Manter uma exposição menor a títulos e cerca de 10% a 15% de uma carteira em ouro, além de “um pouco” de bitcoin, poderia tanto reduzir os riscos quanto aumentar os retornos, disse Dalio, que há muito tempo alerta para os perigos do crescimento da dívida pública.
Os comentários acontecem em um momento em que os rendimentos dos Treasuries de longo prazo subiram para máximas de vários anos e o Japão, maior credor estrangeiro dos EUA, vendeu títulos americanos para sustentar o iene.
Para conter a queda no mercado de títulos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou nesta semana planos para aumentar as recompras de títulos de dívida de longo prazo — uma medida surpreendente que, até agora, proporcionou pouco mais do que um suporte de curto prazo.
Os acontecimentos mais recentes são consistentes com o modelo de ciclo da dívida que Dalio apresentou em seu livro How Countries Go Broke: The Big Cycle (em tradução livre: “Como os países quebram: o grande ciclo“), escreveu ele.
Segundo Dalio, o aumento dos custos do serviço da dívida acaba entrando em conflito com uma demanda insuficiente dos investidores, obrigando os governos a aceitar taxas de juros mais altas ou os bancos centrais a imprimir dinheiro para comprar a dívida. Isso enfraquece as moedas e alimenta a inflação ao longo do processo.
Dalio estima que a receita do governo americano será de cerca de US$ 5,5 trilhões neste ano, contra US$ 7,5 trilhões em gastos, deixando um déficit de US$ 2 trilhões. Somente os custos com juros deverão chegar a aproximadamente US$ 1 trilhão neste ano, enquanto cerca de US$ 10 trilhões em dívidas precisarão ser refinanciados.
Sem uma mudança de rumo, uma crise da dívida dos EUA poderia chegar “em três anos, para mais ou para menos dois”, afirmou Dalio.
Ele defende a redução do déficit orçamentário para 3% do Produto Interno Bruto (PIB), ante o nível atual de aproximadamente 6%, por meio de uma combinação de cortes de gastos, aumento da arrecadação tributária e redução das taxas de juros.
Dalio afirmou que pressões fiscais semelhantes estão afetando países como Reino Unido, China e Japão.
É por isso que “espero que moedas que não sejam produzidas pelos governos, como ouro e Bitcoin, tenham um desempenho relativamente bom”, escreveu ele.
