Política

Vitória histórica contra a extrema direita faz Brasil virar herói anfifascista mundial

“A vitória de Lula nos dá esperança e mostra que é possível derrotar a extrema direita!” O post, em tom de celebração, foi publicado nas redes sociais pelo partido alemão Die Linke (A Esquerda) na segunda-feira (26), logo após as eleições brasileiras, enquanto o Brasil ainda celebrava o maior baile da democracia dos últimos tempos....

Por · 07:52 5 min de leitura
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“A vitória de Lula nos dá esperança e mostra que é possível derrotar a extrema direita!” O post, em tom de celebração, foi publicado nas redes sociais pelo partido alemão Die Linke (A Esquerda) na segunda-feira (26), logo após as eleições brasileiras, enquanto o Brasil ainda celebrava o maior baile da democracia dos últimos tempos.

O partido alemão não foi o único. A vitória histórica de Lula e a derrocada da extrema direita, representada pela família Bolsonaro, foi comemorada por todos os partidos de esquerda e pela imprensa progressista mundial. E nós, que moramos fora do Brasil, recebemos parabéns de amigos e colegas.

O Brasil é, no momento, uma espécie de herói antifascista do mundo. “Brasilien bleibt stabil” (algo como “o Brasil continua firme”), publicou o maior jornal de esquerda da Alemanha, o Taz, usando uma frase da cena antifascista para celebrar a resistência. “O Brasil resiste!”, escreveu, na capa, o jornal catalão El Punt Avui.

As manifestações positivas por parte da imprensa, políticos e ativistas de esquerda são tantas que nem cabem todas nessa coluna.

As celebrações passaram também para o espaço público e o “fazer o L” tornou-se um símbolo de resistência progressista mundial. Uma das primeiras a adotar o gesto foi a ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau, que pediu que uma multidão fizesse o L de Lula durante um comício em Madri. O gesto foi adotado também pela presidente do México, Claudia Sheinbaum. Em um vídeo publicado nas redes sociais,  estudantes franceses apoiadores do socialista Jean-Luc Mélenchon, candidato a presidente que vem subindo nas pesquisas para as eleições do ano que vem, fazem o L com as mãos e em seguida o M de Mélenchon.

As manifestações que reuniram milhares de pessoas no país, a força dos estudantes e as imagens de idosos com problemas de mobilidade indo votar rodaram o planeta e impressionaram todo mundo. Mas outro personagem, além de Lula, causa frisson. Trata-se do do deputado federal André Janones, criador do grupo de Whatsapp Exército do Lula, que foi um dos grandes responsáveis pela vitória da esquerda dentro das redes sociais, território que antes era dominado com folga pela extrema direita.

Como eles conseguiram? A imprensa e ativistas tentam descobrir essa fórmula e grupos de Whatsapp estilo “o exército de Lula” se espalham pelo mundo. Já há grupos semelhantes na Espanha, na França, na Argentina e na Colômbia.

Será que tudo isso é uma empolgação momentânea?  Pode ser. Mas não podemos negar que o Brasil é, no momento, um exemplo claro de que derrotar a extrema direita é possível e que isso faz as pessoas pensarem: “se eles podem, também posso.”

Solidariedade internacional no X

Um dos movimentos mais interessantes, que mostra a admiração dos estrangeiros e a empolgação dos brasileiros, acontece no X, antigo Twitter. Ali, jovens  brasileiros comuns tentam ensinar o segredo que aprenderam nas três semanas entre o primeiro e o segundo turno para colegas progressistas da França, da Espanha, da Argentina e até do Japão.

Os estrangeiros se mostram mega empolgados com o “case” Brasil e tentam entender dicas dadas pelos seus colegas vencedores. “Gente, vamos fazer como os brasileiros. A gente não pode mais engajar em post da extrema direita, vamos bloquear os perfis de extrema direita e nunca interagir com eles”, escreveu um jovem antifascista francês na rede.

Alguns brasileiros, muito animados, tentam ajudar outros países que tentam combater a extrema direita, como a Espanha. “Gente, vamos ajudar os espanhóis, eles precisam vencer a extrema direita e fizeram um grupo de Whatsapp mas por enquanto só tem 20 mil pessoas. Vamos ajudar!”, escreveu um jovem.” “Galera do Exército do Lula, agora é para trabalhar pro Mélenchon, pro Sanchez ou para os dois?”, perguntou outro.

A própria campanha de Pedro Sánchez, que tenta se reeleger em novembro nas eleições gerais que acontecem no país,  está empolgada. “Vamos fazer o mesmo que o Lula fez no Brasil. O mundo está olhando para nós. Se o Brasil pode, nós também podemos”, disse Sánchez, em um comício, após a eleição de Lula.

Os brasileiros vão, com sua experiência de sucesso, conseguir ajudar o mundo a se livrar da onda de extrema direita que assola o planeta? Não sabemos e essa é uma tarefa realmente difícil, mas também não é isso que importa. O mais importante é que mostramos com o nosso exemplo que isso é possível quando a sociedade se organiza, trabalha sério, deixa diferenças políticas de lado e se une de verdade contra a extrema direita.

Tomara que essa vitória da sociedade civil e seu sucesso mundo afora sirva também para acabar com nosso complexo de vira-lata. Há anos repetimos que somos acomodados, que “não vamos para a rua lutar pelos nossos direitos, que os franceses, por exemplo, que são legais porque estão sempre se manifestando etc. Agora, o que acontece é o contrário e devemos, sim, nos orgulhar.  Está provado que é possível resistir contra o fascismo em português bem “brasileiro”. E o mundo aplaude e pede bis.





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Redação A Notícia 24H.