A Azul recebeu nesta terça-feira (29) R$ 1,3 bilhão em financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no âmbito do programa do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). A companhia terá acesso a até R$ 2,66 bilhões em recursos de longo prazo.
Segundo a Azul, o valor restante, de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, deverá ser disponibilizado no quarto trimestre de 2026. O financiamento tem prazo de até cinco anos e, segundo a companhia, reforça sua posição de liquidez e amplia a flexibilidade financeira para a gestão de passivos e a execução de seu plano estratégico.
O novo financiamento chega poucos meses depois de a Azul concluir uma ampla reestruturação financeira nos Estados Unidos. A companhia saiu do processo de Chapter 11, equivalente à recuperação judicial no Brasil, em fevereiro deste ano, cerca de nove meses após entrar com o pedido de proteção contra credores.
Como parte da reorganização, a Azul converteu dívidas em participação acionária e reduziu sua alavancagem. A empresa também passou a ter United Airlines e American Airlines como acionistas, em acordos firmados como parte da saída do Chapter 11. A participação da United já foi aprovada pelo Cade, enquanto a entrada da American ainda depende de análise do órgão.
A reestruturação, porém, deixou uma Azul menor em alguns aspectos. A companhia passou a operar em 11 cidades a menos do que antes da crise e reduziu sua capacidade, ao mesmo tempo em que adotou uma estratégia de maior foco em rentabilidade e em receitas além da venda de passagens, como carga, fidelidade, viagens e publicidade a bordo.
A reestruturação também reduziu o peso da dívida sobre o resultado da Azul. No primeiro trimestre, a relação entre dívida líquida e Ebitda caiu para 2,4 vezes, ante mais de cinco vezes um ano antes. A companhia pretende levar esse indicador para 1,5 vez nos próximos três anos.
Como parte da operação anunciada nesta terça-feira, a Azul fará o pré-pagamento de uma obrigação financeira existente de aproximadamente R$ 400 milhões. A dívida tem custo mais elevado que o novo financiamento.
O contrato definitivo de empréstimo com o BNDES foi celebrado pela Azul no âmbito do programa de financiamento do FNAC, voltado ao financiamento de longo prazo para o setor de aviação.
