A avaliação reforça, em tom mais duro, os questionamentos que a Squadra já havia apresentado em abril. Na ocasião, a gestora chamou a destruição de valor da Hapvida de uma das maiores da história do mercado de capitais brasileiro, criticou o conselho e a remuneração dos administradores e indicou três candidatos independentes para o colegiado.
Os três nomes acabaram eleitos por voto múltiplo. Na carta, a Squadra afirma que, excluídos os votos do bloco de controle e de uma instituição financeira contraparte dos controladores em uma operação de swap, seus indicados receberam aproximadamente 80% dos votos, ante cerca de 20% dos candidatos da administração.
A gestora agora defende uma solução mais abrangente para a companhia. Para ela, o enfrentamento do endividamento passa por desinvestimentos e pela simplificação do grupo.
A proposta pode ir além da venda das operações do Sul, já colocadas no mercado pela Hapvida, e alcançar as unidades adquiridas ao longo da expansão: “incluindo a relevante subsidiária Notre Dame Intermédica”.
A Squadra estima que uma agenda ampla de venda de ativos e alocação de capital racional poderia fazer com que a ação se multiplicasse “algumas vezes”.
A ideia seria reduzir a dívida e concentrar a gestão na Hapvida Assistência Médica, que reúne as operações do Norte e do Nordeste, regiões onde a casa vê com mais clareza as vantagens competitivas da empresa
A companhia colocou à venda a Clinipam e o Centro Clínico Gaúcho, no Sul, mas indicava que pretendia permanecer em São Paulo e tentar recuperar sua operação no maior mercado do país, justamente a região mais ligada à aquisição da Notre Dame.
Em julho, a Hapvida relançou a marca Notre Dame como uma unidade de negócios dedicada ao segmento de alta renda, um mercado em que a companhia ainda atua de forma limitada. A mudança também é uma tentativa de recuperar espaço no mercado paulista.
Apesar de enxergar potencial numa reorganização, a Squadra deixou claro que reduziu o risco. A gestora afirma que o investimento representa hoje apenas 1% de seus fundos. “O carrego de uma companhia alavancada, com deterioração sequencial de suas operações, é punitivo”, escreveu.
