Já o IPCA+ 2040 apresenta um avanço de 9% no mesmo período.
O Tesouro Prefixado 2032 registrou um ganho mais modesto em setembro, de 2,9%. Ainda assim, bem acima do CDI no período de 1,08%.
Entre as aplicações, só a bolsa andou mais que o Tesouro Direto. O Ibovespa acumulou alta de 5,03% no mês passado.
Já o dólar fechou o período com uma leve queda de 0,10% ante o real.
Semana forte na renda fixa
Só nesta semana, os títulos atrelados à inflação e prefixados do Tesouro Direto aceleraram a alta. O Tesouro IPCA+ 2040, por exemplo, acumula avanço de quase 0,7% desde o dia 28 de setembro.
Já o Tesouro IPCA+ 2050 sobe 2% nos últimos quatro dias.
O Tesouro Prefixado 2032 tem alta de 0,2% na semana até a quinta-feira.
Ruim lá fora…
Em setembro, houve um descolamento do cenário externo.
Lá fora, em meio a uma perspectiva de mais altas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) antes do fim do ano, e com uma pressão estrutural trazida pelo crescente endividamento nos EUA, tanto público quanto corporativo, as taxas de retorno continuam a subir.
Os títulos do Tesouro americano de vencimentos mais longos, como os de 10 anos e 30 anos, já alcançam o maior nível desde 2002.
O Treasury de 10 anos sobe nesta quinta-feira (1) a 5,31% ao ano.
O papel de 30 anos do Tesouro dos EUA já está em 5,66% anuais.
O Fed voltou a elevar os juros em 0,25 ponto percentual em setembro, no primeiro movimento de alta em três anos, para o intervalo de 3,75% e 4,00%.
Com uma inflação que resiste acima de 3% ao ano, portanto, bem superior à meta de 2%, o mercado prevê que o banco central americano tenha de subir os juros ao menos mais uma vez ainda neste ano.
As estimativas chegaram a colocar mais duas altas na conta do Fed em 2026, mas após os dados de inflação do PCE de agosto na quarta-feira (30), medida de preços preferida pelo BC dos EUA, o mercado voltou para a projeção de mais uma elevação.
O índice de preços de consumo pessoal avançou 0,3% em agosto na comparação com julho e 3,4% na leitura anualizada. Já o núcleo, que desconsidera itens mais voláteis como energia e alimentos, acumula alta de 3% em 12 meses e subiu 0,2% no mês.
Os números vieram abaixo das expectativas, que colocavam o PCE em 3,7% e o núcleo em 3,4%.
A CME FedWatch, que acompanha o posicionamento de investidores sobre os rumos futuros da política monetária americana, chegou a mostrar 60% de chances de uma nova subida de juros no fim de outubro antes do dado de inflação.
Após o PCE, o cenário inverteu: agora o mercado coloca 65,1% de chances de manutenção na próxima reunião. Para o encontro de dezembro, porém, o FeWatch coloca 89% de possibilidades de nova elevação de 0,25 ponto.
A perspectiva de um Fed um pouco menos duro impulsionou a busca por mais risco entre os investidores globais.
Melhor aqui dentro
Por aqui, os mercado tem colocado nos preços a perspectiva de cortes de juros tanto em novembro quanto em dezembro.
A ferramenta Opções de Copom, similar ao FedWatch mas voltada para o Brasil, mostra 68% de chances de um corte na Selic no início de novembro.
Para a reunião de dezembro, o mercado coloca uma probabilidade de 53,5% de mais uma redução da taxa básica.
Se houver mais dois cortes no ano, a Selic sai dos atuais 13,75% ao ano para 13,25%.
A perspectiva ajudou a trazer uma valorização significativa para os títulos de renda fixa brasileiros no mês passado.
O movimento ganhou força com um ambiente de maior otimismo diante de um ciclo contínuo de corte na Selic, a redução dos prêmios de risco fiscal e o alívio de incertezas trazido pela reta final da corrida eleitoral.
Em paralelo, a proximidade do primeiro turno das eleições traz um cenário totalmente indefinido, com os principais candidatos empatados tecnicamente.
Passou a ganhar força a visão de que, qualquer que seja o governo eleito, ele terá de enfrentar um ajuste nas contas públicas. Ainda que, na perspectiva dos investidores, a consolidação fiscal possa ser maior ou menor conforme a candidatura vencedora, houve uma redução dos juros em contratos de mais longo prazo.
Na renda fixa, quando as taxas caem, os preços dos títulos sobem. No caso do Tesouro Direto, por exemplo, os retornos tem caído gradativamente, com consequente subida dos preços dos papéis e do saldo em reais de quem tem os ativos na carteira.
A taxa do Tesouro IPCA+ 2040, por exemplo, começou o mês passado em 7,43%. Na quarta-feira, último dia de negociações de setembro o retorno tinha caído para 7,19% ao ano – e isso ajudou a valorizar o papel.
O IPCA+ 2050 recuou ainda mais. O título saiu de 7,33% para 7% em 30 dias.
Bolsa também em alta
Ao mesmo tempo, o alívio na chamada “curva de juros” – formada pelas projeções da taxa no mercado ao longo do tempo – abriu espaço para um fluxo comprador na bolsa.
A perspectiva de queda da Selic impulsionou as ações de empresas mais sensíveis ao ciclo econômico doméstico, como as de varejo, construção civil, consumo e tecnologia, além de beneficiar grandes estatais.
Em conjunto, 17 ações subiram mais de 10%.
A ação do Magazine Luiza (MGLU3) liderou o pelotão: subiu 55% no mês. Dois fatores destacaram o papel no mês passado: a parceria com o Mercado Livre e a expectativa em juros menores, o que ajuda na retomada do consumo.
Na sequência vieram a Vamos (VAMO3), de transporte, que avançou 43,81% em setembro, o Assaí (ASAI3), com 29,50%, e a Yduqs (YDUQ3), com subida de 27,61% diante da fusão com a Afya.
No balanço final do mês, a combinação entre corte de juros locais e a visão de copo meio cheio no ciclo eleitoral falou mais alto, mesmo em meio à cautela diante do aperto monetário americano.
