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Rogério Marinho diz que só irá falar sobre fuga depois que Flávio se manifestar

O coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), o senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta terça-feira (27) que não irá se manifestar até que o candidato derrotado nas eleições se manifeste. A declaração foi dada em um video do portal Metrópoles. O senador deixou o Brasil e está a bordo de um avião com destino...

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O coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), o senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta terça-feira (27) que não irá se manifestar até que o candidato derrotado nas eleições se manifeste. A declaração foi dada em um video do portal Metrópoles.

O senador deixou o Brasil e está a bordo de um avião com destino aos Estados Unidos, segundo apuração da Jovem Pan .A informação foi confirmada pela reportagem com fontes da Polícia Federal (PF) e interlocutores próximos à família Bolsonaro e à campanha do parlamentar, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.

A saída ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes de Flávio e proibi-lo de viajar ao exterior.

A Jovem Pan apurou que, antes da viagem, Flávio discutiu a possibilidade de deixar o Brasil com um grupo muito restrito de pessoas próximas.

Nas conversas, foram avaliados diferentes caminhos para uma eventual saída do país, mas o senador não chegou a comunicar uma decisão definitiva de viajar. Pelo contrário: disse aos interlocutores que preferia permanecer no Brasil para exercer o papel de oposição ao governo Lula.

No domingo (25), dia do segundo turno das eleições, deputados defenderam que a Argentina seria o caminho mais fácil caso Flávio decidisse deixar o território brasileiro. A possibilidade de atravessar a fronteira com o país vizinho passou a ser considerada nas discussões sobre as alternativas disponíveis ao senador.

Apesar dessas conversas, pessoas próximas afirmam que Flávio não havia confirmado que deixaria o Brasil. Parte dos aliados foi surpreendida nesta terça-feira pelas informações sobre a viagem.

A Jovem Pan tenta contato com Flávio Bolsonaro desde o início da manhã, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. A dificuldade para localizar o senador também foi relatada por integrantes da campanha, aliados políticos e pessoas próximas à família.

A confirmação de que o parlamentar está em um avião a caminho dos Estados Unidos representa um novo desdobramento das informações que começaram a circular durante a madrugada sobre uma possível saída pela fronteira com a Argentina. O local de embarque, a rota efetivamente utilizada e o aeroporto de destino ainda não foram confirmados pela reportagem.

Aliados não conseguem falar com Flávio

A ausência de Flávio Bolsonaro provocou uma série de consultas entre pessoas próximas ao senador desde as primeiras horas desta terça-feira. Conforme revelou a colunista Beatriz Manfredini, da Jovem Pan, integrantes da campanha e aliados políticos relataram que não conseguiam estabelecer contato com o parlamentar.

Segundo uma pessoa próxima, seguranças que estavam na porta da residência de Flávio, em Brasília, desde as 7h afirmaram não ter observado movimentação no imóvel.

Durante a manhã, pessoas que estiveram com o senador na segunda-feira negavam a possibilidade de uma fuga. Um integrante da campanha afirmou que a hipótese de deixar o país nunca havia sido discutida. Outros interlocutores disseram não ter informações sobre seu paradeiro.

Posteriormente, pessoas próximas receberam a informação de que Flávio havia deixado o Brasil. A notícia foi divulgada inicialmente pela jornalista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e confirmada pela Jovem Pan.

A apuração da emissora revelou que apenas integrantes do chamado núcleo duro do senador tinham conhecimento da movimentação. Grande parte dos aliados foi surpreendida pela notícia. Entre as informações que circulavam no entorno de Flávio estava a possibilidade de uma passagem pela Argentina antes da viagem aos Estados Unidos.

Nos bastidores, integrantes do PL e autoridades próximas ao senador passaram a defender que ele se manifestasse publicamente, por meio de vídeo ou comunicado, para esclarecer seu paradeiro. A avaliação desse grupo é que a ausência de explicações poderia ampliar a crise política e prejudicar o bolsonarismo.

Flávio não entregou passaportes à Polícia Federal

A saída do Brasil ocorre em meio a uma determinação judicial que impedia Flávio Bolsonaro de viajar ao exterior.

Na segunda-feira (26), o senador informou que havia sido abordado pela Polícia Federal e intimado a entregar seus passaportes comum e diplomático, por ordem do ministro Alexandre de Moraes.

A determinação também o proibia de deixar o território nacional e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado em um procedimento que tramita no STF.

