Economia

O fôlego do rali: as ações com maior potencial na bolsa

A disparada das ações brasileiras na esteira do primeiro turno, que levou o Ibovespa ontem a quebrar um novo recorde (e a fechar no patamar inédito dos 206.912 pontos, alta de 7,7%), pode não ter chegado ao fim. Se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno, marcado para 25 de outubro, analistas apontam que o índice...

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A disparada das ações brasileiras na esteira do primeiro turno, que levou o Ibovespa ontem a quebrar um novo recorde (e a fechar no patamar inédito dos 206.912 pontos, alta de 7,7%), pode não ter chegado ao fim.

Se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno, marcado para 25 de outubro, analistas apontam que o índice ainda teria espaço para subir entre 10% e 35%. Em dólar, como é esperada uma valorização do real, o ganho poderia ser ainda maior. E há empresas que tendem a se beneficiar mais desse movimento. Vamos explicar a seguir.

Com o favoritismo de Bolsonaro, o mercado passa a ver mais chances de um ajuste fiscal à frente. Isso abre espaço para juros menores no país e um real mais forte em relação ao dólar.

Para o UBS, o resultado de domingo aumentou significativamente a probabilidade de uma virada nas expectativas e nos resultados fiscais, algo que, para a equipe de análise do banco, oferecerá amplo suporte aos mercados locais.

E, na Bolsa, três grupos de empresas tendem a se beneficiar mais com isso, sendo o último mais por um movimento técnico do que por fundamentos:

1. Empresas expostas à economia doméstica 

Para o UBS, entram aqui empresas de varejo, bancos, construção, elétricas, saneamento, educação, saúde e small caps (empresas de menor valor de mercado). São negócios que dependem mais de uma economia aquecida e de crédito menos caro.

Tem ainda um empurrão extra. Segundo o banco, investidores estão pouco posicionados em ações brasileiras, porque muito dinheiro de investidor local saiu da Bolsa no começo do ano. Com o cenário melhorando, esse dinheiro tende a voltar e pode contribuir para dar mais fôlego à alta.

Dentro desse grupo, o BTG separa suas preferidas para a continuidade do rali:

  • Consumo e varejo: Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Assaí (ASAI3);
  • Construção: Cyrela (CYRE3);
  • Financeiras: B3 (B3SA3) e XP (XPBR31);
  • Mobilidade e infraestrutura: Localiza (RENT3) e Motiva (MOTV3);
  • Saúde: Rede D’Or (RDOR3);
  • Energia e saneamento: Equatorial (EQTL3), Energisa (ENGI11), Auren (AURE3) e Sabesp (SBSP3);
  • Shoppings: Allos (ALOS3).

As varejistas, aliás, estiveram entre as maiores altas de ontem, ao lado de bancos e de empresas que ganham mais com juros menores. Mesmo assim, o BTG acredita que ainda tem espaço de alta.

Os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, do banco de investimento, ressaltam que a eleição não muda os fundamentos das empresas de uma hora para outra. Mas, como as expectativas para esses papéis seguem muito baixas, a sensação de menor risco macroeconômico deve continuar jogando a favor deles.

2. Empresas altamente endividadas

O segundo grupo é o das empresas muito endividadas, para quem juro alto é sinônimo de aperto financeiro. Se a taxa cai, o fôlego pode voltar (veja nesta matéria como os juros altos penalizam o resultado das empresas)

Fernando Siqueira, head de research da Eleven, explica que o efeito é maior justamente nas companhias que estavam mais frágeis. É nelas que ele vê os benefícios mais rápidos da mudança de cenário.

No ranking do BTG, as construtoras HBR Realty (HBRE3) e Log CP (LOGG3) aparecem no topo.

O critério da lista é a dívida líquida sobre o Ebitda (a geração de caixa da empresa), que mostra em quantos anos a companhia quitaria a dívida usando só o que ganha hoje.

A HBR levaria quase 13 anos, mais de uma década trabalhando só para pagar o que deve. A Log CP, mais de 8.

Como régua, em geral, um indicador acima de 4 anos já é visto como sinal de alerta, porque indica que a empresa pode ter dificuldade para honrar seus compromissos.

No ranking das mais endividadas do BTG também passam desse número (das mais para as menos endividada): BrasilAgro (AGRO3), Auren (AURE3), Helbor (HBOR3), Equatorial (EQTL3), Viveo (VVEO3), Ecorodovias (ECOR3) e MBRF (MBRF3).

3. Empresas expostas a investidores

Aqui o motivo é mais técnico do que econômico. São empresas que costumam ter grandes posições de investidores que apostam na queda das ações (as chamadas posições vendidas).

Como o mercado como um todo está otimista, uma alta generalizada pode forçar esses investidores a desfazer as apostas, o que exige comprar as ações de volta. Essa compra, por si só, pode puxar os preços para cima.

Mas vale uma ponderação: muitas dessas empresas são alvo de apostas contra elas justamente porque podem ter problemas operacionais, o que as torna mais arriscadas. O movimento tende a ser mais ligado ao fator técnico do que a uma melhora dos negócios.

Entre as ações mais vendidas da bolsa brasileira, o BTG aponta Taesa (TAEE11), MBRF (MBRF3), Fras-le (FRAS3), Unipar (UNIP6), Auren (AURE3), Kepler Weber (KEPL3), Light (LIGT3), BB Seguridade (BBSE3), Grendene (GRND3) e Tupy (TUPY3).

Quem deve ficar para trás

Do outro lado estão as ações que já vinham com valorização mais forte no ano, como as petroleiras. Para o UBS, esses papéis já embutem um cenário de petróleo mais caro por muito tempo e deixam de ser o seguro preferido do mercado contra o risco doméstico – o diagnóstico não é consensual, pois há analistas que apontam perspectivas positivas para as junior oils.

Investidores tendem a sair do setor e a migrar para empresas ligadas ao ciclo local, estratégia que o banco considera a principal em renda variável nesse momento.

A Petrobras (PETR3; PETR4) é o exemplo mais claro. Líder de ganhos do Ibovespa no ano, com alta de 94% nas ações ordinárias e 75% nas preferenciais, deve ficar para trás nessa rotação de ações.

Exportadoras como Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3) também tendem a se beneficiar menos nesse cenário diante da valorização do real versus o dólar – o que impacta negativamente as receitas. As duas últimas, por sinal, apareceram entre as poucas baixas do Ibovespa ontem.



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Redação A Notícia 24H.