O volume de contratos em aberto em futuros perpétuos de diferentes tokens subiu para quase US$ 160 bilhões, maior nível desde o fim de outubro do ano passado, mostram dados da Coinglass.
“Se os contratos em aberto e as taxas de financiamento continuarem acelerando mais rapidamente que a demanda no mercado à vista, aumenta o risco de uma correção provocada pela alavancagem”, afirmou Ryan Lee, analista-chefe da Bitget.
“O cenário macroeconômico não deixou de ser relevante; por enquanto, a demanda específica por Bitcoin tem sido forte o suficiente para superar essas pressões.”
Mais de US$ 920 milhões em apostas baixistas foram liquidados na segunda-feira com a disparada dos preços. A continuidade do fechamento de posições vendidas pode alimentar um short squeeze, já que operadores correm para recomprar ativos e encerrar apostas deficitárias, o que aumenta ainda mais a pressão de alta sobre os preços. Ainda assim, o volume de contratos em aberto continuou crescendo, sinal de que novas posições alavancadas entram no mercado mesmo com a liquidação forçada das posições vendidas.
“Um squeeze normalmente destrói contratos em aberto”, afirmou Rachael Lucas, analista da BTC Markets. “Desta vez, isso não aconteceu, o que significa que as posições estão sendo repostas imediatamente. Os operadores estão correndo atrás desse movimento, não reduzindo risco durante a alta. É por isso que os próximos 5%, em qualquer direção, serão mais rápidos do que as pessoas esperam.”
O Bitcoin recuou até US$ 85.093 na terça-feira, após disparar quase 8% no dia anterior, para US$ 87.381, maior nível desde janeiro.
Risco de reversão
Os futuros perpétuos — contratos sem vencimento definido — são o maior segmento das negociações de criptomoedas em volume e um importante termômetro do posicionamento especulativo.
A atual combinação de aumento dos contratos em aberto — o número de contratos ainda ativos — com o fechamento de posições vendidas indica que o rali não decorre simplesmente do encerramento de apostas baixistas e da redução da alavancagem.
Essas posições estão sendo substituídas por novas exposições, o que significa que um movimento de preços em qualquer direção pode desencadear uma onda de liquidações de posições vendidas ou o desmonte de posições compradas alavancadas.
“O principal ponto a observar é se a alavancagem avança mais rápido que o mercado à vista”, afirmou Caleb Lin, operador sênior de vendas do QCP Group.
“O aumento dos contratos em aberto em futuros perpétuos é saudável quando o mercado à vista acompanha o movimento. Quando cresce mais rapidamente, o mercado se torna reflexivo: uma reversão moderada provoca liquidações de posições compradas, que pressionam os preços para baixo e forçam uma nova redução da alavancagem.”
Esse é o mesmo mecanismo que levou à alta acima de US$ 83.000, forçando a saída de posições vendidas, acrescentou Lin. “O aumento da alavancagem nas posições compradas diante de um mercado à vista com pouca liquidez cria as mesmas condições no sentido inverso.”
O movimento mais recente também ocorre em meio ao aumento do interesse institucional pelo Bitcoin e por alguns tokens menores.
Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista nos EUA receberam US$ 999 milhões na segunda-feira, maior entrada líquida em um único dia desde 6 de outubro — quando o token atingiu a máxima histórica acima de US$ 126.000. Após registrarem fortes saídas no início da semana passada, os ETFs voltaram ao terreno positivo na quinta e na sexta-feira, atraindo US$ 593 milhões.
As altcoins também aderiram ao rali, com forte alta da Zcash, voltada à privacidade, enquanto o HYPE, token nativo da blockchain Hyperliquid, atingiu máxima histórica.
Por enquanto, os operadores não estão convencidos da sustentabilidade do rali. “Short squeezes fazem o preço subir, mas não criam investidores dispostos a manter suas posições”, afirmou Lucas. “Vou observar se a demanda no mercado à vista substituirá as recompras forçadas ao longo da próxima semana.”
