Economia

‘Apocalipse da IA’ pode ajudar a bolsa brasileira no médio prazo

Um evento pegou o mercado financeiro de surpresa: o repentino alinhamento de gigantes da inteligência artificial (IA) para desacelerar o desenvolvimento dos novos modelos. Pode ser que tudo fique no discurso. Mas o mercado respondeu. Ações ligadas à IA operam em forte queda na tarde desta segunda (14). A Nvidia recuava 2,81%. A Micron, de...

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Um evento pegou o mercado financeiro de surpresa: o repentino alinhamento de gigantes da inteligência artificial (IA) para desacelerar o desenvolvimento dos novos modelos.

Pode ser que tudo fique no discurso. Mas o mercado respondeu. Ações ligadas à IA operam em forte queda na tarde desta segunda (14). A Nvidia recuava 2,81%. A Micron, de chips de memória, 4,90%; a Marvell, de infra para datacenters, 5,95%.

As novas incertezas para o setor de tecnologia americano, por outro lado, podem ser benéficas para o mercado brasileiro. Isso porque foi justamente a tese de diversificação para fora dos EUA que impulsionou o dinheiro internacional para o mercado local.

O fluxo ganhou tração em meio a uma crescente desconfiança em relação aos gastos das big techs com infraestrutura de IA, vistos como exagerados.

Em um cenário onde a força gravitacional das ações americanas de tecnologia volta a ficar mais fraca parte do dinheiro que orbita as bolsas de Nova York pode escapar de volta aos emergentes.

No ínicio do ano, o investidor estrangeiro entrou em peso no Brasil.

Entre janeiro e abril de 2026, colocou quase R$ 57 bilhões na B3 e empurrou o Ibovespa para perto dos 200 mil pontos; mas ele saiu em maio.

E saiu rapidamente: foram R$ 13,3 bilhões retirados em um único mês — a maior fuga mensal em quatro anos, segundo dados da Quantum.

O saldo do ano ainda é positivo, de R$ 22 bilhões até meados de setembro. Mas o recado ficou claro: o capital estrangeiro está aqui de passagem, fazendo apostas táticas, não plantando raízes. Quando a maré virou lá fora, foi embora.

Agora os ventos podem voltar a soprar a favor, se as dúvidas sobre o crescimento dos negócios de IA permanecerem nos próximos meses.

Isso significa que os investidores de fora podem voltar a trazer mais dinheiro do que tirar. Mesmo com a saída de recursos, os estrangeiros mantêm, desde o início de 2026, uma participação de mais de 60% no volume negociado na bolsa brasileira.

Significa, portanto, que sempre mantiveram um pé no mercado local. O que mudou foi o senso de oportunidade. Quando a maré virou de volta para os EUA e, mais especificamente, com a retomada da tese da tecnologia, o dinheiro internacional mais saiu do que entrou, mas continuou a manter forte presença no dia a dia.

Onde está o dinheiro?

Até o último fim de semana, o crescimento sustentado pela expansão da IA segurava as bolsas americanas perto das máximas históricas.

O artigo do CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicado no sábado (14), porém, pode ter causado uma alteração de forças no mercado.

O executivo levantou a bandeira sobre a necessidade de pisar no freio do ritmo de desenvolvimento da tecnologia para evitar a perda de controle sobre a IA. Logo em seguida, Sam Altman, CEO da OpenAI, junto com Elon Musk, endossaram o rival, sem pestanejar.

Nas bolsas globais, a mudança de tom levou as bolsas da Ásia a fecharem em queda. Os índice sul-coreano Kospi desabou 3,26% e o japonês Nikkei perdeu 0,81%.

Na Europa, a maioria dos mercados também segue em queda. O índice europeu Stoxx 600 traz um recuo de 0,49%, enquanto o alemão Dax cai 0,50% por volta de 14h50 no horário brasileiro.

Por aqui, o Ibovespa cai 0,90% aos 185,5 mil pontos. O dólar sobe 0,51% ante o real para R$ 5,14.

As bolsas americanas abriram em queda, mas passaram a se recuperar ao longo da sessão. O S&P 500 tem queda de 0,23%, enquanto o índice Nasdaq, que reúne a maior parte das companhias de tecnologia, cede 0,10%, mas chegou a recuar mais de 1%.

O ‘balde de água fria’ nos IPOs de IA

O principal gatilho para o recuo seletivo no setor de tecnologia foi um raro alinhamento de discursos entre as lideranças de IA durante o fim de semana.

Em um artigo divulgado no sábado, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu abertamente a necessidade de desacelerar o ritmo de aprimoramento dos modelos mais avançados de IA por razões de segurança.

Além disso, o executivo propôs um modelo de supervisão externa que ajudasse a manter sob controle os padrões no desenvolvimento da tecnologia.

As declarações ecooaram geral no setor.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou no próprio sábado que considera adiar a oferta pública inicial de ações (IPO) da empresa. Isso porque abrir o capital da companhia neste ano seria uma atitude “pouco prudente”, diante dos desafios de manter os riscos da rápida evolução da IA sob controle.

As declarações representaram um golpe para as expectativas em torno do que deve ser uma das maiores aberturas de capital da história, que pode levar o valor da OpenAI para a casa dos US$ 2 trilhões.

O empresário Elon Musk também deu respaldo público à necessidade de maior cautela no avanço da tecnologia. Em post no X, o dono da Tesla e SpaceX foi curto e assertivo: “Dario está certo”.

Petróleo se aproxima dos US$ 110 o barril

Os preços do petróleo também adicionam nesta segunda-feira mais fervura no mercado. As cotações voltaram a acelerar forte após a Arábia Saudita interromper o funcionamento de um oleoduto estratégico que contorna o Estreito de Ormuz e a falta de perspectiva sobre um acordo entre EUA e Irã.

O barril avança 1,12% a US$ 105 por volta de 14h50, mas chegou a subir 4,33% e negociar acima de US$ 109 na máxima do dia.



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Redação A Notícia 24H.