As conversas, inicialmente esperadas para junho, foram adiadas enquanto a companhia reorganizava sua administração e definia uma estratégia para a era sem seu fundador.
Armani manteve a empresa independente e sob seu comando por cinco décadas. A instrução para vender uma parte do negócio surpreendeu o setor de luxo justamente por romper com essa postura.
Agora, seus sucessores precisam encontrar um sócio sem deixar de responder a uma questão mais ampla: como fazer a marca crescer sem o estilista que controlava tanto suas decisões criativas quanto as comerciais.
Uma possibilidade discutida informalmente é dividir os 15% entre os três grupos, segundo quatro fontes do FT. A ideia poderia acomodar interesses diferentes, mas nenhum dos potenciais compradores demonstra, por ora, disposição clara para fazer um investimento de grande porte.
L’Oréal e EssilorLuxottica já têm negócios com a Armani. A primeira licencia seus produtos de beleza até 2050; a segunda, suas linhas de óculos até 2038. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, proteger essas relações comerciais é uma prioridade para as duas.
A LVMH manifestou interesse em participar do processo, mas a composição do negócio Armani, mais concentrada em moda do que em acessórios de margens elevadas, não se encaixa de forma evidente em seu portfólio.
O preço também pode separar as partes. Pessoas próximas à Armani mencionaram uma avaliação de cerca de € 10 bilhões para a empresa, enquanto potenciais investidores estimam seu valor entre € 3 bilhões e € 7 bilhões. Se não surgir um comprador considerado adequado, uma abertura de capital (IPO) é uma alternativa prevista para o grupo.
Receita em queda
A negociação ocorre em um momento difícil para o luxo. A receita da Armani caiu pelo segundo ano seguido e chegou a € 2,19 bilhões em 2025.
Sob o comando do CEO Giuseppe Marsocci, a companhia trabalha em uma nova estratégia para suas marcas, com atenção especial a acessórios e à Emporio Armani, responsável por quase um terço das vendas.
Neste mês, o grupo nomeou Dario Vitale diretor criativo da Emporio Armani e dos acessórios Giorgio Armani. Ele é o primeiro profissional de fora da família a assumir essa função.
