O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas (Selva/UEA) registrou, no final da manhã desta quarta-feira, índices críticos de poluição atmosférica na capital e na Região Metropolitana. Manaus voltou a figurar no topo do ranking nacional de pior qualidade do ar, impulsionada pelo acúmulo de queimadas florestais e pelos efeitos da estiagem severa que castiga os rios da bacia amazônica.
Níveis perigosos de material particulado na atmosfera
De acordo com o monitoramento em tempo real dos sensores espalhados pela cidade, a concentração de material particulado fino (PM2.5) ultrapassou a marca de 160 microgramas por metro cúbico em bairros das zonas Sul, Leste e Centro-Oeste. O patamar é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como altamente prejudicial à saúde humana.
Especialistas da UEA e meteorologistas apontam que a combinação de ventos fracos e ausência de chuvas volumosas impede a dispersão da névoa, mantendo uma cúpula de poluentes estagnada sobre a área urbana.
Cenário de emergência e impactos nos municípios
O quadro na capital reflete o avanço do fogo no interior do estado e em regiões vizinhas. O governo estadual mantém 46 municípios em situação de emergência ambiental:
- Focos Ativos de Incêndio: Mais de 1,2 mil brigadistas e agentes federais atuam no combate direto às chamas na calha dos rios Madeira e Purus.
- Isolamento Fluvial: Comunidades ribeirinhas enfrentam restrições no abastecimento e na navegação comercial devido ao baixo nível das águas.
- Multas e Fiscalização: Órgãos ambientais já aplicaram mais de R$ 40 milhões em sanções por uso irregular do fogo em propriedades rurais neste mês.
Recomendações médicas para a população
Médicos pneumologistas recomendam que a população evite a prática de atividades físicas ao ar livre durante os horários de maior incidência solar. O uso de máscaras de proteção respiratória (como os modelos N95 ou PFF2), umidificação constante dos ambientes fechados e ingestão abundante de água são essenciais para conter irritações oculares e crises respiratórias agudas.
