Economia

Bally Bagayoko: o prefeito na linha de frente dos protestos estudantis na França

Quando a tropa de choque francesa avançou contra uma multidão de estudantes que protestavam nesta semana, Bally Bagayoko, prefeito de um subúrbio operário da capital francesa, colocou-se à frente dos alunos do ensino médio e agiu como um escudo humano. “Parem! Para trás!”, gritou Bagayoko para os policiais, segundo um vídeo do confronto que viralizou....

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Quando a tropa de choque francesa avançou contra uma multidão de estudantes que protestavam nesta semana, Bally Bagayoko, prefeito de um subúrbio operário da capital francesa, colocou-se à frente dos alunos do ensino médio e agiu como um escudo humano.

“Parem! Para trás!”, gritou Bagayoko para os policiais, segundo um vídeo do confronto que viralizou. Com os braços estendidos, ele se apoiava nos estudantes que estavam atrás dele.

Bagayoko, de 53 anos, tem se colocado repetidamente na linha de frente dos protestos estudantis que se espalharam pelas escolas francesas neste mês, tornando-se um herói do movimento e um alvo de críticas de seus opositores.

Na semana passada, manifestantes estudantis carregaram o prefeito de extrema esquerda de Saint-Denis, ao norte de Paris, pelas ruas, enquanto gritavam “Bal-ly! Bal-ly!”.

A repercussão transformou Bagayoko em uma das principais figuras da França Insubmissa (France Unbowed), partido de extrema esquerda liderado por Jean-Luc Mélenchon, que vem subindo nas pesquisas às vésperas das eleições presidenciais da próxima primavera europeia.

Políticos de centro e de direita, porém, afirmam que Bagayoko está alimentando um movimento que provocou o caos, com manifestantes bloqueando muitas escolas e incendiando algumas delas.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu acusou a França Insubmissa de estar por trás dos protestos, depois que um memorando divulgado pela inteligência francesa apontou o envolvimento de políticos de extrema esquerda no movimento.

Desde então, os serviços de inteligência recuaram dessa conclusão, afirmou uma autoridade francesa. Segundo ela, o movimento começou espontaneamente, foi infiltrado por manifestantes violentos contrários ao sistema e, mais tarde, recebeu o apoio de Bagayoko e de outros integrantes da extrema esquerda.

Ainda assim, na semana passada, Bagayoko pareceu justificar a violência dos manifestantes caso sejam atacados pela polícia. “A violência pode ser legítima em determinado momento”, afirmou durante um protesto. “Mas, sempre que pudermos evitá-la, será melhor.”

A declaração levou a polícia de Paris a pedir aos promotores que abrissem uma investigação contra Bagayoko por incitação. Ele não respondeu a um pedido de comentário.

Os manifestantes entraram em confronto com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral para dispersá-los. O governo informou que 488 pessoas foram presas e 43 policiais ficaram feridos durante os protestos realizados no início desta semana. O Ministério do Interior também anunciou que a polícia deixaria de usar granadas de efeito moral contra os estudantes.

Dezenas de milhares de estudantes voltaram a protestar na quinta-feira, incluindo uma grande concentração na Place de la Bastille, local onde ficava a prisão invadida e demolida durante a Revolução Francesa.

Cerca de 71.500 pessoas foram às ruas em todo o país, segundo o Ministério do Interior. Ao todo, 504 pessoas foram presas e 48 policiais e integrantes da Gendarmaria ficaram feridos, informou o ministério.

Entre outros episódios, manifestantes incendiaram uma viatura policial em Estrasburgo, atacaram uma delegacia em La Rochelle e destruíram o refeitório de uma escola em Saint-Étienne.

Enquanto isso, Bagayoko pediu que o presidente Emmanuel Macron se desculpasse com as famílias dos estudantes feridos nos protestos. Segundo ele, “essa medida não exige bilhões, apenas humanidade”.

Saint-Denis, subúrbio com 150 mil habitantes, foi um dos primeiros lugares onde os estudantes começaram a protestar. A cidade está entre as regiões mais pobres da França e abriga uma grande população de imigrantes recentes de países em desenvolvimento. Desde então, os protestos se espalharam pelo território francês, de bairros nobres de Paris a cidades do interior do país.

Problemas na Educação

Na França, o sistema de ensino é financiado em grande parte pelo governo central, diferentemente dos Estados Unidos, onde os impostos locais são a principal fonte de recursos para as escolas públicas. Esse modelo evita disparidades orçamentárias tão grandes entre distritos ricos e pobres quanto as observadas nos EUA.

O governo francês afirma destinar recursos adicionais às regiões mais pobres, o que resulta em uma proporção menor de alunos por professor. No entanto, os docentes que trabalham nessas áreas tendem a ser mais jovens e menos experientes.

O descontentamento generalizado dos estudantes está por trás dos protestos. Eles afirmam que os professores faltam com frequência, que as instalações das escolas estão em más condições e que os dias letivos são longos demais. Os estudantes também pedem uma reforma no sistema de admissão às universidades francesas e melhorias na alimentação servida nos refeitórios escolares.

Filho de imigrantes do Mali, país da África Ocidental, Bagayoko é considerado uma liderança em ascensão na França Insubmissa, partido de esquerda radical liderado por Jean-Luc Mélenchon. Antes de entrar na política eleitoral, trabalhou por muitos anos como gerente da RATP, empresa estatal que opera o metrô, ônibus e outros serviços de transporte público de Paris e região metropolitana. Também atuava na política local antes de disputar as eleições para prefeito.

Ele venceu as eleições em março, com 51% dos votos, evitando a realização de um segundo turno contra os demais candidatos.

Nesta semana, Bagayoko defendeu sua participação nos protestos e afirmou que temia que a polícia pudesse ferir os estudantes.

“Eles recuaram porque sou uma figura conhecida”, disse Bagayoko.

Entre em contato com Matthew Dalton pelo e-mail Matthew.Dalton@wsj.com.

Traduzido do inglês por InvestNews



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