“Esse fundo novo nos dá mais poder de fogo para investir em empresas no Brasil e na América Latina, em que já estamos bem ativos e com um pipeline [lista de empresas potenciais em estudo ou estágio mais avançado de negociação] bem forte”, disse Juan Pablo Zucchini, sócio diretor da Advent em São Paulo e Head de Private Equity para a América Latina, em entrevista ao InvestNews.
Atualmente, a Advent, que conta globalmente com US$ 109 bilhões em ativos sob gestão, já investe no Brasil e na região por meio de um fundo dedicado chamado Lapef VII. Os novos recursos do fundo global vão se somar, portanto, aos já existentes para a América Latina.
Segundo Zucchini, o interesse da Advent está concentrado em empresas de bens de consumo, varejo, tecnologia, saúde e negócios industriais.
Os recursos captados devem ser destinados em grande parte para novas empresas para o portfólio no Brasil e em LatAm, embora investimentos em companhias presentes também possam ocorrer.
A Advent se tornou o segundo maior acionista independente da Natura neste ano, com 8% do capital, atrás apenas da gestora brasileira Dynamo.
No fim do ano passado, liderou uma rodada de investimento na Skyone, empresa brasileira de tecnologia que oferece soluções em nuvem, de dados, inteligência artificial e cibersegurança, com aporte não revelado.
No caso da Amil, cujo interesse a Advent não confirma nem comenta, as negociações chegaram a avançar, mas acabaram não concluídas pela decisão do controlador, José Seripieri Filho, o Júnior.
Mais recentemente, o fundo participou das negociações para a fusão da Afya com a Yduqs, da qual é acionista relevante.
A operação, que envolveu apenas troca de ações e ainda depende de aprovações dos acionistas e regulatórias, vai dar origem a um dos maiores grupos de educação do país, líder em ensino de medicina.
A nova captação global, que acontece em um momento ainda desafiador da indústria global de private equity no mundo, com juros em alta nos Estados Unidos, foi favorecida no caso da Advent pelo histórico recente de devolução de capital aos investidores, segundo o executivo.
“O nosso track record em saídas [vendas de participações de empresas] na América Latina nos últimos 12 a 18 meses tem sido muito bom na comparação com métricas da indústria”, disse Zucchini.
Entre os negócios estiveram as vendas das empresas argentinas Prisma e Newpay à Visa em fevereiro, em negócio avaliado no mercado em US$ 1,5 bilhão e considerado o maior exit de private equity já realizado no país.
— Em atualização.
