Ambipar mantém análise contábil sob sigilo antes de assembleia de credores
A Ambipar vai manter sob sigilo a análise contábil de sua recuperação judicial, que reúne demonstrações financeiras, indicadores de desempenho, projeções e fluxo de caixa. O material será disponibilizado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e aos credores que fizerem solicitação administrativa à administração judicial. LEIA TAMBÉM: Obcecado por controle, Tércio Borlenghi viu a Ambipar...
A Ambipar vai manter sob sigilo a análise contábil de sua recuperação judicial, que reúne demonstrações financeiras, indicadores de desempenho, projeções e fluxo de caixa.
O material será disponibilizado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e aos credores que fizerem solicitação administrativa à administração judicial.
A restrição ocorre às vésperas da Assembleia Geral de Credores (AGC), marcada para esta segunda-feira, 25 de agosto. O encontro será realizado em formato híbrido, com participação presencial no Rio de Janeiro e opção virtual.
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A dificuldade de acesso a números atualizados está no centro da pressão de credores financeiros. O agente fiduciário Oliveira Trust e o banco Sumitomo pediram o adiamento da assembleia, sob o argumento de que não há visibilidade suficiente sobre os balanços recentes da companhia.
O relatório reforça o tamanho do problema informacional enfrentado por investidores e credores. A Ambipar está atrasada na divulgação de dados financeiros obrigatórios: o último ITR — formulário trimestral entregue à CVM — tem como data-base junho de 2025.
As demonstrações anuais de 2025 e os resultados trimestrais de 2026 foram adiados mais de uma vez. Em 14 de agosto, a empresa informou novo atraso e não indicou uma nova data para a divulgação.
A situação é agravada pela ausência de auditor independente para a holding. A Deloitte deixou de atuar como auditora da Ambipar, enquanto as demais empresas em recuperação são auditadas pela BDO.
Segundo a administração judicial, a controladora está em processo de substituição da auditoria, sem definição sobre quem revisará as demonstrações financeiras de 2025 e os relatórios trimestrais pendentes.
A administração judicial afirma que o sigilo busca preservar informações sensíveis de uma companhia aberta, sujeita às regras do mercado de capitais.
Tercio Borlenghi Jr, CEO da Ambipar
O próprio relatório, porém, reconhece que esses dados são necessários para que os credores avaliem a situação econômico-financeira do grupo e tomem uma decisão informada sobre o plano de recuperação.
A assembleia deve discutir o plano de recuperação apresentado pela companhia e eventuais mudanças. O documento da administração judicial diz que o acordo de apoio à reestruturação firmado com uma parcela majoritária dos detentores de green bonds com vencimentos em 2031 e 2033 deverá resultar em alterações no plano.
Em outra frente, a Ambipar contesta na Justiça do Rio de Janeiro o pedido de falência apresentado pela Addiante, locadora de caminhões, por uma dívida extraconcursal de R$ 187,7 milhões.
A companhia questiona a cobrança e sustenta haver controvérsias sobre o contrato, que previa pagamentos entre novembro de 2025 e junho de 2026.
Segundo o relatório da administração judicial, a Ambipar também ajuizou ação revisional e pediu a suspensão do processo de falência até o julgamento do caso.
No exterior, a Ambipar Emergency Response segue em processo de Chapter 11 nos Estados Unidos. A administração judicial registra que não há comunicação formal, no processo brasileiro, sobre um pedido de reconhecimento recíproco entre os dois procedimentos, como um Chapter 15 nos EUA.