O Selo Drink Seguro começou a ser distribuído gradualmente em fevereiro, por razões logísticas. Atualmente, está presente em 100% do portfólio de produtos importados da Diageo no Brasil.
As exceções são os RTDs (bebidas prontas para consumo), como as versões “ice”, e a Ypióca. Segundo a companhia, essas categorias têm menor exposição ao mercado informal.
O tamanho desse mercado ajuda a explicar a preocupação das fabricantes. Segundo dados da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) e da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), a pirataria e a adulteração geram perdas superiores a R$ 80 bilhões por ano no Brasil.
As entidades estimam ainda que entre 28% e 36% das bebidas destiladas comercializadas no país sejam ilegais. O cálculo inclui produtos falsificados, adulterados e contrabandeados.
Bebidas adulteradas podem chegar ao consumidor com preços cerca de 35% inferiores aos dos produtos originais, diferença que alcançaria 48% em marketplaces.
A fiscalização do setor é dividida entre órgãos municipais, estaduais e federais. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) regula o registro e o processo de produção e pode fiscalizar fabricantes e distribuidoras.
As vigilâncias sanitárias verificam as condições dos estabelecimentos, enquanto os Procons conferem informações como origem, validade, ingredientes e preços.
Em casos de suspeita de falsificação, a investigação cabe às polícias estaduais ou federal.
O Brasil também possui um mecanismo oficial de controle por meio de selos nas garrafas. Emitidos pela Casa da Moeda e administrados pela Receita Federal, eles têm como principal objetivo acompanhar a circulação dos produtos e assegurar o recolhimento de impostos.
Esse sistema não é um certificado de qualidade. A ausência do selo pode levar à apreensão da garrafa e gerar multa para a empresa, mas críticos afirmam que as identificações oficiais também podem ser falsificadas.
O Selo Drink Seguro é diferente desse mecanismo e não o substitui. Trata-se de uma tecnologia voluntária, criada pela própria Diageo para autenticar suas embalagens e indicar possíveis sinais de violação.
Uma camada a mais contra a falsificação
Para fazer a verificação, o consumidor precisa apontar a câmera do smartphone para o selo, que direciona automaticamente para a plataforma Diageo.ID.
Cada identificação possui uma impressão digital única, chamada de fingerprint, formada por mais de 27 trilhões de combinações. Segundo a Diageo, o padrão é analisado por inteligência artificial e tem 99,99% de eficácia anticópia, além de certificação internacional ISO 12931.
Esse percentual mostra a capacidade da tecnologia de dificultar a reprodução do selo e identificar se a identificação apresentada corresponde ao registro original da companhia.

A tecnologia foi desenvolvida em parceria com a Securetrace, especializada em autenticação e identificação de alta segurança. De acordo com as empresas, soluções da companhia também são utilizadas no passaporte brasileiro, em cédulas de R$ 100 e no mercado de medicamentos.
Se o selo não for reconhecido após uma nova tentativa, a orientação é não consumir a bebida. O consumidor pode preencher um formulário com informações sobre a garrafa, que serão analisadas pela Diageo e, quando necessário, compartilhadas com as autoridades.
O selo também poderá ser usado em bares e restaurantes. Ao abrir a garrafa, a identificação é rompida para impedir sua reutilização, mas a impressão digital continua disponível para novas consultas. Com isso, o cliente poderá pedir para conferir a garrafa usada na preparação de um drinque.
A empresa não informa quantas verificações podem ser feitas por embalagem. Afirma, porém, que o sistema consegue identificar padrões anormais de consulta. Uma garrafa submetida a um número incompatível de verificações pode gerar um alerta e contribuir para o mapeamento de possíveis desvios.
“Essa é uma iniciativa que tem como ambição coibir e dificultar casos de falsificação para que casos como esse que aconteceram durante a crise nunca mais voltem a acontecer”, disse Guilherme Martins, vice-presidente de Marketing e Inovação da Diageo Brasil, em entrevista ao InvestNews.

Segundo o executivo, a companhia monitorou semanalmente a confiança dos consumidores durante a crise. Os níveis atuais, afirmou, já estão próximos dos registrados antes do episódio. Nos últimos 12 meses, a operação da Diageo na América Latina cresceu 7,7%, impulsionada pelo avanço de dois dígitos no Brasil.
“Essa não é uma iniciativa olhando para o passado. É uma iniciativa olhando para o futuro”, afirmou Martins.
O projeto foi desenvolvido pela equipe brasileira da Diageo, com acompanhamento das estruturas globais da multinacional. A empresa avalia que a solução poderá ser levada a outros países, embora, por enquanto, esteja restrita ao Brasil.
A tecnologia da Securetrace também pode ser contratada por outros fabricantes, que precisariam desenvolver uma identificação própria.
Na avaliação do executivo da Diageo, a adoção de soluções semelhantes ajudaria a proteger a reputação de todo o setor, já que o consumidor nem sempre consegue diferenciar a fabricante por trás de cada marca.
