A Simpar passou por um período de expansão acelerada entre 2020 e 2023, quando comprou empresas, abriu lojas e ampliou sua frota de veículos e equipamentos. Desde então, o grupo vem reduzindo o ritmo dos investimentos.
Em entrevista ao InvestNews em maio, o presidente da Simpar, Fernando Simões, afirmou que a empresa havia entrado em um “ciclo de extração de valor de tudo que foi construído”, para aumentar a receita sem precisar investir tanto quanto nos anos anteriores.
A mudança também faz parte dos esforços da Simpar para reduzir o endividamento, que se tornou uma preocupação para investidores depois de anos de expansão.
No terceiro trimestre, a empresa manteve sua alavancagem financeira em 2,8 vezes, o menor nível desde sua estreia na bolsa, em 2010. O indicador, que mede o peso da dívida em relação à geração de caixa da empresa, já havia alcançado esse patamar no trimestre anterior.
Em 2023, no auge das aquisições, a alavancagem chegou a 3,7 vezes, perto do limite de 4 vezes estabelecido nos contratos com credores.
Venda de ativos e aumento de capital
Para reduzir o endividamento, a Simpar também começou a se desfazer de alguns negócios. Em agosto de 2025, anunciou a venda da Ciclus Rio, responsável pelo tratamento de resíduos na capital fluminense, por R$ 1,1 bilhão. Em abril deste ano, foi a vez da Ciclus Amazônia, que atua em Belém, por R$ 121,5 milhões.
Em julho, o grupo anunciou a venda da CS Porto Aratu, que opera dois terminais portuários na Bahia, em uma negociação avaliada em R$ 1,8 bilhão. O negócio ainda não foi concluído.
Na entrevista de maio, Simões afirmou que a venda de empresas não fazia parte de um plano permanente do grupo, mas admitiu que outras negociações poderiam acontecer.
“Não faz parte da nossa estratégia ter ativo à venda, mas em algum momento pode ter venda de ativo”, afirmou.
A Simpar também levantou R$ 3 bilhões com a emissão de novas ações da holding, da Movida e da Vamos, além de vender uma participação de 5% na JSL à BNDESPar.
Com essas operações, a dívida líquida da holding caiu 54% em um ano, para R$ 1,5 bilhão. A empresa também recomprou R$ 723 milhões em dívidas nos últimos dois trimestres.
Apesar do crescimento da receita e da redução do endividamento, ainda não é possível saber o quanto essas mudanças contribuíram para o lucro da Simpar.
A prévia não apresenta os resultados financeiros completos do terceiro trimestre, incluindo as despesas com juros, que têm pressionado os lucros do grupo nos últimos anos. O resultado completo sai em 4 de novembro.
