Nacional

Tribunal com gravata e sono

Passei um tempão assistindo julgamentos do STJD. Cusparada na Vila, multa. Depois o julgamento do Abel e o microfone: punição de dois jogos. Quando levantei, não estava indignado. Estava com sono. Olha, o assunto não é esse. Cuspir em campo é uma porcaria. Chutar microfone também. O problema é o jeito. A gente vê filme...

Por · 17:12 1 min de leitura
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Passei um tempão assistindo julgamentos do STJD. Cusparada na Vila, multa. Depois o julgamento do Abel e o microfone: punição de dois jogos.

Quando levantei, não estava indignado. Estava com sono.

Olha, o assunto não é esse. Cuspir em campo é uma porcaria. Chutar microfone também. O problema é o jeito.

A gente vê filme de tribunal e pensa: ali tem gente pensando. Argentina, 1985. Os Sete de Chicago. Luta por justiça. Tem acusador afiado, defesa esperta, juiz que segura o recinto. Tem frase que fica. Tem silêncio que pesa.

Lá não.

Lá é artigo, artigo, “conforme já mencionado”, “nos termos da denúncia”. Todo mundo educado. Todo mundo correto. E ninguém segura ninguém na cadeira.

Eu sei que não é Hollywood. Ninguém pediu lágrima nem trilha. Pediu pulso. Pediu que quem fala lembre que tem gente ouvindo.

Porque o torcedor não quer novela. Quer entender o que está em jogo. Quer sentir que aquilo tem peso.

Hoje o que teve foi gravata, microfone e um relógio andando devagar. Justiça desportiva, tudo bem. Espetáculo, zero.
Tribunal sem tensão não é sobriedade. É sono com gravata.​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​Até a próxima.,



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