As gestoras Bain Capital e Advent International, interessadas na compra da Amil, teriam ampliado as exigências de garantias na reta final das conversas, o que colocou a operação de vez em risco, como mostrou o InvestNews no dia 1º de setembro.
O negócio, segundo pessoas próximas às conversas, poderia movimentar cerca de R$ 18 bilhões, considerando a venda de 100% da operadora de saúde.
Júnior, porém, sempre se viu como “um fazedor”, nas palavras de quem conhece o empresário. Ainda de acordo com pessoas próximas às negociações, ele gostaria de um sócio minoritário, com 20% a 30% da empresa. “Tem uma série de fundos atrás dele pra isso”, diz uma das pessoas familiarizadas com a operação.
As conversas haviam entrado em uma fase delicada nas últimas semanas, com divergências principalmente em relação às garantias exigidas pelos compradores para eventuais passivos que surgissem depois da aquisição e a pontos da estrutura fiscal da transação.
Na prática, Bain e Advent buscavam limitar o risco de assumir a companhia e descobrir posteriormente obrigações ou contingências que não estivessem previstas na avaliação original do negócio.
Entre os mecanismos discutidos estavam garantias que poderiam manter o vendedor responsável por determinados passivos mesmo após a transferência do controle.
As exigências também envolviam cláusulas de compliance. Segundo pessoas próximas às negociações, algumas condições passaram a ser consideradas difíceis de atender pelo lado vendedor, sobretudo quando tratavam de situações que poderiam escapar ao controle da companhia depois da conclusão da operação.
A posição do empresário na negociação era reforçada pelo desempenho recente da Amil.
Desde que comprou a operadora da UnitedHealth, Júnior conseguiu recuperar parte do crescimento e da geração de caixa da companhia. Segundo pessoas próximas ao empresário, ele teria recebido cerca de R$ 4 bilhões em dividendos e outros proventos desde a aquisição.
