápagos Capital.

O projeto prevê R$ 8,5 bilhões em investimentos e despesas operacionais durante os 30 anos de contrato. Desse total, R$ 4,1 bilhões serão destinados diretamente a obras de ampliação e modernização.



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Redação A Notícia 24H.