Economia

Após pedir mudanças na Hapvida, Squadra vende ações e diz que investimento foi seu ‘maior erro’

A gestora Squadra reduziu sua participação na Hapvida e, em uma carta aos cotistas, fez uma autocrítica incomum sobre o investimento na operadora: classificou a companhia como “o maior erro de investimento” de sua história. Em comunicado ao mercado divulgado na segunda-feira (24), a Hapvida informou que a gestora passou a deter 19,46 milhões de...

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A gestora Squadra reduziu sua participação na Hapvida e, em uma carta aos cotistas, fez uma autocrítica incomum sobre o investimento na operadora: classificou a companhia como “o maior erro de investimento” de sua história.

Em comunicado ao mercado divulgado na segunda-feira (24), a Hapvida informou que a gestora passou a deter 19,46 milhões de ações, equivalentes a 3,87% do capital social, em 21 de agosto. Do total, 2,81 milhões de papéis estavam emprestados.

Em abril, a Squadra tinha cerca de 7% da companhia e liderava uma pressão pública por mudanças na gestão e no conselho. A redução da fatia, portanto, ocorre depois de a gestora praticamente cortar sua exposição pela metade.

Na carta mais recente, a gestora de Guilherme Aché afirma que errou em três dimensões na Hapvida: no preço pago pelas ações, nas perspectivas do negócio e na avaliação dos administradores. Para a Squadra, o último ponto foi o mais grave.

“Não havia capacidade de gestão e de execução à altura da ambição empresarial que se propuseram a realizar”, escreveu a casa. A crítica mira sobretudo a estratégia de aquisições e a integração das operações compradas.

Segundo a gestora, o problema foi repetidamente atribuído à falta de integração dos ativos, mas a própria integração acabou sendo “o golpe mais duro” para os resultados.

A avaliação reforça, em tom mais duro, os questionamentos que a Squadra já havia apresentado em abril. Na ocasião, a gestora chamou a destruição de valor da Hapvida de uma das maiores da história do mercado de capitais brasileiro, criticou o conselho e a remuneração dos administradores e indicou três candidatos independentes para o colegiado.

Os três nomes acabaram eleitos por voto múltiplo. Na carta, a Squadra afirma que, excluídos os votos do bloco de controle e de uma instituição financeira contraparte dos controladores em uma operação de swap, seus indicados receberam aproximadamente 80% dos votos, ante cerca de 20% dos candidatos da administração.

A gestora agora defende uma solução mais abrangente para a companhia. Para ela, o enfrentamento do endividamento passa por desinvestimentos e pela simplificação do grupo.

A proposta pode ir além da venda das operações do Sul, já colocadas no mercado pela Hapvida, e alcançar as unidades adquiridas ao longo da expansão: “incluindo a relevante subsidiária Notre Dame Intermédica”.

A Squadra estima que uma agenda ampla de venda de ativos e alocação de capital racional poderia fazer com que a ação se multiplicasse “algumas vezes”.

A ideia seria reduzir a dívida e concentrar a gestão na Hapvida Assistência Médica, que reúne as operações do Norte e do Nordeste, regiões onde a casa vê com mais clareza as vantagens competitivas da empresa

A companhia colocou à venda a Clinipam e o Centro Clínico Gaúcho, no Sul, mas indicava que pretendia permanecer em São Paulo e tentar recuperar sua operação no maior mercado do país, justamente a região mais ligada à aquisição da Notre Dame.

Em julho, a Hapvida relançou a marca Notre Dame como uma unidade de negócios dedicada ao segmento de alta renda, um mercado em que a companhia ainda atua de forma limitada. A mudança também é uma tentativa de recuperar espaço no mercado paulista.

Apesar de enxergar potencial numa reorganização, a Squadra deixou claro que reduziu o risco. A gestora afirma que o investimento representa hoje apenas 1% de seus fundos. “O carrego de uma companhia alavancada, com deterioração sequencial de suas operações, é punitivo”, escreveu.



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