Economia

Crise do varejo chega aos FIIs de logística. Veja os mais afetados – e os menos

A crise no varejo atinge um segmento do setor imobiliário que se tornou o xodó dos investidores nos últimos anos: o de galpões logísticos. Quem mais tem sentido o golpe são os fundos imobiliários (FIIs) especializados em alugar esses centros de distribuição para as grandes redes. Se antes a locação de um grande centro de...

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A crise no varejo atinge um segmento do setor imobiliário que se tornou o xodó dos investidores nos últimos anos: o de galpões logísticos. Quem mais tem sentido o golpe são os fundos imobiliários (FIIs) especializados em alugar esses centros de distribuição para as grandes redes.

Se antes a locação de um grande centro de distribuição para gigantes como Casas Bahia, Grupo Pão de Açúcar (GPA), Mobly/Tok&Stok ou Marabraz era encarada pelo investidor como um porto seguro de renda previsível, o avanço de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial mudou radicalmente essa dinâmica.

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O baque no setor varejista expôs a vulnerabilidade dos modelos dependentes do crescimento do consumo e do crédito acelerado.

As recuperações extrajudiciais e judiciais de várias redes varejistas (ver quadro acima) acrescentaram uma nova camada de risco para os FIIs de galpões.

Para essa modalidade de fundo imobiliário, o impacto da crise varejista já levou, em casos, a quedas de dois dígitos na cotação patrimonial e de mercado.

O caso mais emblemático é o do HSLG11 (HSI Logística), o fundo logístico mais exposto à Casas Bahia, que responde por cerca de 30% da receita contratada a partir de ativos como os centros de distribuição de Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR).

A cota do FII chegou a cair 13,3% entre a segunda-feira (17) e a terça-feira (18), logo após o pedido de recuperação judicial das Casas Bahia, realizado em 16 de agosto.

A HSI afirmou, em comunicado, que “no pedido de recuperação judicial apresentado pela Casas Bahia, a locação dos imóveis foi expressamente listada entre os contratos essenciais cuja manutenção a locatária
requereu ao juízo”.

A gestora reconheceu que a varejista ainda não pagou o aluguel referente a agosto. Mas assegurou que vai manter o patamar de dividendos de R$ 0,75 por cota a serem pagos em setembro, mesmo se a rede não efetuar o depósito.

Apesar da queda imediatamente após o pedido de recuperação, a cota do HSLG11 já recuperou quase metade da perda. Entre o fechamento da sexta-feira (14) e a cotação atual, o FII registra ainda uma queda de 7,3%.

Outro nome que aparece entre os mais impactados é o GGRC11 (Zagros Renda Imobiliária) acumula exposição simultânea tanto às Casas Bahia, quanto a outros varejistas em recuperação, como a Lojas Americanas. O veículo da Zagros tem sofrido com a crise do varejo e sua cota já acumula recuo de 12,30% neste ano atá agosto.

O VILG11 (Vinci Logística), por sua vez, tem lidado com o risco do varejo moveleiro. Entre os locatários do polo de Extrema (MG), estão a Tok&Stok e a Mobly, que pertencem ao Grupo Toky, também em RJ. O FII da Vinci acumula queda de 4,74% em 2026 até agosto.

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Em contrapartida, gigantes do setor com portfólios bilionários e pulverizados, a exemplo de HGLG11, do Patria, e BTLG11, do BTG Pactual, mantêm exposição residual a esses nomes – geralmente abaixo de 2% da receita total.

O fundo do Patria tem um patrimônio líquido de mais de R$ 10 bilhões, enquanto o do BTG exibe um portfólio de R$ 7,6 bilhões. A carteira mais diversificada tem ajudado a blindar suas cotações do estresse do varejo.

O segmento imobiliário conta com alguns amortecedores que impedem uma queda mais ampla. O predomínio de contratos atípicos, que impõem multas rescisórias pesadas e amarras jurídicas, dificulta o rompimento unilateral do aluguel, mesmo durante processos de reorganização de dívidas.

Um gestor que pediu anonimato explicou que o contrato atípico da Casas Bahia com o HSI logística é um exemplo. Tem um compromisso de locação de longo prazo, de mais de 20 anos, no qual a penalidade em caso de quebra é a cobrança antecipada dos valores.

Com isso, os investidores já consideram a possibilidade de o HSI acionar a garantia ao mesmo tempo em que busca um novo inquilino. Essa perspectiva ajudou a recuperar parte da queda vista no início da semana passada.

Além disso, a baixa oferta de espaços de primeira linha faz com que o eventual distrato de uma varejista endividada possa até representar uma oportunidade.

No caso de centros de distribuição mais modernos e bem localizados, a saída de um inquilino costuma ser absorvida rapidamente, com a ocupação por novos operadores logísticos mais capitalizados, como farmacêuticas ou plataformas do e-commerce.



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