Economia

A varejista japonesa que ameaça o domínio global da Zara e H&M

A receita anual da Fast Retailing, dona da Uniqlo, subiu 17%, para um recorde de ¥ 3,96 trilhões (US$ 25 bilhões), colocando o grupo japonês no caminho para ultrapassar a H&M e se aproximar da Inditex, dona da Zara, entre as maiores varejistas de roupas do mundo. Pouco conhecida no Brasil, a Uniqlo é uma...

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A receita anual da Fast Retailing, dona da Uniqlo, subiu 17%, para um recorde de ¥ 3,96 trilhões (US$ 25 bilhões), colocando o grupo japonês no caminho para ultrapassar a H&M e se aproximar da Inditex, dona da Zara, entre as maiores varejistas de roupas do mundo.

Pouco conhecida no Brasil, a Uniqlo é uma das maiores marcas de vestuário do mundo. A rede japonesa ficou conhecida por roupas casuais e básicas com foco em funcionalidade, como peças térmicas, roupas com proteção contra raios UV e tecidos leves para o calor.

A estratégia difere da de redes tradicionais de fast fashion, como Zara e H&M, que dependem mais da renovação rápida das coleções para acompanhar tendências.

A Uniqlo ainda não tem lojas no Brasil. A Fast Retailing chegou a estudar a entrada no mercado brasileiro, mas o projeto não avançou em meio às dificuldades relacionadas ao sistema tributário e aos custos de operação no país.

O resultado reforça a expansão internacional da Fast Retailing, que transformou a Uniqlo de uma rede japonesa de roupas casuais de baixo preço em uma marca global.

Europa e América do Norte

A companhia vem ampliando sua presença principalmente na América do Norte e na Europa, enquanto busca crescer em mercados como Índia, Austrália e Sudeste Asiático.

As vendas da Fast Retailing devem superar as da Hennes & Mauritz, dona da H&M, que, segundo projeções de analistas, deve registrar receita de 222,7 bilhões de coroas suecas (US$ 22,3 bilhões) no ano fiscal até novembro. A distância para a Industria de Diseño Textil, dona da Zara, também diminuiu.

Ainda assim, o fundador e CEO da Fast Retailing, Tadashi Yanai, precisa mais que dobrar as vendas anuais para alcançar sua meta de longo prazo de ¥ 10 trilhões (cerca de US$ 63 bilhões) e construir o gigante global do vestuário que há anos idealiza.

“Nosso marco de alcançar ¥ 10 trilhões (cerca de US$ 63 bilhões) em vendas está agora à vista”, disse Yanai em uma entrevista coletiva em Tóquio. “O objetivo de nos tornarmos o número 1 global está claro desde a nossa fundação.”

Para o próximo ano fiscal, que termina em agosto de 2027, a Fast Retailing projetou lucro operacional de ¥ 830 bilhões (cerca de US$ 5,2 bilhões), em linha com a média das estimativas dos analistas. A previsão de receita é de ¥ 4,45 trilhões (cerca de US$ 28 bilhões), também em linha com as expectativas.

A estratégia da Uniqlo, de priorizar roupas básicas e funcionais em vez de depender da rápida mudança de tendências, tem ajudado a empresa a construir uma posição difícil de replicar, segundo Takahiro Kazahaya, analista do UBS em Tóquio.

“Eles estão perto de ser únicos”, disse.

O lucro operacional subiu 34%, para ¥ 743 bilhões (cerca de US$ 4,7 bilhões), superando a média das estimativas dos analistas.

Questionado sobre a disputa com a dona da Zara, Yanai afirmou que as duas companhias têm características diferentes e exploram seus respectivos pontos fortes.

“Queremos desenvolver nossas marcas de modo que, quando as pessoas pensarem: ‘Será que existe algo assim por aí?’, a Uniqlo seja a primeira coisa que venha à mente”, disse Yanai. “Até agora, fizemos isso principalmente no Japão, mas acredito que chegou a hora de expandir isso globalmente.”

Exterior

As vendas nas mesmas lojas da Uniqlo no Japão subiram 5,1% no ano, impulsionadas pela demanda por linhas funcionais, como as calças Ultra Stretch e produtos com proteção contra raios UV, além de peças alinhadas às tendências, como as calças de modelagem barrel.

O exterior continuou sendo o principal motor de crescimento. A operação internacional da Uniqlo registrou receita recorde de ¥ 2,41 trilhões (cerca de US$ 15,2 bilhões), alta de 26%, e lucro de ¥ 440 bilhões (cerca de US$ 2,8 bilhões), avanço de 44%.

Pela primeira vez, as vendas combinadas na América do Norte e na Europa superaram as da China continental.

Nos Estados Unidos, a Fast Retailing abriu e reformou lojas no último ano, incluindo uma segunda unidade na Quinta Avenida, em Nova York, e uma loja principal em Chicago. A companhia também ampliou a exposição da marca por meio de uma parceria com a Major League Baseball. No início deste ano, o campo do Dodger Stadium passou a se chamar Uniqlo Field.

Yanai disse anteriormente à Bloomberg que pretende alcançar ¥ 3 trilhões (cerca de US$ 19 bilhões) em vendas anuais nos Estados Unidos e ampliar a presença da Uniqlo no centro do país. O executivo também citou nesta quinta-feira os próximos mercados de expansão.

“Estamos iniciando um grande desafio voltado para nossa próxima fase de crescimento”, disse. “Uma das etapas fundamentais que impulsionarão esse próximo crescimento é o Sudeste Asiático, a Austrália e a Índia.”



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Redação A Notícia 24H.