Economia

Após frear expansão, Simpar busca valor no que construiu

A Simpar faturou R$ 9,97 bilhões com a prestação de serviços no terceiro trimestre, um recorde para o grupo de logística e transporte, dono de empresas como Movida, Vamos e JSL. A receita cresceu 11,3% em um ano, mesmo com a empresa reduzindo o ritmo de investimentos depois de um período de expansão acelerada. Os...

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A Simpar faturou R$ 9,97 bilhões com a prestação de serviços no terceiro trimestre, um recorde para o grupo de logística e transporte, dono de empresas como Movida, Vamos e JSL. A receita cresceu 11,3% em um ano, mesmo com a empresa reduzindo o ritmo de investimentos depois de um período de expansão acelerada.

Os números fazem parte de uma prévia dos resultados divulgada nesta sexta-feira (23). O crescimento veio principalmente de contratos fechados nos últimos 12 meses, reajustes de preços e aumento das operações das empresas do grupo. Movida e Automob foram as que mais contribuíram para o faturamento.

A Simpar passou por um período de expansão acelerada entre 2020 e 2023, quando comprou empresas, abriu lojas e ampliou sua frota de veículos e equipamentos. Desde então, o grupo vem reduzindo o ritmo dos investimentos.

Em entrevista ao InvestNews em maio, o presidente da Simpar, Fernando Simões, afirmou que a empresa havia entrado em um “ciclo de extração de valor de tudo que foi construído”, para aumentar a receita sem precisar investir tanto quanto nos anos anteriores.

A mudança também faz parte dos esforços da Simpar para reduzir o endividamento, que se tornou uma preocupação para investidores depois de anos de expansão.

No terceiro trimestre, a empresa manteve sua alavancagem financeira em 2,8 vezes, o menor nível desde sua estreia na bolsa, em 2010. O indicador, que mede o peso da dívida em relação à geração de caixa da empresa, já havia alcançado esse patamar no trimestre anterior.

Em 2023, no auge das aquisições, a alavancagem chegou a 3,7 vezes, perto do limite de 4 vezes estabelecido nos contratos com credores.

Venda de ativos e aumento de capital

Para reduzir o endividamento, a Simpar também começou a se desfazer de alguns negócios. Em agosto de 2025, anunciou a venda da Ciclus Rio, responsável pelo tratamento de resíduos na capital fluminense, por R$ 1,1 bilhão. Em abril deste ano, foi a vez da Ciclus Amazônia, que atua em Belém, por R$ 121,5 milhões.

Em julho, o grupo anunciou a venda da CS Porto Aratu, que opera dois terminais portuários na Bahia, em uma negociação avaliada em R$ 1,8 bilhão. O negócio ainda não foi concluído.

Na entrevista de maio, Simões afirmou que a venda de empresas não fazia parte de um plano permanente do grupo, mas admitiu que outras negociações poderiam acontecer.

“Não faz parte da nossa estratégia ter ativo à venda, mas em algum momento pode ter venda de ativo”, afirmou.

A Simpar também levantou R$ 3 bilhões com a emissão de novas ações da holding, da Movida e da Vamos, além de vender uma participação de 5% na JSL à BNDESPar.

Com essas operações, a dívida líquida da holding caiu 54% em um ano, para R$ 1,5 bilhão. A empresa também recomprou R$ 723 milhões em dívidas nos últimos dois trimestres.

Apesar do crescimento da receita e da redução do endividamento, ainda não é possível saber o quanto essas mudanças contribuíram para o lucro da Simpar.

A prévia não apresenta os resultados financeiros completos do terceiro trimestre, incluindo as despesas com juros, que têm pressionado os lucros do grupo nos últimos anos. O resultado completo sai em 4 de novembro.



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Redação A Notícia 24H.