Economia

Nvidia está bem perto de ser a primeira empresa de US$ 6 trilhões no mundo

A Nvidia está prestes a se tornar a primeira empresa a atingir US$ 6 trilhões em valor de mercado. A marca se aproxima a cada pregão, à medida que os investidores voltam a apostar na fabricante de chips de inteligência artificial após um início de ano decepcionante. As ações voltaram a renovar máximas históricas depois...

Por · 11:46 5 min de leitura
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A Nvidia está prestes a se tornar a primeira empresa a atingir US$ 6 trilhões em valor de mercado. A marca se aproxima a cada pregão, à medida que os investidores voltam a apostar na fabricante de chips de inteligência artificial após um início de ano decepcionante.

As ações voltaram a renovar máximas históricas depois que a companhia apresentou projeções robustas de receita e anunciou o maior programa de recompra de ações da história.

Esses dois pilares — crescimento forte e um múltiplo atrativo — chamam a atenção, sobretudo em um momento em que os investidores enfrentam juros altos e dados econômicos fracos.

A Nvidia tornou-se a maior empresa negociada em bolsa no mundo, e é preciso uma força monumental para movimentar papéis que já foram, disparado, os de melhor desempenho no S&P 500 na última década. Esse ritmo de crescimento conseguirá se sustentar?

Essa incerteza está no centro da razão pela qual a ação é negociada hoje a menos de 18 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses — perto da mínima em dez anos e com desconto em relação ao próprio S&P 500, cujo múltiplo futuro está em 19 vezes.

“A Nvidia é uma ação barata, mas o problema com o qual ela se depara é que virou, quase, uma vítima do próprio sucesso”, pontuou Larry Tentarelli, , da Blue Chip Daily. “O esforço exigido para mover a agulha agora é gigantesco.”

Ação sobe 30% em 2026

Jim Awad, diretor-gerente sênior da Clearstead Advisors, gestora que possui papéis da empresa, porém enxerga a gigante fos chips como uma tese bem mais segura.

“A Nvidia é atraente tanto pela ótica de crescimento quanto de valor, e parece um porto seguro contra qualquer estrago que os juros mais altos possam causar à economia”, disse J. “Tudo isso faz dela uma tese extremamente atraente e um destino para onde as pessoas devem continuar a migrar caso tenham receios.”

As ações sobem 1,9% no pregão desta terça-feira (6), impulsionando o índice S&P 500 para sua primeira máxima histórica desde agosto.

No ano, o papel acumula alta de 30% em um rali que adicionou US$ 1,3 trilhão ao valor de mercado da Nvidia, levando a empresa para quase US$ 5,8 trilhões.

A companhia é, de longe, a principal responsável pela alta de 14% do S&P 500 em 2026.

O movimento atrai atenção especialmente quando se lembra que a ação acumulava queda de 11% no ano até 30 de março, momento em que o mercado questionava os centenas de bilhões de dólares aplicados em infraestrutura de IA.

Desde então, o sentimento em relação ao ecossistema de inteligência artificial mudou, com questões existenciais sobre as potenciais ameaças da tecnologia à humanidade liderando os debates.

Fed ajudou indiretamente

Enquanto isso, os riscos inflacionários e a probabilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed) fizeram com que gigantes da tecnologia (megacaps) como a Nvidia passassem a ser vistas como ativos relativamente seguros.

“Conforme os receios de alta nas taxas se concretizaram, o dinheiro começou a migrar para essas megacaps de tecnologia por serem um pouco mais resistentes aos juros altos”, afirmou Tentarelli, da Blue Chip Daily.

O setor de semicondutores também registrou uma recuperação impulsionada pelo agente de IA Muse, da Meta Platforms. “Há uma forte rotação de volta para os semicondutores e para as megacaps, e ambas as forças jogam a favor da Nvidia.”

O apelo junto aos investidores foi reforçado pela autorização da Nvidia para adicionar US$ 150 bilhões ao seu programa existente de recompra de ações. O CEO da empresa, Jensen Huang, destacou que a a decisão reflete “nossa confiança na oportunidade de longo prazo que temos pela frente”.

Mais dinheiro do que consegue gastar

O mercado de Wall Street costuma ver recompras com bons olhos, pois elas significam retorno financeiro aos acionistas e reduzem a quantidade de papéis em circulação, o que impulsiona o lucro por ação (LPA).

O plano da Nvidia se destaca entre as big techs, que vêm direcionando o caixa prioritariamente para investimentos em IA, com exceção da Apple.

A recompra “é exatamente o que os investidores querem ver”, já que demonstra que a empresa está “compartilhando com o acionista a riqueza de suas margens de lucro absurdamente altas”, escreveu o analista Jordan Klein, da Mizuho Securities, em nota aos clientes.

Embora exista o argumento de que recompras sejam apenas uma forma de as empresas inflarem o lucro por ação sem um crescimento orgânico real, isso dificilmente se aplica à Nvidia. Em seu balanço anterior, a fabricante projetou um avanço de 70% nas vendas para o ano fiscal de 2028, bem acima da expansão de 45% esperada pelo mercado.

“A razão pela qual ela consegue fazer essa recompra gigantesca é que está crescendo tão rápido que tem mais dinheiro do que consegue aplicar”, avalia Awad, da Clearstead. “A empresa segue na vanguarda de uma revolução de IA que não dá sinais de desaceleração, e a demanda que ela observa parece insensível à alta de juros, o que reforça a confiança na sustentabilidade desse ciclo.”

O lucro líquido da Nvidia deve dobrar no ano fiscal de 2027, que se encerra em janeiro, com alta de 90% no faturamento. Um ano atrás, ambas as métricas subiram 65%.



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