Reestruturação bilionária da Raízen
As vendas podem ocorrer como parte da ampla reestruturação da companhia de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, que está no epicentro de uma das maiores reestruturações de dívida corporativa já realizadas no Brasil.
A empresa, controlada conjuntamente pela Shell e pela Cosan, de Rubens Ometto, chegou a um acordo com credores em março para reestruturar extrajudicialmente cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.
O IG4 Capital, que em junho havia manifestado interesse em comprar dívida suficiente para obter o controle da Raízen, agora busca adquirir apenas créditos vinculados à divisão de açúcar e etanol da companhia, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Morgan Stanley, IG4, FS e Raízen não quiseram comentar.
Menos caixa, títulos em queda
Os problemas financeiros da Raízen se intensificaram no início deste ano, à medida que sua posição de caixa se deteriorou e seus títulos de dívida despencaram após uma série de rebaixamentos de rating.
A companhia vem enfrentando dificuldades decorrentes de uma série de decisões estratégicas malsucedidas, juros elevados por períodos prolongadas e safras fracas de cana-de-açúcar.
Como parte de sua reestruturação, os credores concordaram com conversões de dívida em ações que lhes darão mais de 80% do capital da companhia.
A empresa também tem buscado vender ativos como parte dos esforços para reduzir sua alavancagem – em alguns casos, de forma bem-sucedida, embora ainda insuficiente dado o volume de dívidas.
FS, Mubadala e IG4 buscam adquirir dívidas da Raízen antes que elas sejam convertidas em ações, disseram as pessoas.
A FS é uma das maiores produtoras de etanol de milho do Brasil e tem suas raízes em Mato Grosso, um dos principais estados produtores agrícolas do país. O Summit Agricultural Group, com sede em Iowa, tem uma fatia no capital da empresa.
Em julho, a trading agrícola Amaggi adquiriu uma participação de 40% na produtora de etanol, em uma operação que incluiu um aporte de capital de US$ 100 milhões na FS por meio de uma emissão primária de ações.