Segundo apuração da Jovem Pan, o prazo para a entrega dos documentos terminou às 11h desta terça-feira (27), sem que Flávio cumprisse a determinação.

Pela manhã, havia a expectativa de que o senador se encontrasse com seus advogados para providenciar a entrega dos passaportes. A reunião, entretanto, não aconteceu.

Em vídeo divulgado nas redes sociais na segunda-feira, Flávio criticou a decisão de Moraes, classificou a medida como uma tentativa de intimidação e afirmou que cumpriria a ordem judicial.

“Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.

Na ocasião, o senador também afirmou que não pretendia deixar o Brasil.

A medida judicial está relacionada a investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e apurações referentes ao financiamento de um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse.

No dia 20 de outubro, a Jovem Pan já havia confirmado que Flávio solicitou a Moraes acesso aos autos de um inquérito sigiloso envolvendo sua relação com Willer Tomaz. A investigação foi encaminhada ao STF em 8 de outubro e distribuída ao ministro no dia 16.

A existência das investigações não representa conclusão de culpa. O senador e pessoas envolvidas nos procedimentos negam irregularidades.

Argentina negou entrada do senador e voo particular

As primeiras informações sobre uma possível saída do país apontavam que Flávio Bolsonaro teria atravessado a fronteira com a Argentina utilizando seu documento de identidade.

Segundo o jornal argentino Infobae, o senador teria seguido para Puerto Iguazú, na província de Misiones, onde embarcaria em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos.

A publicação identificou o avião como um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A. A companhia teria solicitado procedimentos alfandegários e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes. A decolagem estaria prevista para as 2h desta terça-feira, no horário local, com destino a Miami.

O governo argentino, entretanto, negou que Flávio tivesse ingressado no país.

Em comunicado, a Direção Nacional de Migrações afirmou não haver registro de entrada do senador em território argentino. As autoridades também informaram que realizaram verificações na aeronave mencionada pela imprensa e não identificaram um plano de voo envolvendo integrantes da família Bolsonaro.

O porta-voz da Presidência argentina, Fabián Fernández, negou a existência de registros da entrada de Flávio e afirmou que nenhum voo com as características divulgadas havia decolado para os Estados Unidos.

Posteriormente, o porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, também declarou que o senador não havia solicitado asilo político à Argentina.

A nova apuração da Jovem Pan confirma que Flávio deixou o Brasil e está em um avião com destino aos Estados Unidos, mas não estabelece que a aeronave utilizada seja a mesma mencionada pela imprensa argentina.

Flávio foi aconselhado a viajar aos Estados Unidos

A possibilidade de Flávio deixar o Brasil já havia sido discutida por pessoas próximas ao senador antes da determinação judicial.

Na segunda-feira (26), o colunista Bruno Pinheiro, da Jovem Pan, revelou que uma ala dos aliados recomendou que o parlamentar saísse imediatamente do país e seguisse para os Estados Unidos, onde vive seu irmão Eduardo Bolsonaro.

A recomendação ocorreu no contexto da derrota nas eleições presidenciais e das preocupações com o avanço de investigações judiciais envolvendo o senador.

Na sexta-feira (23), dois dias antes do segundo turno, Eduardo Bolsonaro também havia defendido publicamente, durante participação em um podcast norte-americano, que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado por Lula.

Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025. O ex-deputado foi condenado pelo STF por coação no curso do processo, em razão de sua atuação para articular sanções de autoridades norte-americanas contra integrantes do Judiciário brasileiro.

Saída ocorre dois dias após derrota para Lula

A viagem de Flávio Bolsonaro ocorre dois dias depois de sua derrota no segundo turno das eleições presidenciais.

Lula foi reeleito no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL, uma diferença de aproximadamente 4,43 milhões de votos.

Após o resultado, Flávio evitou reconhecer expressamente a vitória do petista e afirmou que pretendia questionar judicialmente a eleição. Na segunda-feira, disse que buscaria a cassação da chapa adversária, mas também declarou que pretendia liderar a oposição ao próximo governo.

Na mesma manifestação, revelou a determinação de Moraes para que entregasse seus passaportes.

A saída do Brasil acrescenta um novo elemento à crise política iniciada após o segundo turno, em meio aos questionamentos de Flávio sobre o resultado eleitoral e às investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Até a publicação desta reportagem, Flávio Bolsonaro não havia respondido às tentativas de contato da Jovem Pan para esclarecer sua saída do país e informar seu paradeiro.



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Redação A Notícia 24H.